quinta-feira, 16 de maio de 2019

Exposição DMCEI 14 Jun 00, por Gen Leslie




 ASSUNTO: Portaria 100-Res EME, de 06 Dez 78




OBJETIVO: Sensibilizar o EME da necessidade de atualizar-se a Port 100.



03

SUMÁRIO 1 - Apresentação da portaria








04
A Portaria 100 descreve as Características Operacionais do Material Rádio do SISTAC, definindo 9 (nove) grupos segundo a Potência, Alcance e Escalão a que se destina o Equipamento Rádio,







05 e 06



Inclui o radio teletipo e o posto de Integração Rádio-Fio.





07 a 15



Além do grupo, que é identificado por numeral, os Eqp podem ser:



Portáteis; Veiculares, para Blindados, versão Dupla e Auxiliares;


Modulados em Frequência ou Amplitude; (*) folha em anexo- resumo Gp Rad DMCEI


Os Gp Rad segundo seu alcance e emprego :















16









SUMÁRIO 2


Análise da Port

17

A Port 100 é uma diretriz muito bem idealizada que facilitou o planejamento para aquisição e distribuição dos Eqp, prevendo inclusive o Gp 9 onde se enquadram todos os Eqp que fogem às especificações citadas.



18

A possibilidade de substituírem-se os módulos e a facilidade de Mnt, função de um mesmo RY (receptor-transmissor) ser associado a amplificadores, são grandes vantagens da filosofia de FAMÍLIAS-rádio empregada. Porém...







19







Os equipamentos militares devem a tender às mais diversas Condições Doutrinárias Operacionais impostas pelo ambiente (condicionantes mecânicas, biológicas, químicas e nucleares) o que encarecem seu custo quando comparado aos similares comerciais (de uso civil).




20



Apesar das IG 20-12 (CICLO DE VIDA DOS MATERIAIS DE EMPREGO MILITAR) preverem a modernização dos MEM existentes e o desenvolvimento de novos MEM,







21, 22



o número de Eqp em falta nos QDM das Unidades e Subunidades tem aumentado porque a taxa de mortalidade dos componentes cresce em função do tempo de uso e não há aquisições correspondentes para reposição destes materiais. (*) Verificar folha do anexo- situação do Mat Campanha (*** milhões)


23

A Port 100 tornou-se REFERÊNCIA para a implementação das CONDOP e ROB dos Eqp Rad para emprego nas Op convencionais e norteou as aquisições da DMCEI, nas últimas décadas.




24
Porém o emprego da tropa em Op que implicam em distâncias maiores que aquelas doutrinárias, para cada escalão, traz preocupações quanto ao desempenho destes Eqp na Garantia da Lei e da Ordem, nas Op de Força de Paz e nas Ações Complementares.
25



Com evolução da doutrina militar, as comunicações têm sido alvo de questionamentos por parte dos diversos escalões, em função de não proporcionar Comando e Controle desejáveis.


26



Além disso, as restrições orçamentárias impuseram a falta de elos no Sistema de Com Táticas dificultando a operacionalização da visão sistêmica adotada.






27,28
Daí a aquisição recente de sistemas completos, como o SISTAC/3ª DE e a 1ª Cia GE.




29




Atualmente o mercado oferece Eqp
Rad multibanda e mutifunções, proporcionando-lhes grande flexibilidade, mas tem limitado seu enquadramento nos QDM o que dificulta as aquisições da Diretoria.







30,31

Verifica-se, portanto, que a tecnologia da Info trouxe para o campo de Batalha novas necessidades.

32


SUMÁRIO 3


Outros dados disponíveis




33



Os meios de Com atuais devem atender ao Sistema Operacional de Comando e Controle (SOC²Ex), ora em desenvolvimento neste Estado Maior.

34


Os meios de Com devem ser adequados às Operações Conjuntas.




35



O estudo sobre o emprego do rádio deverá levar em conta a distribuição de frequências da ANATEL, que, em sua Resolução Nº 194, de 6 Dez 99, limitou a faixa do Exército para tempo de paz.







36


Os elevados custos dos equipamentos militares, associados às expressivas faltas, nos conduzem a um dilema entre rádios militares e pára-militares, mais baratos, sem sigilo, sem rusticidade, etc.

