domingo, 4 de junho de 2017

7 perguntas a fazer antes da sua próxima transformação digital por Barry Libert, Megan Beck e Yoram (Jerry) Wind

Publicado em HBR.ORG em 14 DE JULHO DE 2016

Ainda que o investimento digital seja quase inquestionavelmente o curso correto de ação para a maioria das empresas, organizações ainda se esforçam para criar os resultados desejados. Estimativas de falhas na transformação digital variam de 66% a 84%. Um índice de falha tão alto não surpreende, uma vez que os líderes estão tentando criar competências inteiramente novas e forçá-las em uma organização com sólidas culturas e modelos operacionais existentes.
Embora a maioria dos executivos seja profissional no gerenciamento da mudança, a transformação digital é uma mudança muito mais profunda do que a atualização do sistema ou do processo usual. Obviamente, a tecnologia digital pode ser usada para melhorar ou aumentar maneiras existentes de operação, mas também abre caminhos inteiramente novos para fazer negócio com base em redes digitais como Uber, Airbnb, Yelp e Apple Developer Network – que é onde se encontra grande parte do valor digital. Assim, enquanto você passa por sua própria transformação digital, recomendamos começar com algumas perguntas que vão mais profundamente do que “de qual talento você precisa” ou “quanto dinheiro você gastará” e investigar a prontidão organizacional mais ampla. 
Trata-se de um upgrade digital ou uma transformação digital? 
A maioria das empresas quer a transformação digital e acaba com upgrades digitais, usando tecnologia digital para aumentar a eficiência ou a eficácia em algo que a sua empresa já está fazendo. Por exemplo, aumentar seu gasto com marketing para canais digitais ou fazer upgrade nos sistemas de comunicação interna. Por outro lado, uma transformação digital ocorre quando você usa tecnologia digital para mudar o modo que você opera, especialmente em torno de interações com clientes e a maneira na qual o valor é criado, por exemplo, a Apple usando sua rede de desenvolvedores para criar software para seus dispositivos. Se você descobrir que está de fato embarcando em um upgrade e não em uma transformação, pergunte a si mesmo se isso será suficiente para manter a competitividade quando os modelos de negócios baseados em redes digitais criarem valorizações de mercado quatro vezes mais altas do que o resto. 
Você e a sua equipe concordam? 
Tecnologia digital e modelos de negócios estão no radar de todo executivo, e há uma expectativa que a maioria das empresas precisa mudar para manter-se atualizada. Contudo, uma situação que vimos repetidas vezes é uma equipe de liderança tentando liderar uma transformação digital com a qual não estão especialmente entusiasmados. Todos nós temos crenças principais sobre o que cria valor no mundo, e elas moldam a maneira como alocamos nosso tempo, atenção e capital. A maioria dos líderes tem décadas de experiência focando em ativos como fábricas, imóveis, estoque e capital humano. Abandonar essas prioridades habituais requer autorreflexão e abertura, e um esforço conjunto para desenvolver novos padrões no pensamento e na ação. 
Você está preparado para compartilhar a criação de valor com seus clientes? 
O mais recente modelo de negócio com tecnologia, orquestração de rede, baseia-se no fato de que as empresas podem permitir que os clientes e outras redes compartilhem o processo de criação de valor. A Uber depende de uma rede de motoristas; Airbnb depende de uma rede de proprietários de imóveis; Ebay depende de uma rede de vendedores. Essas redes são essenciais para as organizações e, ao acessarem ativos externos, essas empresas são capazes de alcançar lucratividades excepcionais. Compartilhar a carga de trabalho parece uma proposição obviamente vencedora, mas muitos líderes hesitam em abrir mão do controle e depender de uma rede que está fora da sua cadeia de comando. Trabalhar com esses grupos externos exige estilos de liderança novos e cocriativos, mas também pode permitir que as organizações explorem enormes conjuntos de capacidades e recursos subutilizados. 
Você protegeu sua equipe digital? 
Um upgrade digital exige uma equipe bem definida com um escopo limitado. Uma transformação digital requer uma equipe com um mandato multifuncional e sólido suporte. Isso se torna um ponto importante porque as organizações geralmente não mudam sua estrutura interna como parte da transformação digital e assim as equipes que trabalham nessas transformações se encaixam na estrutura existente. Onde de fato a equipe “está,” tanto fisicamente quanto no organograma, pode afetar sua capacidade de influenciar os grupos multifuncionais integrantes para a real transformação digital. Vimos muitas empresas limitarem o progresso do digital ao basear sua equipe em marketing ou TI. 
Você sabe como medir o valor que você pretende criar? 
Você gerencia o que você mede. Para a maioria das organizações, o foco está no capital físico (para fazer e vender produtos) ou no capital humano (para prestar serviços). Essas empresas monitoram o estoque, a produtividade, a utilização e outros tradicionais indicadores principais do desempenho (Key Performance Indicators, KPIs). Transformações digitais nem sempre afetam os KPIs que uma empresa já está mensurando. Obviamente, a meta final de uma transformação é afetar a receita, a lucratividade e o valor do investidor. Ao longo do caminho, no entanto, é útil rastrear indicadores intermediários. Para muitas empresas de rede digital, isso inclui sentimento e engajamento, bem como compartilhamento do valor e cocriação de redes. Por exemplo, ao julgar o sucesso do Developer Network, a Apple pode mensurar o número de desenvolvedores que criam aplicativos para sua app store, a quantia de dinheiro gerada por esses aplicativos que a Apple compartilha com sua comunidade e a satisfação do cliente com os aplicativos. Você está pronto para julgar sua equipe? Há um antigo ditado: “É mais fácil mudar as pessoas do que mudar as pessoas.” Dito de outra maneira, às vezes uma nova visão requer pessoas novas para criá- la. Para muitos, as pessoas digitais que você precisa na sua equipe e no seu conselho não residem, de forma alguma, na sua organização ou pelo menos não na quantidade certa. Muitos dos seus funcionários atuais estarão dedicados a fazer o que sempre fizeram e criarão resistência e obstáculos à mudança. Para abrir espaço para os seus transformadores digitais, faça os julgamentos no início, com relação a sua equipe e conselho. Em nossa experiência, quase metade da sua equipe e conselho terá que ser substituída no decorrer de uma transformação digital de sucesso. Ainda que dolorosa, é realmente uma coisa boa para a organização: criar equilíbrio entre o antigo e o novo. 
Você estará pronto para derivar o seu negócio digital? 
Às vezes, a nova empresa dentro da organização torna-se maior e mais valiosa do que a controladora que lhe deu origem – ou corre o risco de não atrair o talento certo ou enfrenta disputas entre o digital e o existente. (A great resource on this is The Second Curve de Ian Morrison.) Often, separation is required to enable both the parent and child to continue growth. Google é especialista em criar novos empreendimentos e habilitá-los para que cresçam; veja sua recente reorganização em Alphabet para permitir que cada um dos seus negócios principais busque seu próprio potencial (incluindo Google e YouTube). Em outras organizações, o novo negócio digital de fato absorverá e melhorará sua controladora. Transformar uma organização é difícil, e a pesquisa comprova isso. Mas, mesmo assim, vale a pena. A avaliação da Forrester é que até 2020 todo negócio se tornará predador ou presa. Como líder, você provavelmente já conhece o básico do gerenciamento da mudança, mas uma transformação digital é mais profunda e, assim, impõe diferentes exigências para você, sua equipe e sua organização. Por outro lado, contudo, você tem a oportunidade de investir nos modelos de negócios mais lucrativos e valiosos que o mercado já viu. 

