quarta-feira, 25 de abril de 2018

Constituição, por Antonio Delfim Netto na Folha SP

Carta Magna propõe sistema que combina liberdades civis com a mitigação da desigualdade

A Constituição de 1988 incorpora o ideal de uma sociedade civilizada. No seu artigo 3º afirma que: “Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I – construir uma sociedade livre, justa e solidária; II – garantir o desenvolvimento nacional; III – erradicar a pobreza e marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”.

Em síntese, ela propõe um sistema que combina amplas liberdades civis com a mitigação da desigualdade de qualquer natureza.

Define, com clareza, as suas condições iniciais: a saúde e a educação universais, financiadas com os recursos de impostos gerais, porque são direitos sociais que tornam possível a construção da igualdade de oportunidades. Estão longe, portanto, de serem “gratuitas”, como insistem alguns de seus detratores.

Como é evidente, a plena liberdade e a relativa igualdade só podem ser usufruídas pelos cidadãos se eles dispuserem de uma sobrevivência material aceitável, isto é, um aumento da quantidade de bens e serviços postos à sua disposição. Em outras palavras, da produtividade média desses mesmos cidadãos!
De que depende o aumento dessa produtividade? Da inteligência, da capacidade de imaginação e da inventividade do homem.

Pequenos grupos nômades no passado remoto, descobriram, por exemplo, que era possível colher os frutos mais altos de uma árvore com a ajuda de uma escada (um bem de produção) que multiplicava sua produtividade.

A história mostra que o aumento da produtividade do trabalho (ao qual se dá o nome de “desenvolvimento econômico”) depende, basicamente, da quantidade e qualidade dos bens de produção postos à disposição de cada trabalhador com conhecimento e disposição para operá-lo.

Aos novos bens de produção que incorporam novas tecnologias (e imaginação!) chama-se investimento. Logo, para crescer (aumentar a produtividade do trabalho), a sociedade tem que harmonizar o que pretende consumir com o que precisa investir para aumentar o seu estoque de bens de produção.

O que dispõe a mesma Constituição sobre a organização econômica para garantir tal eficiência produtiva?

Está no artigo 173: “Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei”.

Ela privilegia, portanto, a produção pelo setor privado por meio dos mercados.

Antonio Delfim Netto Economista, é ex-ministro da Fazenda (governos Costa e Silva e Médici), ex-deputado federal e professor.https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antoniodelfim/2018/04/constituicao.shtml

terça-feira, 24 de abril de 2018

4 falhas de governança corporativa, da Redação CIO


A falta dessa estrutura sólida de governança pode trazer grandes prejuízos às companhias

Publicada em 16 de abril de 2018 às 08h02
À grosso modo, a Governança Corporativa é o que determina as regras que devem ser aplicadas em seu negócio, formando uma estrutura de trabalho que visa promover melhores práticas administrativas, proporcionando mais agilidade, autonomia e transparência as empresas.

'O objetivo da governança corporativa é contribuir para o desenvolvimento econômico saudável da instituição, facilitando o acesso a recursos e melhorando o desempenho das empresas', afirma o professor e consultor Marcos Assi, Sócio Diretor da Massi Consultoria e Treinamento.

A falta dessa estrutura sólida de governança pode trazer grandes prejuízos às companhias, por isso, é primordial detectar possíveis falhas que possam comprometer o profissionalismo do modelo adotado.

Abaixo, Assi lista algumas falhas que podem ser cometidas em todos os tipos de organizações, independentemente do segmento ou tamanho.

1. Independência do Conselho Administrativo:
Qualquer brecha que comprometa a independência do Conselho Administrativo da empresa, automaticamente é uma falha de governança corporativa.

"O conselho administrativo tem a finalidade de melhorar a qualidade das decisões estratégicas e contribuir na redução de riscos, no entanto, para que ele funcione de forma efetiva é necessário que tenha autonomia para isso. O CEO da empresa fazer parte desse conselho, por exemplo, pode gerar conflitos de interesse, além disso, ainda existem casos que o presidente do conselho determina o que o CEO deve fazer, e isso é preocupante', destaca Assi.

2. Falta de Comunicação:
A comunicação deve ser vista como um elemento-chave nos processos internos das empresas, tendo em vista que, desempenha um papel fundamental e cada vez mais estratégico nas organizações.

Assi ressalta que "a transparência, eficácia e responsabilidade na comunicação ajuda a reduzir os riscos do negócio, pois auxilia os agentes de governança a desempenhar melhor suas funções e ampliar os níveis de confiança entre todos os públicos da empresa".

"Comunicar depois que foi realizado é a grande falha de muitas empresas, devemos avaliar antes de executar, por exemplo, podemos citar operações com impactos contábeis e tributários que não são avaliados previamente e causam danos financeiros por questões de algumas irregularidades não identificadas", complementa o professor.

3. Ausência de efetividade das auditorias independentes:
A ausência de efetividades nos trabalhos das auditorias independentes é uma grande falha na governança corporativa, pois é por meio delas que podemos assegurar a eficiência na aplicação de recursos de maneira imparcial e transparente.

"A realização de auditorias independentes nas organizações é de extrema importância na análise dos controles internos, focando na busca de melhorias contínuas", destaca o Professor.

4. Sistema de Remuneração:
Um dos propósitos da boa governança é facilitar e estimular o desempenho de todos, sendo um dos métodos a criação e manutenção de incentivos que proporcionem a produtividade e eficiência empresarial, quando determinados executivos têm o poder de decidir sobre suas próprias remunerações, por exemplo, é fato de que há problemas na governança da empresa.