37



Na apreciação Nr 04/99 do Of Lig no Centro de Armas Combinadas do Forte Leavenworth – EUA o Sr Cel Com QEMA ________faz um estudo da capacidade das Comunicações no Exército dos EUA e sugere:



“- A não existência de equipamentos de campanha poderia ser suprida com o uso de equipamentos comerciais. Aliás, poderia ser estudada a possibilidade de intensificação do uso de meios civis de comunicações, não só no adestramento, como na própria execução de operações, nas situações onde isto for possível e quando as deficiências de material militar forem muito grandes.”

38



A desatualização da Port 100, particularmente no que se refere ao incremento de novas tecnologias nos Eqp Rad, tem implicado em processos licitatórios complexos todas as vezes em que há recursos disponíveis, pois a padronização dos MEM só é alcançada com a ADOÇÃO de determinado Eqp pelo Exército, segundo o Ciclo de vida dos MEM.



“Art 25 É inexigível a licitação quando houver inviabilidade de competição, em especial:



XIX - para as compras de materiais de uso pelas Forças Armadas, com exceção de materiais de uso pessoal e administrativo, quando houver necessidade de manter a padronização requerida pela estrutura de apoio logístico dos meios navais, aéreos e terrestres, mediante parecer de Comissão instituída por decreto.” Ou seja, as aquisições da DMCEI necessitam ter amparo legal a fim de enquadramento na lei.

39


EM SUMA: São tópicos que, obrigatoriamente, conduzem à revisão da Portaria 100:



O novo cenário de emprego da Força(GLO, F.Paz)



A persistência da escassez de recursos



A evolução tecnológica dos meios de Com



A eficiência da Guerra Eletrônica



O emprego dos equipamentos comerciais



A regulamentação da ANATEL



A necessidade de demonstrar lisura nos processos administrativos







40




•SUMÁRIO

- Apresentação da Portaria Nº 100 EME

- Análise da Portaria frente à nova conjuntura

- Outros dados disponíveis

- Conclusão



41



A atualização da Port 100 provavelmente terá reflexos na Exploração das Comunicações, e é possível que imponha a revisão dos QDM.



Daí a importância de nomear-se um grupo de trabalho que deverá estudar, dentre outros, os assuntos a seguir:
42

Manterem-se as FAMÍLIAS constituídas;



Manterem-se os GRUPOS RÁDIO;



Regulamentarem-se as novas tecnologias:



-Segurança das conversações;



-Segurança das transmissões;



-Busca de canal livre;



-Estabelecimento automático de enlace;



-Transmissão de dados por modem;



-Transmissão de dados por modulação digital ;



-Potência programável ;



-Controle remoto;



-Chamada seletiva;



-Canais pré-sintonizados; etc






xxx

Está encerrada a exposição!


domingo, 10 de março de 2019

Carnaval & Comunicação Estratégica, por Clynson Oliveira, PhD

Carnaval & Comunicação Estratégica – como tweets podem afetar a comunicação de governo


Marco Túlio Cícero (106 - 43 AC), foi eleito cônsul do Império Romano em 63 A.C. Conspiradores tramaram seu assassinato para derrubar a República Romana com apoio de tropas estrangeiras. Com muita inteligência, Cícero usou o poder da ¨pena¨. Ele escreveu 4 discursos, as Catilinárias, e por meio de sua retórica direta, aliada a manobras políticas e militares, expulsou os seus adversários e obteve a vitória.

Há quem diga que ele foi o precursor da moderna utilização política das redes sociais. Cícero usava escravos e escribas para ouvir seus ditados e redigir mensagens em rolos de papiro, que eram distribuídas à sua rede de contatos e influência.

Depois de Cícero; Lênin, Trotski, Goebbels, Mao Tse Tung, Fidel Castro, Chavez, Lula e Maduro se utilizaram do subsídio estatal generoso e/ou da estatização de veículos de mídia convencional, sejam jornais, rádio, TV ou internet para propagar suas ideias e ideologias com o objetivo de ¨padronizar a narrativa¨, ou seja, com o objetivo de que todos repetissem o discurso oficial do governo, sem criticar ou pensar livremente. Essa era a dinâmica da comunicação estratégica no Séc XX.

Podemos definir a comunicação estratégica empresarial como sendo a ¨arte de propagar ideias, conceitos, processos ou dados para atingir um objetivo permanente ou de longo prazo de uma organização, por meio de atividades planejadas e coordenadas¨.