Barry Libert é CEO da OpenMatters, uma consultoria digital e investidor-anjo, e membro sênior da SEI Center em Wharton. Ele também é coautor de The Network Imperative: How to Survive and Grow in the Age of Digital Business Models.
Megan Beck é consultora digital na OpenMatters e pesquisadora do SEI Center em Wharton. Ela é coautora de The Network Imperative: How to Survive and Grow in the Age of Digital Business Models.
Yoram (Jerry) Wind é Lauder Professor e professor de marketing na Wharton School da University of Pennsylvania, na Filadélfia. Ele é coautor de The Network Imperative: How to Survive and Grow in the Age of Digital Business Models.

 (harvard business school publishing corporation)

sábado, 3 de junho de 2017

Exércitos do Brasil e dos Estados Unidos estreitam cooperação por Nelza Oliveira/Diálogo




A Operação Culminating envolve manobras conjuntas dos dois exércitos entre 2017 e 2020, quando será realizado um exercício combinado em Fort Polk, Luisiana, e uma análise pós-operação em 2021.
2 junho 2017


RELAÇÕES INTERNACIONAIS

O Exército Brasileiro acredita que a Operação Culminating é de extrema importância na preparação do combatente brasileiro. (Foto: Soldado Bruno dos Santos Ouriques, 3º RC Mec).


