quinta-feira, 5 de março de 2015

O REI ESTÁ NU - Cel R1 Inf Joau

Após trabalhar por trinta e cinco anos, resolvi alisar os bancos universitários, mais uma vez, seguindo os ditames da humildade, a nos alertar que é sempre tempo de aprender. Minha experiência e o meu cérebro azeitado pelas inúmeras crises enfrentadas nas lutas da vida, transformaram-me em bom observador, aluno interessado, facilitando a minha adaptação ao convívio diário com a adolescência, cuja experiência é rejuvenescedora. A faculdade tem me feito refletir acerca do ser humano. Tenho conhecido jovens que teria orgulho de que fossem meus filhos, pela educação e o seu preparo intelectual.


Tenho, contudo, me defrontado com mediocridades e estultices tamanhas de alguns alunos, o que me traz à reflexão o que acontece no Brasil de hoje. Ao invés de assistirem às aulas, vão matar o tempo no Diretório Acadêmico, buscando realizar alianças e ocupar cargos nas eleições que anualmente se realizam. Eles nada fazem. Os professores e coordenadores têm receio de contestá-los, de lhes chamar a atenção, de lhes dar falta às classes, sob pena de serem demitidos, já que esses alunos representam o corpo discente e têm acesso livre à Reitoria, que os considera politicamente corretos. Eles são os patrulheiros do pensamento estudantil.


Em alguns anos, envergarão orgulhosos o tão sonhado diploma, farão fisionomia de intelectuais, mas a sua essência profissional é tão consistente quanto um saco plástico inflado. Essas criaturas não estão interessadas em ser bons profissionais no futuro porque no fundo conhecem as suas limitações, ou porque em verdade almejam outros propósitos. Assim, buscam estabelecer estratégias para escamotear a sua triste realidade como seres humanos não aclimatados à realidade da vida, acostumados a se reconhecerem recôndita e inconscientemente como “perdedores”.
Sob a égide de uma pretensa virtude que acalentam ter, mas que no fundo sabem que não a possui, criam bandeiras legítimas para serem reconhecidos e assim tentar mitigar a pobreza existente no seu conteúdo psíquico, residência de complexos de inferioridade e fortes esquemas de incapacidade. É assim que a mediocridade e a preguiça ganham fama.


Daqui a alguns anos essa realidade não irá mudar. Esses colegas, por só saberem fazer o que fazem no presente, estarão com as mesmas bandeiras democráticas da tal pretensa virtude, professando o que não praticam, querendo ganhar um lugar ao sol, praticando o costume de afirmar meias-verdades para obter destaque social. Não aprenderam nada e acreditam que a realização de suas vidas será a de levar vantagem sobre esses colegas que, com sua dedicação e com o seu compromisso de servir os humilham. Essa é a anatomia da maioria dos políticos de hoje, com as exceções que confirmam a assertiva. Brasília é a mãe-pátria dessa gente e se transformou em um balcão de negócios.


Os meus jovens colegas vão seguir os passos trilhados por essa galera de Brasília, que assaltou e assalta a República, utilizando-se do serviço público e da política; e que cometeram e cometem diariamente o crime de lesa-pátria, quando vilipendiam e aviltam instituições com o único propósito de se perpetuarem no poder. Vociferam palavras de ordem acerca de justiça social, para, em um segundo momento se recolher nos feriadões em seus condomínios fechados e banhados por mar calmo, no qual navegam languidamente em caiaques e pranchas de stand up paddle.


Testemunho diariamente o sacrifício dos meus distintos professores universitários, que passaram a vida dedicando-se aos estudos, por horas e noites a fio, para comandar uma sala de aula de cerca de quarenta alunos, e, ao mesmo tempo, vejo medíocres e irresponsáveis sem qualificação ética alguma, assaltando os cofres públicos, construindo literalmente piscinas de dinheiro. Nessas horas sinto uma imensa tristeza quanto ao futuro do Brasil. Um país com o seu potencial sendo sistematicamente tragado por essa horda de bárbaros mal intencionados.
São esses infelizes que hoje resolvem irresponsavelmente dar ao cidadão comum com uma mão o bônus na conta da luz, a mobília, a casa própria, além de reduzir impostos, para com a outra mão ameaçar retirar esses benefícios, caso nós, reféns, saiamos do seu curral eleitoral, já que eles são os “mocinhos”, enquanto que seus opositores, por serem conservadores, por pensarem de forma diferente, são os fascistas, os cruéis, os “bandidos”.