"Por isso, a implementação de políticas de remuneração e premiação é de suma importância, e atrelada a necessidade de uma política de sucessão na organização", finaliza Assi.
http://cio.com.br/gestao/2018/04/16/4-falhas-de-governanca-corporativa/

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Segurança cibernética movimenta US$ 5,8 bi no Brasil - Valor Econômico

A explicação, segundo o executivo, é o fato de que a segurança cibernética ganhou relevância estratégica, sendo discutida inclusive nos conselhos. "O assunto já está nos 'boards' e nas agendas dos CIOS", acrescenta. Como consequência, a Cipher ganhou clientes que decidiram ampliar seus investimentos em segurança, como Boticário e Kroton. "Ao mesmo tempo, há mais empresas precisando de certificações para atender regras de governança, risco e conformidade, como os associados da Iata", explica. Segundo Bonucci, em pouco mais de um ano a equipe que atende serviços de governança passou de oito para 16 pessoas e ainda tem cinco vagas abertas. 
[...]
No caso da Bluepex, empresa brasileira que começou a operar em 1989 desenvolvendo um antivírus, os investidores também estão se aproximando, afirma Nilton de Souza, diretor de negócios. Um dos atrativos é o fato de ela estar na lista das "Empresas Estratégicas de Defesa" do Ministério da Defesa, já que fornece o antivírus utilizado pelo Exército. "Para este ano, estamos esperando crescer pelo menos 50% no número de contratos, e outro tanto no faturamento." No ano passado, o faturamento cresceu entre 20 e 25% diz Souza.
[...]
Com foco também em defesa, a Stefanini Rafael tem expectativas altas para os negócios neste ano, afirma o diretor da empresa, Longinus Timochenco: "A empresa vem investindo forte nessa vertical de cibersegurança. E os estudos indicam que o cenário de cibersegurança é cada vez mais estratégico para os negócios". A empresa é uma parceria anunciada em abril de 2016 da Stefanini com a israelense Rafael, para fornecimento de serviços de segurança cibernética e inteligência.

"Nossa estratégia não é agir nos incidentes, mas na prevenção, na inteligência", diz Timochenco. A segurança é voltada para todas as facetas de TI, diz o diretor: usuários, dispositivos, sistemas, aplicações, informações (físicas ou digitais) e infraestrutura. Como complemento, acrescenta, a Stefanini Rafael faz também perícias (forensics na expressão em inglês) em incidentes de segurança digital.
Fonte: VALOR ECONÔMICO - SP

domingo, 11 de março de 2018

Pentagon Suggests Countering Devastating Cyberattacks With Nuclear Arms



By DAVID E. SANGER and WILLIAM J. BROADJAN. 16, 2018

WASHINGTON - Uma nova estratégia nuclear dos Estados Unidos que foi enviada ao presidente Trump para aprovação permitiria o uso de armas nucleares para responder a uma ampla gama de ataques devastadores, mas não nucleares, sobre a infra-estrutura americana, incluindo o que os funcionários atuais e ex-oficiais descreveram como o tipo mais vulnerável de ataques cibernéticos.

Durante décadas, os presidentes americanos ameaçaram o 'primeiro uso' de armas nucleares contra inimigos em circunstâncias muito limitadas e limitadas, como em resposta ao uso de armas biológicas contra os Estados Unidos. Mas o novo documento é o primeiro a expandir isso para incluir tentativas de destruir infra-estrutura de grande alcance, como a rede elétrica ou as comunicações de um país, que seria mais vulnerável às ciber-armas.

O documento preliminar, intitulado Nuclear Posture Review, foi escrito no Pentágono e está sendo revisado pela Casa Branca. Sua versão final é esperada nas próximas semanas e representa um novo olhar sobre a estratégia nuclear dos Estados Unidos. O rascunho foi publicado pela primeira vez na semana passada pela HuffPost.

Ele chamou a imagem estratégica que enfrenta os Estados Unidos bastante sombrio, citando não só os avanços nucleares russos e chineses, mas os avanços feitos pela Coréia do Norte e, potencialmente, pelo Irã.

'Devemos olhar a realidade nos olhos e ver o mundo como está, não como desejamos que seja', disse o documento preliminar. A nova iniciativa da administração Trump, continuou, 'reage a nossa política nuclear com uma avaliação realista das ameaças que enfrentamos hoje e das incertezas quanto ao futuro ambiente de segurança'.

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O Pentágono recusou-se a comentar o projeto de avaliação porque o Sr. Trump ainda não o aprovou. A Casa Branca também recusou-se a comentar.

Mas três oficiais do governo sênior atuais e antigos disseram que grandes ataques cibernéticos contra os Estados Unidos e seus interesses seriam incluídos nos tipos de agressão estrangeira que poderiam justificar uma resposta nuclear - embora eles enfatizassem que haveria outras opções mais convencionais para retaliação. Os funcionários falaram sob condição de anonimato porque não estão autorizados a discutir a política proposta.

Gary Samore, que era um dos principais assessores nucleares do presidente Barack Obama, disse que o projeto de estratégia 'repete os elementos essenciais da política declaratória de Obama por palavra' - incluindo a declaração de que os Estados Unidos 'considerariam apenas o uso de armas nucleares'. em circunstâncias extremas para defender os interesses vitais dos Estados Unidos ou seus aliados e parceiros '.

Mas a maior diferença reside em novas redacções sobre o que constitui 'circunstâncias extremas'.

No que diz respeito ao governo da Trump, essas 'circunstâncias podem incluir importantes ataques estratégicos não-nucleares'. Ele disse que poderia incluir 'ataques contra a população ou infra-estrutura civil dos EUA, aliados ou parceiros, e ataques contra forças nucleares norte-americanas ou aliadas, seu comando e controle, ou aviso e capacidade de avaliação de ataque '.