Em termos governamentais, pode se definir como sendo: ¨o esforços concentrados de uma nação para compreender e envolver os públicos-chave, a fim de criar, fortalecer ou preservar as condições favoráveis para o avanço dos interesses, das políticas e dos objetivos de uma Nação.¨

Uma comunicação estratégica efetiva deve atender às seguintes condições:

- Ter bem definidos os objetivos nacionais que balizarão todas ações de todo o Poder Executivo Federal;

- Sincronizar as narrativas em todas as esferas do Governo Federal;

- Estabelecer a ¨governança institucional¨ no quesito unicidade de discurso;

- Acompanhar as atividades prometidas em campanha, com o cumprimento dos planos em curso, garantindo a que a disseminação do cumprimento de ambos esteja coerente com os anseios e as necessidades da população; e

- Ter agilidade na assessoria de imprensa em identificar, processar e promover a gestão das crises de imagem que se apresentem, por meio da sincronização da disseminação das mensagens nas oportunidades mais vantajosas.

Portanto, uma comunicação estratégica eficiente deve ter o teor de suas mensagens, atos e ações, compreendidos pelo receptor sem que haja ruídos ou interpretações equivocadas. É necessário garantir que as ações decorrentes dessa comunicação, por parte de todos os envolvidos, sejam concorrentes para o mesmo objetivo traçado pela organização.

A Comunicação Estratégica Brasileira - 2019


Na contramão conceitual da comunicação estratégica, o que vemos hoje é uma vastidão de interpretações enviesadas da comunicação das autoridades do governo brasileiro.

Nos últimos dias, o excesso de explicações posteriores a mensagens emitidas nas redes pelas autoridades, leva a crer que as interpretações por parte da mídia e da população, dificilmente, são aquelas pretendidas pelo emissor. Então? Como garantir uma comunicação estratégica de governo eficiente?

A resposta pode ser encontrada observando-se dinâmica social de Marco Túlio Cícero, há mais de 2000 anos: a comunicação direta entre o decisor e a população, sem interpretadores intermediários. A possibilidade que as mídias sociais têm de colocar qualquer autoridade, ao vivo, com seus compatriotas, ao alcance da mão, ao alcance de um toque, é o que diferencia a comunicação estratégica do século XXI das demais estratégias de comunicação utilizadas em toda a história humana.

Todavia, para se obter o sucesso, o alinhamento de discurso de um governo precisa ser centralizado. São 20 ministérios responsáveis pela execução das ações em todas as expressões do Poder Nacional, seja nos campos psicossocial, econômico, científico-tecnológico, político ou militar. Cada uma dessas ações são independentes entre si, entretanto, todas concorrem para que sejam atingidos os objetivos do País.

A comunicação estratégica do governo pode ser realizada em dois grandes eixos: o das ¨ações como mensagem¨ e o das ¨pessoas como mensagem¨. A sincronização da divulgação das ações de governo é fundamental para uma eficiente comunicação estratégica.

Quando a ¨ação¨ é a mensagem, ela deve ser comunicada por meio de eventos e experiências, pautando o tema em todas as mídias e fechando o escopo da ideia a ser transmitida.

Como exemplo de sincronização de ¨ações como mensagem¨, selecionei duas realizações do governo federal, previstas para serem realizadas nos primeiros 100 dias de 2019 e efetivamente concluídas: a recuperação da BR 163, a cargo do Ministério da Infraestrutura e a realocação de 100% das quase 9000 vagas de médicos no Programa Mais Médicos, a cargo do Ministério da Saúde.

Se consideramos que o Objetivo Nacional permanente envolvido é o de ¨promover a Integração Nacional¨, as duas ações lhe são concorrentes. A primeira, a recuperação da BR 163, proporciona a otimização da ligação rodoviária entre o Centro-Oeste e o Norte do País, já o preenchimento das vagas de médicos, favorece a fixação da população no interior do País, por meio da otimização da capilaridade do Sistema Único de Saúde.

Contudo, apesar de ser um exemplo plausível de exploração por meio de comunicação estratégica, esta não ocorreu. A ineficiência do planejamento e da sincronização da divulgação de tais eventos e seus benefícios, aliados à incapacidade de pautar tais temas na mídia convencional e da assincronicidade das divulgações nas redes sociais dos ministérios, levou o governo federal a perder a oportunidade de explorar ao máximo esses sucessos dos 100 primeiros dias de governo.

Quando a ¨pessoa é a mensagem¨, em particular quando é autoridade máxima do País, o Presidente da República, ela tem a possibilidade de se comunicar diretamente, via mídias sociais, com cada um dos brasileiros, individualmente. A mensagem toca diretamente dentro do telefone celular de cada um, definitivamente, essa comunicação se torna poderosa e não pode ser descartada.