Estão tão ensimesmados na sua saga de perpetuação no poder que esqueceram que na administração pública milagres não existem. A tão falada tempestade perfeita tem como ingrediente o não investimento em infraestrutura e os gastos demagógicos e popularescos. Não esqueçamos o que acontece hoje na Venezuela e seu governo esquizofrênico.
Ah! Mas, criar infraestrutura exige visão de futuro, estratégias bem delineadas e isso dá trabalho. Melhor é contratar marqueteiros. Assim, de forma arrogante e sem debate, nos mandam tirar o acento dos ditongos abertos nas paroxítonas e outros babados gramaticais; nos mandam trocar a tomada de dois pinos; resolvem “doar” dinheiro a nações-amigas (deles); recebem refugiados e terroristas de qualquer país de braços abertos; decidem quebrar o conceito secular de estado soberano, firmando acordos internacionais para a criação de uma América Latina sem fronteiras; e nos forçam a trocar o extintor de incêndio do carro, sem a avaliação, explicação e divulgação necessárias, tudo sob a égide da meia-verdade e da filosofia do politicamente correto. Somos surpreendidos diariamente com arbitrárias novidades.


O seu grau de narcisismo e perversão os impede de pensar comunitariamente. Estão tão preocupados com os seus próprios umbigos, com seu megalomaníaco projeto de poder, que não conseguem dirigir seus esforços para o bem-comum. Estão acomodados e seguem o bloco do “quanto pior melhor”. A usura dessas pessoas as impede de enxergar que:
- incendiar ônibus e explodir terminais bancários é terrorismo, e como tal, deve ser enquadrado em lei rigorosa;
- um país no qual 500.000 dos seus estudantes, em exame nacional, obtêm a nota zero, é um país onde a Educação fracassou;
- um país no qual o seu Poder Judiciário não pode escolher os seus próprios ministros da mais alta corte, joga por terra os princípios mais elementares do sistema de pesos e contra pesos preconizados por Montesquieu;
- um país no qual o sistema prisional deixa que os próprios internos realizem seus julgamentos, culminando com a degola do “réu”; onde criminosos festejam suas pobres alegrias despejando continuamente milhares de balas por cerca de um minuto sobre a alarmada cidade, está longe de ser signatário de qualquer acordo referente aos Direitos Humanos.
- um país no qual o Regime de Progressão da Pena em vigor contempla criminosos com a sua liberdade muito antes do tempo constante da sentença exarada pelo magistrado, faz com que o crime grasse de forma exponencial;
Tudo isso reflete o modus vivendi de uma sociedade que aprendeu com esses medíocres alunos de antanho que hoje conduzem o País, que os Direitos estão acima dos Deveres; que não é necessário plantar para poder colher; que “Deus é brasileiro” e no final vai dar tudo certo, entre outras asneiras.


Lamentavelmente, os movimentos sociais de junho de 2013, que emergiram no seio da sociedade, foram vencidos pelo conluio dos velhos alunos medíocres com esses novos a que eu me referi no início do texto, que intimidaram a Família brasileira com a sua sanha indomável, materializando nas bordunas e nos coquetéis molotov a rebeldia de suas almas atormentadas. E alguns inocentes úteis ainda foram questionar se era legal usar ou não usar máscaras... pasmem. Venceu a barbárie.


A sociedade que conheço, e que faz parte do meu mundo, é composta de gente trabalhadora de verdade, que sai de madrugada para ir ao labor e retorna à noite, cansada, mas com a consciência do dever cumprido. Essas pessoas de bem precisam abrir os olhos e atestar que “o rei está nu”, como registra a fábula, e valorizar vozes solitárias que nos representam como o nosso “Batman de Toga”, que se recolheu para o merecido descanso. Precisamos de outros exemplos. Contudo, são essas pessoas que essas vozes pequenas tentam desqualificar para que as suas chagas morais não apareçam.