O rascunho não diz explicitamente que um ciberataque incapacitante contra os Estados Unidos seria uma das circunstâncias extremas. Mas os especialistas chamaram de ciberataque uma das formas mais eficientes de paralisar sistemas como a rede elétrica, as redes de celulares e a espinha dorsal da internet sem usar armas nucleares.

'Em 2001, lutamos com a forma de estabelecer a dissuasão para o terrorismo porque os terroristas não têm população ou território para se manter em risco. O Cyber ​​apresenta um dilema semelhante ', disse Kori Schake, um alto funcionário do Departamento de Estado da Segurança Nacional e do Departamento de Estado durante a administração do presidente George W. Bush, que agora é vice-diretor-geral do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos em Londres.

'Então, se o cyber pode causar mau funcionamento físico das principais infraestruturas resultando em mortes', afirmou a Sra. Schake, o Pentágono agora encontrou uma maneira de 'estabelecer uma dinâmica de dissuasão'.

O rascunho de avaliação também cita 'preocupação particular' sobre 'expandir as ameaças no espaço e no ciberespaço' aos sistemas de comando e controle do arsenal nuclear americano que a revisão identifica como um 'legado da Guerra Fria'. Foi o último aviso em um coro crescente de que as redes de resposta nuclear poderiam ser desativadas ou alimentadas com dados falsos em um ataque cibernético.

Até agora, todos os principais adversários dos Estados Unidos - incluindo a Rússia, a China, a Coréia do Norte e o Irã - pararam bem do tipo de ataques cibernéticos que poderiam levar a uma resposta maior e mais violenta.

Os russos colocaram o malware chamado 'Energia Negra' nos sistemas de utilidade americanos, mas nunca tentaram causar um grande apagão. Eles enviaram submarinos de corte de cabo ao longo do caminho das linhas de fibra óptica submarinas que conectam os continentes, mas não os cortaram. A Coréia do Norte atacou empresas como a Sony e usou cibercapéas para causar caos no sistema de saúde britânico, mas nunca diretamente tomadas nos Estados Unidos.

Ainda assim, o documento reconhece que as estratégias americanas, russas e chinesas foram atualizadas nos últimos anos para refletir a realidade de que qualquer conflito começaria com um ataque elétrico no espaço e nos sistemas de comunicação. Durante a administração de Obama, por exemplo, um programa secreto, com o nome de código 'Nitro Zeus', pediu um ciberataque cegador no Irã no caso de as negociações sobre o seu programa nuclear falharem e Washington encontrou-se indo à guerra com Teerã.

Existem outras diferenças com a política de administração de Obama.

O projeto de estratégia abrange a produção americana de uma nova geração de armas nucleares pequenas e de baixo rendimento - algumas das quais estavam em desenvolvimento durante a administração Obama. Alguns especialistas alertam para que tais armas menores podem desfocar a distinção entre armas nucleares e não nucleares e, como resultado, ser mais tentador de usar.

E afirma claramente que a Rússia está testando seu primeiro torpedo nuclear autônomo, que as autoridades americanas acreditam que seria guiado em grande parte pela inteligência artificial para atacar os Estados Unidos, mesmo que as comunicações com Moscou fossem encerradas. Foi o primeiro reconhecimento público de Washington de uma arma tão submarina, cujo protótipo foi inicialmente imaginado na década de 1960 por Andrei Sakharov, o físico que mais tarde se classificou entre os dissidentes mais famosos da União Soviética.

O desenvolvimento do torpedo foi detectado pela administração Obama e foi amplamente discutido em círculos de defesa, mas nunca foi mencionado publicamente pelo Pentágono como uma ameaça futura significativa.

O Sr. Trump raramente criticou publicamente o presidente Vladimir V. Putin da Rússia pelas agressões russas ao redor do mundo. Mas o documento do Pentágono descreve as ações de Moscou tão desestabilizadoras que os Estados Unidos podem ser forçados a reverter o compromisso de Obama de reduzir o papel eo tamanho do arsenal nuclear americano.

A Rússia está adotando 'estratégias e capacidades militares que dependem da escalada nuclear para o sucesso deles', disse o secretário de Defesa, Jim Mattis, em uma introdução ao relatório. 'Esses desenvolvimentos, juntamente com a invasão da Rússia da Criméia e ameaças nucleares contra nossos aliados, marcam o retorno descarado de Moscovo à competição do Grande Poder'.

Na maioria dos casos, o plano de administração de Trump simplesmente avançaria armas nucleares que Obama havia endossado, como uma nova geração de mísseis de cruzeiro nuclear - armas de baixo vôo com asas esquisitas que, quando tiradas de um bombardeiro, abraçam o chão para evite radares inimigos e defesas aéreas.

Mas a estratégia prevê outras novas armas nucleares. O projecto de política exige que o 'desenvolvimento rápido' de um mísseis de cruzeiro seja disparado de submarinos. Obama se retirou dessa classe. Ele também pede o desenvolvimento de uma ogiva de baixo rendimento para mísseis balísticos disparados de submarinos.

É relativamente fácil para os presidentes mudar a política declarativa do país sobre o uso de armas nucleares e bastante difícil para eles remodelar seu arsenal nuclear, o que leva não só grandes somas de dinheiro, mas muitos anos e às vezes décadas de planejamento e implementação.