A imagem da pessoa deve refletir o conteúdo, tanto na forma como no significado, ou seja, o planejamento do teor da comunicação, do meio e da oportunidade para a sua veiculação são os fatores críticos de sucesso da comunicação estratégica.

No meio político a comunicação estratégica pode ser utilizada para atacar ou proteger. Quando em ataque, usa-se o negativismo e a ¨plantação da dúvida¨; quando em proteção, usa-se para tranquilizar, com positivismo e realizações prometidas e cumpridas, ou seja, passando credibilidade e eficiência.

As mídias sociais do Presidente da República do Brasil, em 2019, atingem diretamente mais de 10 milhões de pessoas, ou seja, se considerarmos que cada pessoa possui pelo menos 10 outras em seu círculo de influência, praticamente metade da população do País é atingida de forma direta e efetiva pelas palavras do Presidente, sem nenhum filtro da mídia ou de assessores.

Na verdade, a mídia tradicional perde diariamente espaço no controle da narrativa. Apesar da maioria da população ler apenas as manchetes das notícias, essas mesmas pessoas buscam em outras mídias, não convencionais, a confirmação, ou não, do que leu. A mídia tradicional é diariamente confrontada em relação à sua honestidade de propósito e firmeza de caráter e isenção.

Consequentemente, o impacto disso é a dissonância cognitiva causada na imagem mídia perante a população. As autoridades, como o Presidente da República, passam a ser muito mais vistos e visitados e passam a pautar o assuntos relevantes do País, restando à mídia convencional apoiar ou, o que tem sido a tônica desde o início de 2019, procurar pequenos deslizes em palavras para polemizar questões irrelevantes de interpretação, perdendo credibilidade e assinantes para as mídias alternativas e diminuindo o seu valor econômico e social.

Ou seja, a comunicação direta de ações de governo por meio de seus ministérios ou de autoridades ¨em pessoa¨ é uma arma fundamental no combate às interpretações errôneas da mensagem emitida, imprescindível para qualquer influenciador no mundo do século XXI. Desta forma evita-se os ruídos nas mensagens e garante-se que ela chegue sem manipulações ao seu destino final, a população.

Para exemplificar, cito a reflexão moral sobre um fato ¨escatológico¨ público sugerida pelo Presidente da República ao reencaminhar um vídeo em uma rede social, contendo atos obscenos cometidos por dois brasileiros durante uma apresentação de um Bloco de Carnaval em São Paulo. Eles realizaram necessidades fisiológicas ¨xixi¨ e ¨cocô¨, às vezes um em cima do outro, às vezes autopenetrando-se pelo ânus, tudo em público. Como analisar esse fato?

O Presidente ensejava que o povo refletisse sobre a moral e a ética do fato; na Lei brasileira, o fato é um crime capitulado no Art 233 do Código Penal: ¨praticar ato obsceno em lugar público, aberto ou exposto ao público¨; para os que realizaram o ato obsceno, nada mais foi do que um ¨ato político¨ de reação à ¨colonização dos seus corpos¨; para alguns integrantes mídia tradicional foi uma peça de ¨arte¨; para outros integrantes mídia tradicional foi quebra de decoro do Presidente, ao reproduzir o ato obsceno na internet; para alguns políticos é um real motivo para o impeachment do Presidente; para a população foi uma denúncia clara de crime e que tem que ser apurado rapidamente pelo Ministério Público Estadual. Qual a verdade?

Essa pergunta não está entre as mais relevantes a serem respondidas, sob a ótica da comunicação estratégica. As perguntas mais relevantes são:

O objetivo governamental pretendido pelo Presidente da República foi atingido? Quais os benefícios para a população e quais os atos governamentais seguintes que garantirão esses benefícios? Quais os benefícios obtidos para a agenda governamental?

Se tais perguntas não puderem ser respondidas, e se as condições para uma comunicação estratégica não estiverem estabelecidas, restará clara a sua ineficiência e uma eventual perda de oportunidade de apresentar resultados concretos à população.

O Brasil merece uma comunicação estratégica que informe a sua população de forma direta e que seja compatível com a posição que deseja ocupar no cenário internacional. A população deve ter o direito de criticar e conhecer livremente a verdade sem filtros, sem manipulação, sem discurso manipulado e padronizado na mídia tradicional.

O Brasil merece ser conhecido, internacionalmente, pela sua capacidade de crescer e demonstrar crescimento, fortalecido em todas as expressões do Poder Nacional.