O Exército Brasileiro (EB) está em meio a uma preparação para cinco anos de intercâmbio com os Estados Unidos. A operação batizada de Culminating tem por objetivo estreitar a cooperação com a força terrestre norte-americana e envolve manobras conjuntas entre os anos de 2017 e 2020, com uma análise pós-operação em 2021. O auge será um treinamento combinado entre os dois exércitos, no segundo semestre de 2020, no Centro de Formação de Prontidão Conjunta (JRTC, por sua sigla em inglês), na instalação militar Fort Polk, no estado de Luisiana, um dos principais centros de treinamento do Exército dos EUA.
A Operação Culminating encerrará em 2020 com um exercício combinado no JRTC, um dos principales centros de treinamento do Exército dos EUA. (Foto: Soldado Bruno dos Santos Ouriques/3º RC Mec).

“A Operação Culminating está incluída no Plano Quinquenal, que é um documento entre o Brasil e os EUA para melhorar nossas relações, aumentar a compreensão e aprimorar as capacidades de interoperabilidade”, afirmou o EB à Diálogo, por meio de seu Centro de Comunicação Social. Segundo a nota, atualmente está sendo realizado o planejamento do preparo e da logística para as atividades previstas na operação, que envolverá a participação de 470 militares brasileiros.

“Em 2018 e 2019, será realizada a capacitação dos oficiais e sargentos observadores, controladores e avaliadores e a conclusão da preparação logística”, afirmou o porta-voz da instituição. “Em 2019, será estruturada a organização militar e realizada a preparação específica para a participação no exercício do ano seguinte”, detalhou o comunicado enviado pelo EB.

Fortalecendo laços e trocando experiências
O General-de-Brigada do Exército dos EUA Clarence K.K. Chinn (à esq., segundo da frente para trás), comandante do ARSOUTH, se reuniu com militares brasileiros em março, no Brasil. (Foto: Comando Militar da Amazônia)

No lado norte-americano, a operação está sendo realizada junto ao Exército Sul dos Estados Unidos (ARSOUTH, por sua sigla em inglês), responsável por conduzir e dar o suporte a operações multinacionais com países da América Central e do Sul, além do Caribe. O General-de-Brigada do Exército dos EUA Clarence K.K. Chinn, comandante do ARSOUTH, esteve no Brasil em março e em abril, a fim de ampliar parcerias e estabelecer acordos com o EB.

“Tem sido uma oportunidade fenomenal para aprendermos sobre o Exército Brasileiro. Porém, o mais importante é a parceria e trabalhar em conjunto. Nós temos sido parceiros desde a Segunda Guerra Mundial; então é uma grande oportunidade e uma honra ouvir sobre as grandes coisas que o Brasil tem feito na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti e sobre o grande trabalho realizado durante a Copa do Mundo e as Olimpíadas”, afirmou na ocasião o Gen Brig Chinn, que se reuniu com o General Eduardo Villas Bôas, comandante do EB, em Brasília, no Distrito Federal, e também foi para Manaus para participar de atividades no Comando Militar da Amazônia.

Ajudando na preparação do combatente brasileiro

Segundo o EB, a preparação dos militares brasileiros para a Operação Culminating será direcionada pelos militares dos Estados Unidos. Os detalhes da parte logística da operação estão sendo definidos na fase atual de planejamento. “A principal vantagem é ter os militares brasileiros trabalhando em conjunto com o principal exército do mundo, compartilhando suas experiências em combate, tendo a chance de aperfeiçoar sua doutrina,”disse o EB. “O adestramento específico para este tipo de missão também é fundamental e de extrema importância na preparação do combatente brasileiro”, agregou.