O preço para uma reforma de 30 anos do arsenal nuclear dos Estados Unidos foi colocado no ano passado em US $ 1,2 trilhão. Os analistas disseram que o plano de administração expandido de Trump levaria a conta muito mais alta, observando que estimativas firmes terão de esperar até que o orçamento federal proposto para o exercício de 2019 seja tornado público.

'Quase tudo sobre esta nova e radical política vai desencadear a linha entre nuclear e convencional', disse Andrew C. Weber, um assistente de secretaria de defesa durante a administração Obama que dirigiu um painel interagências que supervisionou o arsenal nuclear do país.

Se adotado, acrescentou, a nova política 'tornará a guerra nuclear muito mais provável'.

Uma das conclusões mais difíceis do documento envolve a existência de uma nova e mortal classe de torpedos nucleares russos - um míssil subaquático em forma de charuto destinado a ser disparado de um submarino.

Torpedos com armas nucleares eram comuns durante a Guerra Fria, com a União Soviética pioneira nas armas e desenvolvendo-as com mais vigor. Um modelo soviético tinha uma faixa de milhas e uma grande ogiva.

O Sr. Sakharov, um famoso dissidente russo nos anos 1970 e 1980, imaginou um torpedo gigante capaz de viajar várias centenas de milhas e sofrer grandes baixas com uma ogiva milhares de vezes mais poderosa do que a bomba de Hiroshima. Embora sua visão tenha sido rejeitada na época, a nova revisão revela que Moscou ressuscitou uma arma na mesma linha.

O documento o chama de 'um novo torpedo autônomo submarino intercontinental e armado de armas nucleares'. Em um diagrama denominado 'Veículos novos de entrega nuclear sobre a Década passada', ele identifica o torpedo pelo seu nome de código Status-6.

As notícias têm relatado a existência possível de tal arma desde pelo menos 2015, mas a referência do documento parece ser a primeira vez que o governo federal confirmou sua existência. O torpedo de longo alcance com uma ogiva monstruosa aparentemente é destinado a regar regiões costeiras com radioatividade mortal, deixando as cidades inabitáveis.

Tradução livre com auxílio do Google Tradutor.
Publicado em
https://www.nytimes.com/2018/01/16/us/politics/pentagon-nuclear-review-cyberattack-trump.html

sábado, 3 de março de 2018

SISTEMA DE INFORMAÇÃO E DE APOIO À DECISÃO PARA COMANDO E CONTROLE (SIADC²) – CONCEITO DE OPERAÇÕES


3.2               Sistemas de Informação e de Apoio à Decisão no EMCFA e nas Forças Armadas

3.2.1 EMCFA

[...]

  • Barramento de Interoperabilidade de Comando e Controle (INTERC2) pág. 15 do Manual  (MD31-S-04)

As Forças Componentes enviam ao SIPLOM um conjunto de informações, previamente definidas e parametrizadas, que recebe essas informações, processa e as apresenta em uma síntese. Entretanto, o nível atual de interoperabilidade entre o SIPLOM e os SI/SAD das Forças ainda é dependente da atuação de operadores para compartilhar manualmente informações de um sistema para o outro.

Um caminho apontado como solução para esse problema é o compartilhamento de informações por meio do intercâmbio automático de dados entre o SIPLOM, os SI/SAD das Forças Armadas e outros sistemas que venham a colaborar no ciclo decisório. Para esse intercâmbio, foi estabelecido, inicialmente, pelo MD e órgãos de TI das Forças Armadas, que o padrão a ser adotado seria o Joint Consultation, Command and Control Information Exchange Data Model (JC3IEDM)¹, desenvolvido pelo fórum multinacional conhecido como Multilateral Interoperability Program (MIP) e utilizado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), com o objetivo de viabilizar a integração entre SI/SAD.

O barramento de Interoperabilidade de Comando e Controle é um middleware de comunicação, em arquitetura orientada a serviço (SOA), que permite essa troca de mensagens entre os SI/SAD das Forças Armadas e o SIPLOM, no nível operacional, particularmente nas Operações Conjuntas  (figura 1). O barramento utiliza o modelo JC3IEDM para o intercâmbio de dados e mensagens do método ADEM² automaticamente entre os sistemas, estando, então, calcado em três vetores basilares: protocolo IP, modelo de dados JC3IEDM e adoção da Arquitetura SOA.

A arquitetura SOA desacopla as partes que se comunicam, permitindo flexibilidade para adaptação a novos requisitos ou integração de novos sistemas. O seu funcionamento eficaz depende da construção de interfaces em cada um desses sistemas, para que eles se comuniquem com o Barramento, enviando e recebendo informações dos serviços disponibilizados.


Fig 1 Interoperabilidade de Sistemas de C²


¹ JC3IEDM é um modelo de intercâmbio de dados e mensagens para tramitação das informações entre sistemas de comando e controle utilizado como padrão pelos países membros da OTAN. 
² Alternate Development and Exchange Method é um método proposto pelo MIP, com base no JC3IEDM, que estabelece um modelo padronizado de tipo de mensagens e dados a serem intercambiados entre sistemas de comando e controle.


O MODELO DE DADOS DA OTAN PARA INTERCÂMBIO DE INFORMAÇÕES DE COMANDO E CONTROLE – CONCEITUAÇÃO, APLICAÇÕES E REFLEXOS PARA O SC2FTER / SISMC2.


Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, como requisito parcial para a obtenção do certificado de Especialização em Política, Estratégia e Administração Militares (CPEAEx).
Orientador: CEL COM JOSÉ CARLOS DOS SANTOS (hoje Gen Div R1)
Brasília - DF 2006


5. CONCLUSÃO

Gerenciar é controlar processos. Para se ter o controle eficaz, há que se aperfeiçoar o processamento dos dados, tornando-os informação útil e inteligência acionável. Este conhecimento servirá de apoio ao processo decisório e ao monitoramento dos indicadores de desempenho da Força Combinada.