Clynson Oliveira PhD, Army Col, mastered Politics and Strategy Army Command and Staff College. Now is CEO Leadership consulting in Brazil.
https://medium.com/@clynsonoliveira

MANGUEIRA, A VINGANÇA DO TRÁFICO! Por Gen Bonat

Acabou o carnaval. As escolas campeãs já são conhecidas. Maravilha! Lentamente, o Brasil sai da ressaca e começa a andar. Não assisti os desfiles. Não tenho mais paciência… Só vi pequenos pedaços mostrados em telejornais.

Em São Paulo, vi Jesus levar uma baita surra de satanás. Ficou por isso mesmo. Da CNBB, nenhuma palavra em sua defesa. Nossos bispos nem parecem cristãos. O assunto não é com eles. Será que Cristo realmente existiu? Quando lhes convém, nossos bispos permanecem quietos. Sua omissão tem sabor de concordância. Pobre, mas sempre esperta, igreja católica…

A mim me chocaram as cenas mostradas pela campeã carioca. A comissão de frente já revelava o que viria a seguir. Transformava algumas de nossas importantes figuras históricas em anãos.

Logo depois, Caxias era tratado como um carniceiro, provavelmente numa crítica à sua participação na Guerra do Paraguai. Convém relembrar, só de passagem, que naquele conflito morreram simplesmente cerca de sessenta mil brasileiros.

Pouco depois, em um dos carros, lia-se “ditadura assassina”, em alusão ao período dos presidentes militares. O alvo, obviamente, era o Exército.

Fiquei imaginando tratar-se de uma reação ao governo recém-empossado, até surgir na tela a figura da viúva de Marielle.

Caiu a minha ficha. Marielle defendia traficantes; as Forças Armadas foram mandadas a intervir no Rio em 2018, atrapalhando o milionário negócio do tráfico; e como o tráfico patrocina as escolas de samba… Eureka! Vinguemo-nos dos milicos!

E nada melhor do que um desfile de escola de samba para a vingança ser completa. É um crime perfeito. Afinal, trata-se de uma manifestação cultural. Ai de quem criticá-la. Quem não concordar terá contra si todos os intectualóides tupiniquins, toda a imprensa amestrada, todo o meio artístico, além da classe média carioca, cujos filhos dependem do fornecimento de crack, de cocaína, de maconha e de outros quetais.

Pensando bem, creio que a CNBB tem um pouco de razão…

Enquanto isso, os bombeiros continuam procurando corpos em Brumadinho. Mas deixa prá lá. Nossos heróis são outros.

Artigo: Hamilton Bonat, www.bonat.com.br

Toma lá, dá cá. Por ELIANE CANTANHÊDE



A proposta das Forças Armadas para a previdência dos militares é, na verdade, um pacote que tira de um lado (o da previdência) e põe no outro (nos soldos). A intenção é cobrar cota de sacrifício até de pensionistas, mas criando gratificações para os da ativa que fizerem cursos, como compensação para perdas acumuladas há décadas.

“Sempre perguntam se nós não vamos contribuir com a reforma. Mas nunca deixamos de contribuir”, diz o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva. Para ele, os militares são sempre os primeiros a sofrer cortes, “para o bem do País”, e acabaram com soldos muito defasados em relação à inflação e às carreiras de Estado. “Em relação ao Judiciário e ao Legislativo, nem se fala.”

O ministro entrega nesta semana a proposta dos militares à equipe econômica e à área jurídica do governo e estima levá-la ao Congresso até início de abril. Esse é um passo importante para esvaziar as desconfianças dos parlamentares, inclusive da base aliada, que resistem a privilégios para militares.

Azevedo e Silva foi pessoalmente à residência oficial do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, na quinta-feira passada, não só para antecipar a ideia geral da proposta para os militares como para falar das compensações: “Vamos subir a receita, mas também equilibrar melhor as despesas”, resumiu.

Maia pensa como o ministro Paulo Guedes e o secretário Rogério Marinho: os militares não podem aproveitar a reforma para compensar defasagens antigas. No mínimo, a conta tem de zerar. Pelo projeto, só vai zerar no quinto ano. Até lá, eles ficam no lucro.

Além de aumentar o tempo de contribuição dos militares, de 30 para 35 anos, a proposta prevê aumento da alíquota para todos, de 11% para 14%, com um detalhe: viúvas, cadetes e recrutas, hoje isentos, também passarão a contribuir com o mesmo porcentual.