O EB finalizou, dizendo que militares brasileiros e norte-americanos podem colaborar entre si na área do planejamento e da execução da manobra, nas áreas de logística, inteligência, comunicações e no intercâmbio de materiais de ambos os exércitos. O comunicado do EB à Diálogo informou também que, em 2021, último ano do Plano Quinquenal, haverá uma análise pós-operação, como também um planejamento dos próximos passos de intercâmbio entre o EB e o Exército dos EUA, antevendo que a parceria entre os dois países na Culminating acena para além dos cinco anos previstos no plano.
https://dialogo-americas.com/pt/articles/armies-brazil-and-united-states-strengthen-cooperation

sábado, 27 de maio de 2017

"Os terroristas exploraram todas as vulnerabilidades da internet" por Helena Tecedeiro


Entrevista ao vice-almirante Arnaud Coustillière, comandante da ciberdefesa francesa

Em Lisboa para a conferência Ciberdefesa - O desafio do século XXI, que decorreu esta semana na Assembleia da República, o vice-almirante Arnaud Coustillière não acredita numa ciberguerra com hackers a enfrentar-se à distância. Mas o comandante da ciberdefesa francesa acredita que a arma cibernética é essencial para "desestabilizar antes de uma guerra".

A próxima guerra mundial vai ser uma ciberguerra?
A arma cibernética é mais explorada em período de crise, para desestabilizar antes de uma guerra. A guerra quando acontece é total, em todos os espaços. Logo, dentro de uma guerra clássica há um lado numérico, como há um lado marítimo. Mas uma guerra numérica, autônoma, com hackers que se enfrentam à distância, é uma ideia que, do meu ponto de vista, não é boa. A guerra exige uma série de meios e este é um teatro de operações suplementar que vai tornar as coisas ainda mais complicadas. Já em fase de crise, em fase de desestabilização, em fase de tensão entre Estados ou em fase de terrorismo, o meio numérico - prefiro falar de numérico em vez de ciber - permite atingir a confiança dos cidadãos nos Estados. É o que vemos em ações de grupúsculos mais ou menos identificados e mais ou menos ligados a Estados ou aos interesses dos Estados que vêm desestabilizar outros países de forma oculta.

Os terroristas perceberam há muito que o ciberespaço é ideal para recrutamento e propaganda. Os Estados têm maneira de os combater nesse espaço?
Penso que todos os governos tomaram consciência, num movimento de fundo, da importância da securização do espaço numérico a partir de 2008. E a propaganda terrorista, se já era conhecida dos peritos, cresceu exponencialmente a partir de 2014. Os terroristas, sobretudo os do Daesh, exploraram de forma muito hábil todas as vulnerabilidades da internet. A internet como espaço de liberdade oferece também refúgios, santuários, aos terroristas. O que é paradoxal é que muitos desses santuários ficam na Califórnia, ou ficavam, no coração das grandes empresas de novas tecnologias. Mas estas reagiram bem. Hoje, a propaganda mais visível dos jihadistas foi afastada da internet. Estas empresas [Facebook, Google, Apple, Amazon, Microsoft] reagiram, os Estados mobilizaram-se, foram aprovadas leis, a ONU envolveu-se. Houve uma vaga de fundo que permitiu afastar a propaganda. Não desapareceu mas está mais confinada. Hoje podemos encontrá-la cada vez mais em redes sociais confidenciais, mas o grande público está mais protegido.

Estamos a falar da dark web?
A internet é a justaposição de redes e sistemas. Ou as moradas são conhecidas dos grandes motores de busca e estamos na net emersa ou estamos na deep web, que contém os endereços profissionais. E depois temos endereços nocivos que estão na dark web. É sobretudo a cibercriminalidade, os tráficos. Os terroristas vamos encontrá-los nas redes privadas ou nas zonas privadas das redes sociais.

Portugal, como muitos países, foi alvo de um ataque informático há dias. Como se proteger deste tipo de ameaça?
Está a referir-se ao WannaCry, e esse foi um ataque muito interessante. Em primeiro lugar por causa do número real de vítimas, que foi relativamente baixo. Cem mil computadores no mundo e algumas dezenas de milhares de dólares - o que para uma operação de cibercriminalidade é um pouco um fracasso. O que é preocupante é a proliferação. O WannaCry mostra que podemos ser atingidos por uma operação de sabotagem em que não somos o alvo. O vírus entra nas redes, propaga-se de forma muito rápida e procura as máquinas vulneráveis. É isso que preocupa: poder ser o alvo e sofrer danos nas suas redes sem ter sido atacado.

Ataques informáticos contra campanhas políticas para interferir em eleições são uma nova preocupação?
Essa não é a minha área de responsabilidade. Mas, sim, faz parte dos ataques: manipulação, desestabilização, sem que se saiba muito bem de onde vem e quem é capaz de o fazer. São coisas com as quais teremos de nos habituar a viver.