Alguém tem que mostrar a esses criminosos que, como preconiza Galbraith, “governar com competência é ter que decidir entre o desagradável e o desastroso”, por isso mesmo é atividade para profissionais, aqueles que não faltavam aulas na universidade, e não para aproveitadores e oportunistas de plantão.
Felizmente, ainda existem no Brasil instituições saudáveis, como o Ministério Público, a Polícia Federal, a Imprensa e as Forças Armadas, que não podem ser contaminadas, sob pena do pêndulo dialético que rege o universo pender para a sombra do atraso civilizatório, como aconteceu na Idade Média e que acontece em algumas nações.


Para terminar esse desabafo, quero deixar a síntese do pensamento de um filósofo austríaco de nascimento chamado Karl Popper, que chamou de “paradoxo da tolerância”, como forma de estímulo aos homens de Bem do nosso pobre País, investidos de autoridade e espírito de mudança:
“Se os tolerantes forem tolerantes com os intolerantes, eles serão aniquilados, e com eles a tolerância”.
JOAU
recebido por e-mail do Ariel em 5 Mar 2015 - arielmartim@gmail.com

domingo, 1 de março de 2015

O texto ganhou mesmo a web - por Sheila Morello

Um ano, 52 semanas, 365 dias... 
Há exatamente um ano, eu não uso mais farda. Não faço mais o habitual coque, nem pinto as unhas de branquinho. 
Há um ano, não entro mais em forma embaixo de sol. Nem preciso ser superior ao tempo quando começa a chover. 
Para minha felicidade, há um ano não faço TAF (Treinamento Físico Militar). Corro só quando tenho vontade. Mas, para minha tristeza, também não faço TAT (Teste de Aptidão ao Tiro) e sinto muita falta dele. 
Há um ano, paquero de longe o PDC (Palácio Duque de Caxias, no RJ) quando passo em frente a ele. Isso acontece todos os dias, de segunda a sexta, de manhã e à noite.
Há um ano, não ando mais em viatura, mas continuo usando (e muito) jargões de miliquês. 
Há um ano, não participo de operações, nem de ações cívicas sociais, nem de solenidades militares.
Há um ano, não ouço o som do bumbo... Aquele que nos diz que devemos colocar o pé direito no chão, enquanto desfilamos. 
Há um ano, não presto continência, nem sou chamada de "senhora". Era tão estranho ser chamada de senhora aos 24 anos... 
Eu era uma menina quando ingressei nas fileiras do Exército Brasileiro. Não sabia nada da vida castrense. Não sabia nem que iria usar farda. De cara, odiei. Depois, me apaixonei. E a paixão virou amor, daqueles que nunca morrem. 
Durante o último ano, só tive coragem de voltar ao PDC uma vez. E derramei lágrimas sem fim com cada amigo que encontrava nos corredores. 
Talvez seja complicado para um civil entender. Mas ser militar é muito mais que ter um emprego. É ter uma família, uma segunda casa, lições de vida e amizades duradouras. É compartilhar valores, perrengues, missões, tradições. É multiplicar companheirismo, cumplicidade, camaradagem. É entender o significado literal de "servir". É superar limitações e se orgulhar muito disso. Só entende quem passa por isso. Aliás, só entende mesmo quem "vivencia" isso. 
Há um ano, eu me preparava para um dos dias mais emblemáticos da minha vida: o dia de deixar a caserna. Por mais que, desde 2006, eu soubesse que este dia chegaria e até tenha tentado me preparar para ele, confesso que não estava preparada. Doeu como se estivesse me despedindo de um grande amor. E estava.
Ainda atendo o telefone no ímpeto de dizer "Assessoria de Imprensa do Comando Militar do Leste". Ainda penso nas histórias do fim de semana que vou contar para as minhas companheiras. Ainda lembro e celebro as datas festivas do calendário do Exército. Ainda conto as experiências vividas, como se tivessem acontecido na semana passada. Ainda lembro da formatura mensal e revivo na memória, com lágrimas nos olhos, a última vez que entrei em forma no Dia da Bandeira de 2013. Por mais incrível que possa parecer (milicos entenderão), minha família também lembra e revive muitas coisas comigo. 
Ah! Como sinto saudades... Saudade daquela camaradagem. Saudade das missões. Saudade de me arrepiar em forma, ao som da Canção do Expedicionário. Saudade da minha farda. Saudade de ser a Tenente Sheila. Não pela patente, pois quem me conhece, sabe que nunca me vali dela, mas pelo orgulho de ser uma Oficial do Exército Brasileiro. Continuo sendo uma Oficial do nosso glorioso EcoBravo, mas agora componho a reserva atenta e forte. Saudades...
O tempo passou tão rápido e eu agradeço a Deus TODOS OS DIAS pela manifestação da graça superabundante Dele em minha vida. Pelos novos desafios que Ele me tem dado, pelos novos aprendizados, pelas oportunidades e conquistas diárias. Sou muito feliz pela oportunidade ímpar que estou vivendo hoje. Tenho muito orgulho de fazer parte de um projeto tão expressivo para o nosso país. Peço a Deus que me abençoe e me capacite para que eu possa somar e dar sempre o melhor de mim no meu trabalho. 
Contudo, saudade é algo que não controlamos. Às vezes, nem ao menos sabemos explicá-la direito. Mas, na minha opinião, saudade é a confirmação de que algo que vivenciamos valeu a pena. Integrar o Exército valeu muito a pena. Foi muito mais que uma experiência de emprego, foi uma escola de vida, da qual - hoje - trago comigo os melhores ensinamentos. 
Ao Exército Brasileiro, minha continência, meu reconhecimento, meu eterno respeito, admiração e amor.
Brasil acima de tudo!
publicado no Facebook em 1º Mar 2015 e comentou na sua pág: "Só posso agradecer a Deus pela oportunidade que Ele me deu de ingressar no Exército e por ver meu texto repercutindo deste jeito. Não sou a única a sentir saudades do bumbo no pé direito, dos toques de corneta, das missões... Delícia receber tantas mensagens lindas!!! 
Obrigada mesmo, de coração!!!" Sheila Morello, oficial da reserva