As funções de Comando e Controle são executadas por meio de um complexo sistema, envolvendo a gerência de recursos humanos, instalações, equipamentos, normas e processos que possibilitam ao comandante dirigir e controlar sua tropa, tendo em vista o cumprimento da missão que lhe é imposta, em quaisquer circunstâncias, seja na paz ou na guerra, no preparo ou no emprego.

O estudo esteve focado na forma de empregar-se o Multilateral Interoperability Programme - MIP com eficiência para prover interoperabilidade nas Operações Combinadas. Identificou-se o Information Exchange Data Model – IEDM como a forma de extração das informações dos sistemas de C2 dos países da Organização do Tratado do Atlântico Norte usados com sucesso nas Forças Armadas daqueles países. 
Identificaram-se as necessidades dos combatentes e as aplicações dos mecanismos disponíveis para satisfazê-las. Projetou-se, no futuro, os reflexos da adoção sistêmica de uma, e de outra visões, verificando-se a importância do tempo na eficácia dos datalink. [...]

Ficou-se convencido de que os datalink não concorrem com o JC2IEDM, padrão de intercâmbio do MIP empregado pela OTAN, mas são complementares. Logo, o modelo de dados da OTAN é perfeitamente compatível para interoperabilidade entre as Forças Armadas nacionais e deverá coexistir com os datalink dos setores aéreo e aeronaval, usando pontes para reconhecimento mútuo.
A forma mais eficaz de fazer os sistemas de C2 interoperarem com as Forças Componentes, os Comandos Combinados e o Comando Supremo indica ser, indubitavelmente, por meio dos web-service.
As linguagens de web-service (SOAP, WSDL e HTTPS) são as mais apropriadas para o Grupo de Trabalho do Sistema Tático de Enlace de Dados - SISTED prosseguir no desenvolvimento da arquitetura para sua implantação.
Parece ser correta a opção de implementar o SECOS em toda a sua plenitude e potencialidade, uma vez que o Link BR2 poderá ser conectado por todas forças, combinadas, componentes, e Armadas através das Pontes do Centro de Integração Tático - CIT, mesmo operando no modo seguro de CONSEC e TRANSEC.

A Força Terrestre deverá ser dotada de equipamentos SECOS, na prioridade definida pela localização das pontes, segundo os cenários de emprego combinados mais usuais e completos, o que pode se constituir na solução mais econômica para o Ministério da Defesa. [...]
Será imprescindível empregar-se gateway para a interface entre sistemas com diferentes camadas física e lógica dos sistemas legados das FA, tendo como reflexo para a FTer uma imperiosa necessidade em adquirir SECOS para mobiliar as pontes sob sua responsabilidade.
A FTer tem condições, por intermédio da equipe de engenheiros do CDS/CIGE, alavancar o emprego do MIP na parte terrestre do C2 das FCbn, usando o JC2IEDM. Também pode colaborar na integração dos datalink nos CIT, pela experiência acumulada no CTEx na configuração dos Módulos de Telemática do SC2FTer.

O JC3IEDM deve substituir o JC2IEDM na OTAN, a partir de 2008, com a vantagem de incluir interfaces para datalink e superar a dificuldade ora existente, que levou o GT – SISTED a separar a parte terrestre da aérea/aeronaval.
Devem-se empregar Exercícios de Simulação - como o AZUVER - para disseminar o conhecimento do SISTED e testar as premissas, enlaces, localizações das pontes, redundâncias, fluxo de informações e tráfego submetendo estes conceitos aos alunos e instrutores envolvidos.
A OTAN pode estender sua influência sobre o Cone Sul porque vai encontrar nas FA do Brasil uma Força Terrestre cuja visão prospectiva em sistemas interoperáveis de C2 propiciará a adequada preparação para as operações multinacionais.

Assim sendo, elucidou-se como empregar os sistemas de C2 semelhantes aos da OTAN na obtenção da interoperabilidade entre as Forças Componentes e entre estas e os Comandos Combinados de modo a que elas participem da batalha com a eficiência e a eficácia supostamente desenhadas nos cenários táticos interforças, como se propôs a demonstrar.
Alairto Almeida Callai - Cel Com (Asse STI na 2ªSCh EME)

Veja o TCC completo em
http://www.bookess.com/read/29794-o-modelo-de-dados-da-otan-para-integrar-as-forcas-armadas/

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Defesa Cibernética Exige Desenvolvimento de Capacidades Ofensivas, por Dr. R Gallo e Gen Carvalho


Combinação de contra-inteligência, eufemismos e o simples desconhecimento da atividade cibernética dificultam a implementação de uma agenda estratégica para o setor cibernético brasileiro.

Introdução

O espaço cibernético relaciona-se ao uso de redes de computadores onde a informação transita em tempo real e a maior dificuldade em sua conceituação consiste em transportá-lo do mundo virtual para o real, bem como em delimitar suas fronteiras, um fato que vem preocupando os Estados-Nação, portanto, afetando a soberania nacional.

No entanto, um fato é inquestionável: as atividades humanas dependem cada vez mais de redes informáticas que, apesar dos enormes benefícios que trazem para a tomada de decisão das autoridades governamentais e de executivos, reduzindo custos e tempo, são vulneráveis ??a uma nova ameaça, a Guerra Cibernética.