Quais os maiores desafios na área da ciberdefesa?
Para mim há dois. O primeiro são os recursos humanos: o recrutamento, a fidelização, e isto ao nível de cada país - os ministérios da Defesa precisam de pessoas para a securização da sociedade. O segundo desafio é ser capaz, dentro dos Estados, de aproximar os serviços competentes e de trocar, trocar, trocar informação. [Quando há um ataque] os primeiros a ter informações são as empresas de antivírus porque são alertadas pelos clientes. Depois é a polícia, porque recebe queixas, enquanto os agentes governamentais, que agem mais em ataques sofisticados, não estão na primeira linha. É muito importante, quando se é responsável por uma grande rede, avaliar rapidamente a situação, falar com toda a gente e trocar informações. A partilha é muito importante se queremos ter um dispositivo eficaz.

A cooperação entre Estados funciona?
Partilhar informações classificadas exige confiança e para haver confiança é preciso conhecer-se. Geralmente a partilha entre serviços secretos faz-se dois a dois. Depois há a cooperação entre serviços da polícia. E aqui a Europol tem um papel muito importante. A proliferação no caso do WannaCry foi feita com ferramentas vindas do mundo das secretas que foram dadas à comunidade dos hackers. Por isso é essencial essa cooperação e, depois, que cada serviço, agência governamental, ministério da Defesa ou polícia coopere com os homólogos estrangeiros num quadro jurídico que ainda não está bem estruturado. E aí há um papel muito forte que cabe à Europa.

Na criação desse quadro jurídico?
Na criação do quadro jurídico e das instâncias de partilha. É preciso uma política mais transversal na UE, um quadro global de coerência. É a esse nível que vamos conseguir obter boas informações e cooperar, fazendo emergir os grandes atores da cibersegurança na Europa.

Há alguma área em que a França seja mais solicitada em termos de cibersegurança?
Não há países-modelo. Na França reagimos rapidamente, estamos em guerra contra o terrorismo. Isso também muda a leitura das coisas. E usamos a arma informática. Somos, com os nossos camaradas britânicos, os mais maduros em termos de integração da arma informática no sentido lato nos procedimentos operacionais e nas nossas forças. Mas isso talvez aconteça porque somos a nação europeia mais envolvida militarmente, seja em África ou na luta contra o terrorismo.


http://www.dn.pt/mundo/interior/os­terroristas­exploraram­todas­as­vulnerabilidades­da­internet­8511065.htm

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Oracle corrige 299 vulnerabilidades em seus produtos


A Oracle bateu seu próprio recorde e lançou uma mega-atualização de seus produtos, corrigindo nada menos que 299 vulnerabilidades.
Entre as falhas de segurança está aquela que foi divulgada pelo coletivo hacker Shadow Brokers e supostamente teria sido usado pela NSA para espionar sistemas Solaris.
Para dar conta desse volume de atualizações, a Oracle publicou um único boletim de segurança,
com dados detalhados de todos os produtos afetados, incluindo Oracle Database Server,
Fusion Middleware, PeopleSoft Enterprise e, claro, o Java. Entretanto, um dos produtos com o maior número de vulnerabilidades corrigidas é o MySQL e o impacto destas falhas de segurança, se permanecerem sem serem atualizadas, é considerado crítico, permitindo que um agente externo hostil assuma o controle de sistemas.
Ao todo, foram corrigidas 39 vulnerabilidades do MySQL, 39 do Oracle Retail e 47 falhas de segurança do Financial Services. O Java, em comparação, teve apenas 8 brechas fechadas pela Oracle nessa atualização. Das 299 correções publicadas pela Oracle, a empresa afirma que pelo menos 100 delas podem ser exploradas remotamente por um invasor.
Das duas falhas de seguranças no Solaris que teriam sido usadas pela NSA no passado, a de codinome EXTREMEPARR foi corrigida agora pela Oracle. A segunda vulnerabilidade, batizada de Ebbshave, não apresenta mais riscos, tendo sido corrigida em atualizações anteriores e não afetaria em hipótese alguma o Solaris 11.
http://codigofonte.uol.com.br/noticias/oracle-corrige-299-vulnerabilidades-em-seus-produtos