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Brasil acima de tudo! por Frederico Caldato W.*



". . . A propósito, as pessoas especiais são feitas de carne e osso comum. O que as torna especiais são suas atitudes.

Sinto que vivemos um momento social grave. Eu intimamente temo pelo futuro do nosso país. Não se trata do momento político, ou sequer de tribulações eventuais. Mas o empalidecimento paulatino e continuado dos valores que sustentam uma nação. Irresponsáveis e malfeitores fazem grassar a miséria humana; e boa parte do resto da sociedade assiste estoicamente, como se fosse tudo normal!? Onde é que vamos parar?

E nos quartéis? Na sociedade de hoje, que muito clama pelos direitos, mas não tem nenhum compromisso com os deveres; está cada dia mais difícil sustentar os alicerces da hierarquia e da disciplina. De onde iremos tirar a têmpera dos nossos futuros soldados?

Não consigo compreender como é que uma sociedade, ou parte dela, vira as costas para aqueles que têm a missão de a defender. Somente interesses escusos podem explicar a orquestração que se faz contra as Forças Armadas, no Brasil. Não obstante essa ameaça, confio no Exército de Caxias e tenho a certeza de que ele não é subserviente a interesses menores. Não é e nem será um coletivo de acanhados. Quando for necessário e oportuno - tenho fé! - a tropa verde-oliva
entregará à sociedade a resposta que ela precisa e merece . . ."

Sem falsa modéstia, ou afetação, entendo que somos os guardiões dos tesouros intangíveis da pátria. Quando juramos defendê-la com o sacrifício da própria vida, sabíamos da existência do inimigo interno. Sejamos coerentes e conscientes, agora. Convido-os a uma reflexão, isenta e com serenidade; mas não percamos o foco.

Naquele dia, minha fala se encerrou assim:

" . . . Quando digo: Brasil acima de tudo! olho para o alto e pressinto as mãos do CRIADOR. A ELE agradeço incondicionalmente esta aventura, e todas as venturas de que sou credor.

Finalmente me cabe dizer:

Combati o bom combate, completei a carreira, guardei minha fé! (TIMÓTEO 4:7)

Muito obrigado!"

Wutke 
*(Coronel de Comunicações R1, da Turma de 1980)

(recebido por e-mail em 25/10/14, com o título Momento grave - para reflexão)

DISCURSO DO PRESIDENTE DA COSTA RICA...

... QUE MERECE SER LIDO E REFLETIDO
 Discurso proferido na presença de presidentes latino-americanos, incluído o do Equador, Corrêa, abaixo nominalmente citado.