A proteção das redes de computadores dos órgãos governamentais e empresas afins é uma questão de Segurança Nacional e deve ser uma preocupação de toda a sociedade, extrapolando o ambiente militar, com a compreensão de que a Segurança Cibernética é a situação normal e a Defesa Cibernética consiste em todas as ações tomadas para obter, manter ou restaurar a condição da Segurança Cibernética quando for comprometida por atos hostis originários de outros Estados-Nação.

Nos dias atuais, quem acompanha o noticiário nacional ou internacional, teve a oportunidade de observar inúmeras notícias que relatam incidentes cibernéticos, desde a disponibilidade de infraestruturas críticas - telecomunicações, energia, sistema bancário, entre outras - passando por roubos de informações secretas de projetos de armas e comunicações diplomáticas, por exemplo, até ações com resultados cinéticos que resultam em perda de vidas, como no caso da destruição das centrífugas de urânio iranianas.

Muitas destas notícias resultam de operações militares patrocinadas e/ou executadas pelos Estados-Nação e, embora ainda que estas sejam relativamente volumosas, proporcionalmente são poucas as que ganham relevância na mídia.

Isso é fácil de entender: muitas destas operações têm como medida de sucesso justamente não serem descobertas. Ou seja, é totalmente justo afirmar que existem sim conflitos no domínio cibernético em andamento pelo mundo, patrocinados, muitas vezes, por entes estatais contra alvos tanto privados quanto públicos, ainda que não existam, neste momento, “guerras declaradas” no sentido clássico.

Obviedades à parte, existem alguns aspectos que acabam por passar imperceptíveis pelos atores não-militares do ecossistema de Defesa e que merecem serem explicitados.

Coordenação operacional.

Na situação mundial atual, caracterizada pela incerteza, mutabilidade e volatilidade das ameaças potenciais, bem como pela presença de novos atores não estatais em possíveis cenários de conflito, em qualquer país, a expressão militar do Poder Nacional deve ser preparada permanentemente, considerando os litígios internacionais atuais e futuros.

Para isso, medidas estratégicas-operacionais devem ser adotadas para que possam responder pronta e adequadamente, antecipando possíveis cenários adversos para a Defesa Nacional.

Neste contexto, o Estado-Nação precisa ter capacidade de se opor às ameaças externas e internas que possam afetar sua soberania, de forma compatível com sua própria dimensão e suas aspirações político-estratégicas no cenário internacional.

Isso permite que o país atinja objetivos estratégicos e preserve seus interesses nacionais, além do exercício do direito de defesa garantido pela Constituição Federal e pela ordem jurídica internacional.

Assim, a Defesa Cibernética deve ser estabelecida como uma atividade fundamental para o sucesso das operações militares em todos os níveis de comando, na medida em que viabiliza o exercício de Comando e Controle, através da proteção de ativos de informação, enquanto permite que o mesmo exercício seja negado ao oponente.

Na condição de atividade especializada, sua execução é baseada em uma concepção sistêmica, com métodos, procedimentos, características e vocabulário que lhe são peculiares.

Operações cibernéticas podem ocorrer estritamente no 5º domínio do campo de batalha ou em coordenação com operações cinéticas nos demais domínios (terrestre, marítimo, aérea e espacial), tendo como exemplo clássico a derrubada do sistema de comunicações na República da Geórgia antes e durante a invasão Russa de 2008, corroborando que ações cinéticas para o auxílio de ações cibernéticas também são possíveis, seja no posicionamento físico de equipamento de inteligência de sinais (SIGINT), seja na engenharia social sobre um alvo.

Encastelamento, só que não.

Hoje, no mundo cibernético ainda não existe um equivalente do que foi a pólvora ou a fissão nuclear no mundo físico. Como resultado, uma estratégia de encastelamento, ou seja, fortificação 100% protetiva na Defesa possui eficácia razoável, retardando o sucesso dos adversários.

Entretanto, de forma equivocada e muitas vezes alimentada pela percepção distorcida dos fornecedores do mundo de Tecnologia da Informação, alguns incorporam uma visão equivocada de que as capacidades de proteção bastam.

Esta percepção é falsa. Assim como no mundo cinético, é importante denegar o meio ao adversário, abater suas plataformas para cessar um ataque ou simplesmente mostrar os músculos com fins de dissuasão.

Não-atribuição de origem.

No domínio cibernético, um ataque minimamente competente não deixa provas definitivas de autoria. A atribuição de origem de ataques na maior parte das vezes é circunstancial, probabilística.

Como exercitar dissuasão em um contexto onde o revide é limitado?

A resposta vem em dois eixos: ações de inteligência, com o objetivo de resolução de alvos e, concomitantemente, um alto poder de contra-ataques, que contrabalanceie, do ponto de vista do adversário, a baixa chance de ser pego. Ou seja, no domínio cibernético, o exercício da dissuasão requer “dentes afiados e olhos aguçados”.

Variedade, não quantidade.

Desenvolver armamento convencional, por exemplo, um míssil ar-ar de 4ª geração, intermediária, envolve investimentos que chegam perto de um R$ 1 bilhão, para uma posterior produção, em baixo volume, de unidades que podem custar na faixa R$ 500 mil.

Prontidão com tal armamento significa mormente, ter a capacidade produtiva local -adquirida via desenvolvimento autóctone ou offset - e um arsenal com número razoável de peças – afinal, 100 unidades de um míssil podem fazer um estrago 100 vezes maior que uma única peça.

Já a lógica dos armamentos cibernéticos é muito diferente: quando feito em série, desenvolver um artefato cibernético pode ser tão barato quanto centenas de milhares de reais ao passo que o seu uso tem custo material zero, caso não haja licenças para terceiros.