Do outro lado, está a recuperação de uma das vantagens perdidas com a MP 2215, do final do governo FHC, mexendo nas gratificações pelos vários cursos que, sargentos ou oficiais, eles têm de fazer ao longo da carreira. Gratificação não tem impacto na previdência, aumento de salário teria. Está descartada a volta de auxílio-moradia, pensão para as filhas, ida para a reserva com um posto acima e licença especial.

Uma facilidade para aprovação do pacote militar, conforme enfatizou o próprio presidente Jair Bolsonaro, é que não precisa emenda constitucional, só projetos de lei. É fato, mas não exagera! Uma semana na Câmara e outra no Senado, só em sonho.

O grande esforço não só das Forças Armadas, mas da própria cúpula do governo – até porque as coisas se confundem – é martelar que os militares não estão incluídos no regime de previdência. Têm regime próprio e, aliás, estão fora das normas trabalhistas: não têm hora extra, adicional noturno, adicional de periculosidade.

Se elas tivessem esses benefícios, um tenente atuando na fronteira com a Venezuela ou nas enchentes na BR 163 (Cuiabá-Santarém) mais do que dobraria seu salário – que é mais baixo do que seus correspondentes civis no serviço público.

Uma terceira frente, além dos soldos e da previdência diferenciada, é o orçamento para as atividades-fim e os projetos estratégicos do Exército, Marinha e Aeronáutica que, como diz o ministro, “precisam de condições para sustentar a paz”.

Ter Bolsonaro, oito militares no topo do Executivo e mais de cem no segundo escalão é faca de dois gumes: é bem mais fácil para as três Forças defenderem seus pleitos no governo, mas gera desconfianças e confrontos fora dele. Principalmente quando se vende o militar como santo e o político como demônio. É melhor para o governo e para o presidente calibrar melhor o tom. A reforma passa e o Brasil ganha.

Proposta dos militares tira na Previdência e põe nos soldos. Guedes quer “conta zero”



O Estado de S. Paulo,10 Mar 2019
ELIANE CANTANHÊDE E-MAIL: ELIANE.CANTANHEDE@ESTADAO.COM 
TWITTER: @ECANTANHEDE ELIANE CANTANHÊDE 
ESCREVE ÀS TERÇAS E SEXTAS-FEIRAS E AOS DOMINGOS

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Pentesting e Treinamentos da Offensive Security, por Laios Barbosa

Publicado em 1 de janeiro de 2019 no LinkedIn
Essa é a primeira de algumas publicações que pretendo fazer e que tem por objetivo falar sobre temas relacionados a Segurança da Informação (Seg Info), Penetration Testing (Pentesting/Pentest), Treinamentos, Competições (CTF), Certificações entre outros.

Com relação a Pentesting, não poderia deixar de mencionar um dos primeiros treinamentos em Segurança da Informação que participei, chamado, na época, “Penetration Testing with Backtrack - PWB”, atualmente, “Penetration Testing with Kali – PWK”, da empresa Offensive Security (OffSec - https://www.offensive-security.com). Ainda estava iniciando na área de Seg Info quando tive a sorte e o “prazer” (em se tratando de treinamentos da OffSec, prazer é uma palavra questionável …) de realizar o treinamento do PWB, ao vivo, no Brasil, com renomados componentes da equipe: Mati Aharoni (muts), Bosko Petrovic (bolexxx), Matteo Memelli (ryujin). Foi uma semana intensa, de muito trabalho, aprendizado e um pouco de “sofrimento saudável”. Não é a toa que o lema da OffSec é “TRY HARDER” (se esforce, se empenhe mais).






Foi uma enxurrada de informações e para quem ainda estava iniciando em Seg Info confesso que foi difícil de acompanhar. Embora a OffSec afirme que o PWB/PWK seja um curso de nível básico/inicial, alerto aos aventureiros que é preciso ter uma boa base em diversas áreas da Computação (Redes, Sistemas Operacionais, Desenvolvimento) para aproveitar o curso. Apenas como referência e contextualização, sou Engenheiro de Computação (formado pelo IME – Instituto Militar de Engenharia) e trabalhei muitos anos como Administrador de Redes e Sistemas (sysadmin) além de Configuração, Gerenciamento e Administração de Servidores (maior parte Linux).