 Palavras do Presidente Oscar Arias da Costa Rica na Cúpula das Américas em Trinidad e Tobago, 18 de abril de 2009:

 "Tenho a impressão de que cada vez que os países caribenhos e latino-americanos se reúnem com o presidente dos Estados Unidos da América, é para pedir-lhe coisas ou para reclamar coisas. Quase sempre, é para culpar os Estados Unidos de nossos males passados, presentes e futuros. Não creio que isso seja de todo justo.
 Não podemos esquecer que a América Latina teve universidades antes que os Estados Unidos criassem Harvard e William & Mary, que são as primeiras universidades desse país.
 Não podemos esquecer que nesse continente, como no mundo inteiro, pelo menos até 1750 todos os americanos eram mais ou menos iguais: todos eram pobres.
 Ao aparecer a Revolução Industrial na Inglaterra, outros países sobem nesse vagão: Alemanha, França, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e aqui a Revolução Industrial passou pela América Latina como um cometa, e não nos demos conta.
 Certamente perdemos a oportunidade.
 Há também uma diferença muito grande. Lendo a história da América Latina, comparada com a história dos Estados Unidos, compreende-se que a América Latina não teve um John Winthrop espanhol, nem português, que viesse com a Bíblia em sua mão disposto a construir uma Cidade sobre uma Colina, uma cidade que brilhasse, como foi a pretensão dos peregrinos que chegaram aos Estados Unidos.
 Faz 50 anos, o México era mais rico que Portugal. Em 1950, um país como o Brasil tinha uma renda per capita mais elevada que o da Coréia do Sul. Faz 60 anos, Honduras tinha mais riqueza per capita que Cingapura, e hoje Cingapura em questão de 35 a 40 anos é um país com $40.000 de renda anual por habitante. Bem, algo nós fizemos mal, os latino-americanos.
 Que fizemos errado? Nem posso enumerar todas as coisas que fizemos mal. Para começar, temos uma escolaridade de 7 anos.
 Essa é a escolaridade média da América Latina e não é o caso da maioria dos países asiáticos. Certamente não é o caso de países como Estados Unidos e Canadá, com a melhor educação do mundo, similar a dos europeus. De cada 10 estudantes que ingressam no nível secundário na América Latina, em alguns países, só um termina esse nível secundário.
 Há países que têm uma mortalidade infantil de 50 crianças por cada mil, quando a média nos países asiáticos mais avançados é de 8, 9 ou 10.
 Nós temos países onde a carga tributária é de 12% do produto interno bruto e não é responsabilidade de ninguém, exceto nossa, que não cobremos dinheiro das pessoas mais ricas dos nossos países. Ninguém tem a culpa disso, a não ser nós mesmos.
 Em 1950, cada cidadão norte-americano era quatro vezes mais rico que um cidadão latino-americano. Hoje em dia, um cidadão norte-americano é 10, 15 ou 20 vezes mais rico que um latino-americano. Isso não é culpa dos Estados Unidos, é culpa nossa.
 No meu pronunciamento me referi a um fato que para mim é grotesco e que somente demonstra que o sistema de valores do século XX, que parece ser o que estamos pondo em prática também no século XXI, é um sistema de valores equivocado.
 Porque não pode ser que o mundo rico dedique 100.000 milhões de dólares para aliviar a pobreza dos 80% da população do mundo "num planeta que tem 2.500 milhões de seres humanos com uma renda de $2 por dia" e que gaste 13 vezes mais ($1.300.000.000.000) em armas e soldados.
 Como disse esta manhã, não pode ser que a América Latina gaste $50.000* milhões em armas e soldados.
 Eu me pergunto: quem é o nosso inimigo?
 Nosso inimigo, presidente Correa, desta desigualdade que o Sr. aponta com muita razão, é a falta de educação; é o analfabetismo;
 é que não gastamos na saúde de nosso povo; que não criamos a infra-estruturar necessária, as estradas, os portos, os aeroportos; que não estamos dedicando os recursos necessários para deter a degradação do meio ambiente; é a desigualdade que temos que nos envergonhar realmente; é produto, entre muitas outras coisas, de que não estamos educando nossos filhos e nossas filhas.
 Vá alguém a uma universidade latino-americana e parece no entanto que estamos nos sessenta, setenta ou oitenta.
> Parece que nos esquecemos de que em 9 de novembro de 1989 aconteceu algo de muito importante, ao cair o Muro de Berlim, e que o mundo mudou. Temos que aceitar que este é um mundo diferente, e nisso francamente penso que os acadêmicos, que toda gente pensante, que todos os economistas, que todos os historiadores, quase concordam que o século XXI é um século dos asiáticos não dos latino-americanos.
 E eu, lamentavelmente, concordo com eles. Porque enquanto nós continuamos discutindo sobre ideologias, continuamos discutindo sobre todos os "ismos" (qual é o melhor? capitalismo, socialismo, comunismo, liberalismo, neoliberalismo, socialcristianismo...) os asiáticos encontraram um "ismo" muito realista para o século XXI e o final do século XX, que é o pragmatismo.
 Para só citar um exemplo, recordemos que quando Deng Xiaoping visitou Cingapura e a Coréia do Sul, depois de ter-se dado conta de que seus próprios vizinhos estavam enriquecendo de uma maneira muito acelerada, regressou a Pequim e disse aos velhos camaradas maoístas que o haviam acompanhado na Grande Marcha: "Bem, a verdade, queridos camaradas, é que a mim não importa se o gato é branco ou negro, só o que me interessa é que cace ratos".
 E se Mao estivesse vivo, teria morrido de novo quando disse que "a verdade é que enriquecer é glorioso".
 E enquanto os chineses fazem isso, e desde 1979 até hoje crescem a 11%, 12% ou 13%, e tiraram 300 milhões de habitantes da pobreza, nós continuamos discutindo sobre ideologias que devíamos ter enterrado há muito tempo atrás.
 A boa notícia é que isto Deng Xiaoping o conseguiu quando tinha 74 anos.
 Olhando em volta, queridos presidentes, não vejo ninguém que esteja perto dos 74 anos.
 Por isso só lhes peço que não esperemos completá-los para fazer as mudanças que temos que fazer.
 Muchas gracias."
(recebido por e-mail na CONSIC, em 22 Fev 15, de Evandro Hora)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Prezado Caramuru - por Gen Heleno