Porém, a cada uso, há uma chance razoável que um dado armamento se torne inócuo a medida que a(s) vulnerabilidade(s) que usa torna(m)-se conhecida(s) pelo alvo. Levando-se assim em conta o poder de neutralização, é fácil concluir que uma capacidade ofensiva cibernética tipicamente tem uma relação custo-benefício muito mais favorável que suas contrapartes cinéticas.

Desse modo, no mundo cibernético, prontidão significa desenvolvimento constante de artefatos variados, pois o espaço cibernético não possui limitações físicas de distância e espaço e não tem limites geograficamente definidos, sendo mutável e dependente das condições ambientais e da criatividade do ser humano, onde os efeitos colaterais podem ser incontroláveis, implicando na inexistência de um sistema informático totalmente seguro.

Resumindo, o espaço cibernético é sui generis e dual, uma vez que normalmente há dificuldade de atribuição dos ataques, sem saber se eles são provenientes ou não de ações protagonizadas pelos Estados-Nação.

Discussão

Quem acompanha a mídia, principalmente os canais especializados em tecnologia da informação comentando sobre temas de Defesa, raramente encontrará referências claras às capacidades ofensivas ou armamentos cibernéticos. Entende-se que situações como a do Stuxnet, usado contra instalações nucleares iranianas, parecem exceção, quando à parte do grau específico de sofisticação é comum.

Por outro lado, em Estados-Nação com constituição e histórico pacíficos, onde a Defesa é pensada como elementos de proteção da integridade nacional, com fronteiras bem-definidas, a realidade do mundo cibernético destoa do ideário dissuasório pacifista tradicional.

As principais razões destas divergências estão em torno da imaterialidade de fronteiras físicas e da dificuldade da atribuição de origem de ataques.

Esta lacuna é implicitamente indigesta do ponto de vista político ao passo que o necessário exercício de capacidades ofensivas em tempos de paz extrapola o âmbito militar.

Neste contexto, muitas vezes a realidade objetiva do setor é simplesmente ignorada ou, nos casos menos graves, eufemismos, como “defesa ativa”, são usados.

É fácil perceber como este cenário atrapalha o horizonte estratégico de prontidão autóctone de qualquer país.

Para o Estado-Nação atacante, a Guerra Cibernética pode ser menos dispendiosa, tanto financeira, quanto politicamente, quando não se pode ver o ataque, tornando-se uma alternativa viável e apropriada, de acordo com o cenário prospectivo.

Do ponto de vista defensivo, a ameaça cibernética pode ser considerada mais complexa, dada a diversidade e vulnerabilidades da própria tecnologia. Assim, a adaptação do Estado-Nação para enfrentá-lo deve ser abordada com responsabilidade, flexibilidade, velocidade e visão estratégica, com ênfase em atividades de inteligência e tecnologia da informação.

Não devem ser buscadas pelo Estado-Nação apenas a implementação de novas estruturas cibernéticas no contexto governamental, antes, devem ser incentivadas ações a favor de uma sinergia com outros parceiros, através de regras de compras, contratação e desenvolvimento de produtos e sistemas nas áreas de tecnologia da informação e de inteligência, conhecimento fundamental neste novo domínio operacional da guerra, a cibernética.

O desenvolvimento da Defesa Cibernética no Estado-Nação, portanto, deve aumentar sua capacidade de atuar em uma rede com as agências governamentais, os órgãos públicos e civis, as instituições acadêmicas e a base industrial de defesa, afim de melhorar suas atividades de proteção, exploração e pronta resposta às latentes ameaças cibernéticas de outros Estados-Nação, organizações e, até mesmo, de grupos diversos com as mais variadas motivações.


Dr. Roberto Gallo

Atua desde 1999 na área cibernética. É fundador e diretor executivo da KRYPTUS EED S/A, coordenador do comitê de cibernética da ABIMDE e professor associado da Escola Superior de Guerra da Colômbia. É um laureado do prêmio “Marechal-do-Ar Casimiro Montenegro Filho” da Presidência da República do Brasil por sua tese de doutorado na área Cibernética.


General-de-Divisão da Reserva Paulo Sergio Melo de Carvalho

Foi Chefe do Centro de Defesa Cibernética, responsável pela realização de atividades colaborativas e de integração no Sistema Militar de Defesa Cibernética, de março de 2014 a abril de 2016, e o primeiro Comandante do Comando de Defesa Cibernética. Atualmente, trabalha como consultor no setor cibernético, atuando no Projeto da FAPESP Rede Acadêmica do Estado de São Paulo (Rede ANSP) e assessorando empresas, bem como é professor associado da Escola Superior de Guerra da Colômbia.

27 de Fevereiro, 2018 - 13:25 ( Brasília )
http://www.defesanet.com.br/cyberwar/noticia/28533/Defesa-Cibernetica-Exige-Desenvolvimento-de-Capacidades-Ofensivas/

sábado, 24 de fevereiro de 2018

OS DOIS NOVOS NOMES DA INTERVENÇÃO, por Gerson Gomes no Facebok


O Gen Braga Netto, interventor federal na Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro (que manteve suas atribuições de Comandante de todas as tropas do Exército no ES, MG e RJ), escolheu os dois Generais que implementarão, com dedicação exclusiva, seu plano de intervenção: o General de Divisão SINOTT e o Gen de Brigada RICHARD (que receberá sua terceira estrela no próximo dia 31 de março, sendo promovido também a General de Divisão).
O interventor, dessa forma, age simultaneamente em duas importantes frentes, atuando sobre causas e consequências da crise.