Para aqueles que tem o sonho, ou vontade, ou desejo de trabalhar na parte de Pentest, considero que o PWK seja um curso que não poderia faltar em seu currículo (quase obrigatório). Dessa forma, seguem algumas observações:

1 – O curso pode ser feito ao vivo (live) ou online;

2 – Na modalidade ao vivo o custo é muito alto (começando com U$ 4.000,00), sem falar que, normalmente, esse treinamento ao vivo só é encontrado fora do Brasil;

3 – O curso online tem um custo/benefício muito bom, se comparado com outros cursos do mesmo nível e qualidade. Tem-se um investimento a partir de U$ 800,00 que inclui Material do Curso (PDF e Vídeo) + 01 Tentativa da Certificação OSCP + 30 dias de Laboratório (para praticar as técnicas ensinadas no curso);

4 – Quanto ao material, é todo em inglês e você recebe um PDF mais um conjunto de vídeos. Na minha opinião, o conteúdo do PDF não é muito explicativo, contudo é muito bem complementado com os vídeos (quem fala no vídeo é o Muts e ele tem um inglês que qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento na língua pode acompanhar facilmente). O fato do conteúdo não ser muito explicativo é, de certa forma, proposital, ou seja, faz parte da filosofia “Try Harder” da OffSec para forçar o aluno a procurar, pesquisar e se aprofundar na matéria;

5 – O laboratório é fundamental para solidificar os ensinamentos (prática e repetição conduz a perfeição), principalmente para aqueles que buscam a certificação OSCP (Offensive Security Certified Professional). A quantidade de dias no lab pode ser estendida em pacotes de 15, 30, 60 a até 90 dias, cada um com seu valor respectivo. Já alerto que é uma atividade “viciante” que pode lhe render muitas noites em claro, sem falar no valor a ser pago para estender a experiência, uma vez que, no lab é simulada uma rede corporativa com mais de 50 máquinas a serem exploradas e invadidas numa elaborada infraestrutura.

O material do curso é extenso e requer certo tempo e dedicação para serem assimilados, praticados e compreendidos. A Offensive Security é uma referência mundial em treinamentos e certificações na área de Segurança Ofensiva e Pentesting.

Quanto ao exame OSCP, um dos mais reconhecidos no mercado na área de Pentest, foi um dos primeiros cujo formato é 100% prático (hands-on). Para fazer o teste é necessário adquirir o curso. O exame tem a duração de 24h para que o estudante consiga invadir cerca de 05 (cinco) máquinas (Linux, Windows, BSD, etc), com o objetivo principal de conseguir acesso de root/administrador. Depois, tem-se mais 24h para redigir um relatório de Pentest, descrevendo as vulnerabilidades encontradas, a metodologia e os procedimentos realizados para se explorar os sistemas mencionados, além de orientações para proteção e mitigação das falhas.

Concluindo essa pequena publicação, para os interessados na área de Pentesting, recomendo os cursos da OffSec, em especial, o PWK. Quanto a certificação OSCP, considero um excelente desafio, ideal para praticar e desenvolver habilidades na parte ofensiva.

Espero poder contribuir cada vez mais para a comunidade de Segurança da Informação e estou à disposição para qualquer dúvida ou esclarecimento. 
TRY HARDER ;-)
Laios Barbosa
Information Security Manager na Brazilian Army
https://www.linkedin.com/pulse/pentesting-e-treinamentos-da-offensive-security-laios-barbosa/

domingo, 9 de dezembro de 2018

“Os militares no governo.”, por Marco Antonio Villa

http://www.blogdovilla.com.br/politica-no-brasil/artigo-do-prof-villa-na-istoe-os-militares-no-governo/

por  | dez 9, 2018 | Istoé, Política no Brasil | 1 Comentário

Não há na história republicana um governo com tantos ministros militares em pastas consideradas civis como o do presidente Jair Bolsonaro. Em comparação com os cinco governos do regime militar (1964-1985), mesmo assim a presença militar nunca foi tão grande. Será um teste para os militares ter de conviver com críticas que são rotineiras em uma sociedade democrática. Afinal, são originários de um meio que prescinde da discussão igualitária para a solução de um problema, para agir. A hierarquia e a obediência são componentes essenciais e imprescindíveis da ordem militar. Contudo, o exercício de funções políticas exigirão um comportamento de tolerância e de aceitação de cobranças que não estão habituados. Deverão ser inevitáveis choques com a imprensa, especialmente nos momentos de tensão política. E mais ainda no início do governo, quando haverá um processo de adaptação ao novo momento pelo qual passa o País.