A respeito do Gen Montezuma, gostaria de fazer alguns comentários. Se quiser, pode divulgar.
Quando voltei da Missão Militar Brasileira de Instrução no Paraguai (MMBIP), fui classificado na Diretoria de Assuntos Culturais, Educação Física e Desportos.
O Diretor era o Gen Montezuma. A Diretoria, por ser no Rio de Janeiro e por suas atividades, era muito "piruada". Ele escolhia a dedo quem ia para lá. Como a minha transferência foi feita pelo Gab Min, sem consultá-lo, ele se surpreendeu. Não me conhecia e resolveu perguntar quem eu era. Foi informado de que eu era um bom oficial, com um respeitável currículo escolar, mas não ficou convencido. Comentou com seu jeito característico: "esse negócio de ser bom não me enche os olhos, quero saber é o psicossocial". Ou seja, se eu iria somar alguma coisa no excelente ambiente da DACED ou se era "metido a Zé Mané".
Cheguei, "na minha", seguindo a velha regra de "pato novo não dá mergulho fundo" e graças à dupla de vôlei fiz uma rápida aproximação com ele. Jogávamos quase diariamente, na EsEFEx, OM subordinada. Normalmente, nos enfrentávamos, porque o parceiro preferido dele era o então TC Pina, à época o melhor jogador das FA, a quem ele carinhosamente chamava de "number nine", por conta do número da camisa do Pina na seleção das FA. Eu jogava com o Sgt Aguiar, excelente militar e ótimo jogador. Outros assuntos profissionais, o Mengão e as peladas de fim de semana na famosa rede do Forte de Copacabana, no Posto Seis, nos entrosaram ainda mais e eu virei "peixe". Mantive a amizade com ele ao longo da vida, aliás fazendo jus a uma afirmação habitual de seus discursos: "minhas grandes amizades eu fiz nas quatro linhas".
O Gen Montezuma era um chefe querido dos subordinados. Uma pessoa formidável. Desportista, de bem com a vida, gozador, flamenguista doente, fumante de charuto, bom de copo, enriquecia qualquer ambiente com sua alegria, sua risada inconfundível e seu poder de aglutinar. Quando se juntava com o Cel Wenceslau Malta (outra perda irreparável) agitava a praia inteira. Foi chefe de torcida, corredor de 100 metros e goleiro do time da AMAN. Este último predicado, segundo ele, lhe conferiu o apelido de "El Gato". Os mais próximos insinuavam, com respeitosa ironia, que o "El Gato" persistia nas quadras, em alusão às "garfadinhas" bem humoradas que ele dava nas "quatro linhas".
Se jogarem duplas nas canchas do além, ele, a essa altura, já estará aquecendo para entrar em campo. Por sinal, Gen Montezuma, Cel Malta, Damazio (Everest) e Gen Erar darão sempre um bom jogo, com muita discussão durante, muita risada depois e vários Santos assistindo e torcendo.
Forte abraço
Heleno