O Gen Sinott, um Força Especial, profundo conhecedor das facções e milícias que agem no ambiente urbano carioca, dispensa qualquer apresentação de credenciais para chefiar as operações que integrarão diversificados meios federais e estaduais. Seu trabalho, utilizando a excelente estrutura de comando e controle deixada como legado dos Jogos Olímpicos, naturalmente atrairá a atenção dos principais veículos jornalísticos. Serão produzidas dezenas de notas à imprensa, explicando o uso tático de helicópteros, blindados de transporte de tropas, unidades de forças especiais, guerra eletrônica, operações psicológicas, técnicas de contra-terrorismo adaptadas ao contexto do Rio, uso massivo de operações de inteligência, integração do Ministério Público às Operações, etc. Não tenho a menor dúvida de que o Gen Sinott será bem sucedido.

Gostaria de ressaltar, no entanto, o enorme desafio do segundo oficial general, que assumirá a Secretaria de Segurança Pública. O General Richard terá dez meses para erigir um legado institucional mínimo, a ser deixado pelo interventor federal para o Estado do Rio de Janeiro. Se não for bem sucedido na missão recebida, todo o esforço e conquistas do Gen Sinott serão desfeitos em poucos meses.
O novo Secretário de Segurança deverá submeter ao Gen Braga Netto, para nomeação, os nomes do Comandante da PM, do Chefe da Polícia Civil, do Comandante do Corpo de Bombeiros e, creio, também do Secretário de Administração Penitenciária. Para tal, buscará profissionais capazes de indicar soluções para a atual crise e que apoiem o trabalho necessário das corregedorias. O Gen Richard se deparará, por exemplo, com nomeações políticas de alguns comandantes de batalhão e delegados em redutos eleitorais de deputados da ALERJ (com reflexos na maior, ou menor, ação de combate aos ilícitos perpetrados por apoiadores financeiros de campanhas eleitorais). Existem conexões entre o poder político e o crime organizado, que lamentavelmente perpassam os órgãos de segurança pública do Rio.

A falta de integração entre as polícias (que sofrem igualmente com condições precárias de trabalho e salários atrasados), convive com uma estrutura gigantesca e pesada na secretaria que o General assumirá. É a maior, mais cara e disfuncional Secretaria de Segurança do país! São mais de 800 PM desviados de suas funções e lotados nessa superestrutura (fora os policias civis). O órgão, tipicamente de coordenação, avocou para si muito do trabalho que deveria ser feito pelas polícias. Pouca gente sabe, mas ao ligar para o 190, no Rio de Janeiro, você não falará com a PM. Será atendido pela Secretaria de Segurança Pública.

O Gen Richard, sob uma ótica técnica, poderá elucidar se o número de policias no Rio é suficiente e se está devidamente distribuído. Aproximadamente 38.000 homens fardados integram a PM. Um pouco menos que 10.000 são os policiais civis. Estão compatíveis esses números? Mais de 3.000 policiais militares, bombeiros e policiais civis estão “emprestados”, a serviço da segurança pessoal e patrimonial de integrantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Dos 39 Batalhões, 35 estão com déficit em seu número de policiais, em contrapartida, o número de PM cedidos a outros órgãos estaduais ultrapassa os 2.000 homens (o que seria suficiente para criar 5 novos batalhões).
O General Richard precisará fomentar rapidamente a integração maior entre as polícias do Rio. A desconfiança recíproca entre as corporações toma contornos que vão da redundância (como o trabalho da CORE X BOPE) à quase sabotagem na troca de dados de Inteligência. Se quem investiga não patrulha e quem patrulha não investiga, essa falta de harmonia é fatal.

A experiência do Haiti é recorrentemente evocada. Poucos mencionam, entretanto, como foi construída a estabilidade que permitiu nossa saída exitosa daquela ilha caribenha. Em toda a história da ONU, nunca um único país foi mantido à frente dos militares de uma missão de paz, sem alternância com os demais países contribuintes com tropa. Por que isso ocorreu na MINUSTAH? Dentre outros motivos, elenco um: a invulgar visão estratégica dos nossos generais designados para a missão. Os Force Commanders brasileiros se destacaram por seu trabalho em prol do restabelecimento do protagonismo do povo haitiano. Sabiam da importância das eleições que reedificaram o parlamento e o Poder Executivo. Trabalharam com afinco (e muita paciência) para a reconstrução da PNH (Polícia Nacional Haitiana), tratando as inúmeras agências da ONU interessadas (Rule of Law, Pollitical Affairs, etc.) com elevada consideração.

Enquanto as tropas forneciam a segurança, uma escola de magistratura foi criada e dezenas de juízes haitianos foram designados para mobiliar uma estrutura da Justiça próxima da população. Ao mesmo tempo, a Academia de Polícia foi reativada e ampliada, permitindo a formação anual de centenas de agentes que assumiram, paulatinamente, o controle de fronteiras, portos, aeroportos, guarda costeira, delegacias policiais nos bairros, etc.

Com esse paralelo estabelecido, regresso ao caso do Rio. O interventor, de forma semelhante, atribuiu ao Gen Richard a missão de ajustar a parte da máquina estatal que estará sob sua responsabilidade, com vistas à retirada das tropas, em janeiro de 2019.
Observe atentamente as 4 fotos que ilustram esta publicação e estabeleça o nexo causal entre elas.
O desafio para ambos os Generais será enorme. Um lidará com a neutralização de bandidos armados de fuzis, no meio da população. O outro, enfrentará os efeitos deletérios de décadas de gestão comprometida por poderosos malfeitores munidos de caneta.

https://www.facebook.com/gerson.gomes.5/posts/10211242499005145