Será uma cena comum assistirmos ministros militares indo ao Congresso Nacional para justificar, explicar, debater medidas governamentais afeitas às suas pastas. Encontrarão em algumas comissões, com absoluta certeza (e sem fazer profecia de botequim), petistas (e seus aliados) que vão desqualificar a ação do ministro, vão acusá-lo de má gestão e até de supostos desvios de recursos. Como agirão? Como vão enfrentar o debate?

É inegável que nas Forças Armadas existem excelentes quadros que podem ser utilizados nas diversas esferas governamentais. Ninguém chega ao alto oficialato sem ter passado por escolas de alta especialização e por estágios e missões no exterior. Esse cotidiano de formação técnica é desconhecido do grande público. Ainda há a visão de que a profissão de militar não passa de uma carreira pública modorrenta, à espera de uma guerra que não vai ocorrer, onde a promoção é aguardada simplesmente pela antiguidade. São ignoradas as ações implementadas em diversas missões de paz em todo mundo. E no Brasil inúmeras atividades importantes são desenvolvidas principalmente nas áreas mais pobres e nas regiões fronteiriças.

O desafio para as Forças Armadas é evitar a politização dos seus quadros. Elas servem ao Brasil e não a um governo em particular: são instituições permanentes de Estado. Devem evitar a sedução do soldado-cidadão, tão presente no início da República. Irão desempenhar um novo papel, trinta anos depois. Quem diria…

domingo, 2 de dezembro de 2018

Nunca antes, por Alexandre Garcia Oficial no FB




Em dois meses, minha mãe completa 100 anos de vida e diz que nunca viu nada igual ao que está testemunhando hoje. Ela passou pela ditadura Vargas, pelas tentativas comunistas de tomada do poder, a começar em novembro de 1935, depois por tantos governos diferentes e tantos planos de salvação nacional, mas nunca viu uma reação como agora, contra o estado de coisas em que enterraram o país. Uma reação popular e pacífica, de uma maioria que cansou de ser enrolada, ludibriada, enganada – desculpem usar tantos sinônimos para a mesma mentira. Eu mesmo, em meus quase 80 anos de Brasil, nunca vi nada igual. Eu diria que se trata de uma revolução de ideias, tal a força do que surgiu do cansaço de sermos enganados.
Mencionei a primeira tentativa comunista de tomada do poder, há 83 anos. Naquele 1935, houve reação pelas armas. Nas outras tentativas, no início dos anos 60, a reação veio das ruas, que atraiu as armas dos quartéis. A última, veio pelo voto, na mesma linguagem desarmada, com que começou a sutil tentativa tucana, para desaguar nos anos petistas, já com a tomada das escolas, dos meios de informação, da cultura – com aquela conversa que todos conhecemos. De repente, acordamos com a família destroçada, as escolas dominadas, os brasileiros separados por cor e renda, a cultura nacional subjugada, a História transformada. Mas acordamos.


Reagimos no voto, 57 milhões, mais alguns milhões que tão descrentes estavam que nem sequer foram votar. O candidato havia sido esfaqueado para morrer, nem fez campanha, não tinha horário na TV, nem dinheiro para marqueteiro. Mas ficou à frente do outro em 10 milhões de votos. Ainda não se recuperou da facada, a nova intentona; precisa de mais uma cirurgia delicada, mas representou a reação da maioria que não quer aquelas ideias que fracassaram no mundo inteiro, que mataram milhões para se impor e ainda assim não se impuseram.

O que minha mãe nunca viu é que antes mesmo de o vitorioso tomar posse, as ideias vencedoras da eleição já se impõem. Policiais que tiram bandidos das ruas já são aplaudidos pela população; juízes se sentem mais confiantes; pregadores do mal já percebem que não são donos das consciências; as pessoas estão perdendo o medo da ditadura do politicamente correto, a sociedade por si vai retomando os caminhos perdidos, com a mesma iniciativa que teve na eleição de outubro, sem tutor, sem protetor, sem condutor. Ela se conduz. O exemplo mais claro desse movimento prévio ao novo governo é a retirada cubana, no rompimento unilateral de um acordo fajuto, de seus médicos, alugados como escravos ao Brasil. Cuba “passou recibo” na malandragem e tratou de retirá-los antes que assumisse o novo governo, na prática confessando uma imoralidade que vai precisar ser investigada no Brasil, para apontar as responsabilidades, tal como ainda precisam ser esclarecidos créditos do BNDES a ditaduras, doação de instalações da Petrobras à Bolívia, compra de refinaria enferrujada no Texas, e tantas outras falcatruas contra as quais a maioria dos brasileiros votou em outubro.
Alexandre Garcia Oficial