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Espionagem cibernética por Ryan Sherstobitof


Os ataques de espionagem cibernética serão cada vez mais frequentes.

Atacantes de longa data tornar-se-ão coletores mais discretos de

informações, enquanto os novatos procurarão maneiras de roubar

dinheiro e prejudicar seus adversários.

Governos de países pequenos e grupos terroristas estrangeiros entrarão no

espaço cibernético para fazer guerra contra seus inimigos. Eles farão isso

lançando ataques de negação de serviço distribuídos e incapacitantes ou

utilizando um malware que elimine o registro mestre de inicialização para

destruir as redes de seus inimigos. Ao mesmo tempo, espiões cibernéticos mais

experientes implementarão métodos melhores para permanecerem ocultos na

rede da vítima, utilizando tecnologias de ocultação melhores e mais sofisticadas

e outros meios de se manterem abaixo do sistema operacional e fora de vista.

Particularmente, o McAfee Labs tem testemunhado criminosos cibernéticos do

Leste Europeu migrando de ataques rápidos e diretos a credenciais de clientes de

instituições financeiras (o que resulta em roubo financeiro) para uma abordagem

mais sofisticada de ameaça persistente avançada (APT), na qual coletam

uma inteligência que podem vender ou utilizar posteriormente. Dessa forma,

os criminosos estão começando a se assemelhar e a agir como sofisticados

espiões cibernéticos a serviço de governos, os quais observam e aguardam

para coletar inteligência.

Uma abordagem semelhante começou a surgir no setor de varejo. Muitos varejistas

atualmente criam perfis detalhados de seus clientes — incluindo hábitos de

consumo e produtos de interesse, histórico de crédito, histórico de localização,

dados de contato e mais. Além disso, planos estratégicos, operacionais

e financeiros de varejistas bem-sucedidos podem ser de grande valia para

o comprador certo. Alguns criminosos cibernéticos parecem estar adotando

uma abordagem de espionagem cibernética com base em APTs para infiltrarem

sistemas de varejistas, dos quais coletam sub-repticiamente inteligência além

de informações de cartões de crédito para vender a quem pagar mais.

– Ryan Sherstobitof
Previsões do McAfee Labs sobre ameaças em 2015

Malware além do Windows por Craig Schmugar


Haverá uma explosão em ataques de malware não voltados para
Windows, alimentados pela vulnerabilidade Shellshock.
Durante o segundo semestre de 2014, conhecemos a vulnerabilidade
Shellshock: uma fraqueza do Bash, um shell de comando encontrado em
máquinas Unix, Linux e OS X. Ela permite que um atacante execute comandos
arbitrários na máquina da vítima, o que a torna o tipo mais perigoso de
vulnerabilidade — avaliado como nível dez (em uma escala até dez) pelo
National Vulnerability Database dos EUA.
As implicações dessa vulnerabilidade recém-descoberta serão sentidas durante
anos. Muitos e muitos dispositivos, como roteadores, TVs, controladores
industriais, sistemas de voo e infraestruturas críticas executam alguma forma
de Unix ou Linux. Estamos apenas começando a compreender o escopo
dessa vulnerabilidade.
Esse vetor de ataque será o ponto de entrada para infraestruturas tão diversas
quanto eletrodomésticos e corporações que dependem intensamente
de sistemas não Windows. Como resultado, esperamos ver um aumento
significativo em malware não Windows durante 2015, à medida que os
atacantes buscarem capitalizar com vazamento de dados, pedidos de resgate de
sistemas, assimilação de bots de spam e outras manobras ilícitas. O Shellshock
ficará em evidência quando os atacantes explorarem dispositivos vulneráveis,
novos e antigos, para realizar seus ataques.
– Craig Schmugar
Previsões do McAfee Labs sobre ameaças em 2015