Resiliência é palavra-chave para o futuro da segurança da informação


Resiliência é a capacidade de voltar ao estado natural depois de ter sofrido alguma
ação crítica, a habilidade de se recuperar e de se adaptar às mudanças.
Recentemente, autores e estudiosos da área de tecnologia criaram o termo “resiliência
digital”, relacionado ao fato de como as empresas devem enfrentar o risco, sobreviver
às ameaças e reduzir ao máximo os prejuízos causados pelos ataques cibernéticos.
Há pouco tempo, o foco da segurança corporativa era evitar o risco a qualquer custo,
barrar as ameaças e bloquear os ataques antes que estes acontecessem. No entanto,
o cibercrime evoluiu tanto e as ameaças se expandiram de tal forma que não é mais
possível conter o risco. De uma forma ou de outra o ataque vai acontecer, cabe às
empresas e equipes de TI enfrentarem a situação e seguirem em frente com o menor
dano possível.
Atualmente, todas as empresas, grandes e pequenas, estão inseridas em uma grande
cadeia produtiva global e ao entrarem nessa cadeia já estão assumindo o risco. Mesmo
se fosse possível blindar uma empresa contra todas as ameaças, alguns de seus
dados, em algum momento, seriam compartilhados com parceiros, clientes,
fornecedores, instituições financeiras, funcionários terceirizados, entre outros, e todos
eles também estão sujeitos a ataques.
Uma corporação pode ter uma estratégia de segurança muito bem planejada, mas
pode ser amplamente afetada se um dos seus fornecedores, distribuidores ou
prestadores de serviço, independentemente do porte, sofrerem algum tipo de ataque,
pois todos estão conectados.
Um ataque cibernético pode realmente destruir uma empresa ao bloquear o acesso a
dados importantes, vazar informações estratégicas, corromper dados financeiros, etc.
Além de parar a operação, pode também afetar seriamente a credibilidade da
companhia. Com milhares de novas ameaças sendo criadas a cada dia, o mais
importante no cenário atual não é evitar o risco, mas estar preparado para a reagir aos
ataques.
Toda estratégia de segurança deve ser elaborada considerando tripé: pessoas,
processos e tecnologia. A tecnologia só entra quando os outros dois pontos já
estiverem funcionando. Sem processos definidos e sem pessoas conscientizadas e
bem treinadas, a tecnologia não faz efeito. Diversas formas de ataques complexos e
avançados ameaçam as empresas mas, na maioria das vezes, é ao clicar em um e-
mail fraudulento que abrimos a porta para os cibercriminosos. A educação e a
conscientização já produzem um efeito significativo e com pouco investimento.
Existe uma série de medidas capazes de reduzir os danos no caso de um ataque. A
primeira regra é manter um processo eficiente de classificação de dados: definir quais
são os dados mais críticos para o negócio e cuidar do que pode ou não pode ser
compartilhado, saber onde está cada informação e quem tem acesso a cada dado
crítico. Além da classificação é preciso conhecer o tráfego da informação, criptografar
os dados mais estratégicos, investir em tecnologias contra ameaças avançadas no
endpoint e também nunca abrir mão da filtragem da web.
Os fornecedores de segurança também estão se adaptando às mudanças, criando
componentes mais rígidos e mais resistentes para aguentar o tranco. Soluções
automatizadas, plataformas integradas e o aumento da colaboração no setor também
estão entre os pontos que devem ser considerados para aumentar a segurança e
tornar as empresas mais resilientes.
As necessidades da segurança estão mudando rapidamente. O foco não é apenas
gerenciar e sim conviver com o risco, o trabalho da segurança não mais é impedir o
risco, mas sim tratá-lo de maneira inteligente, avaliar muito bem quais são as
vulnerabilidades e evitar o comprometimento de dados catastróficos.
http://www.administradores.com.br/noticias/negocios/resiliencia-e-palavra-chave-para-
o-futuro-da-seguranca-da-informacao/118426/

Governo terá plataforma única para cruzamento de dados no Poder Executivo - CD


De olho no cruzamento de dados e em uma solução única para toda a administração federal, o Ministério do Planejamento baixou uma regra que proíbe os órgãos federais de contratarem ferramentas de Big Data ou Analytics. A vedação faz parte do mais recente guia de boas práticas que orienta contratações de tecnologia da informação no governo, este voltado para fábricas de software. E tem como objetivo centrar esforços na plataforma unificada para o Poder Executivo, a ser apresentada nos próximos dias.

Dessa forma, a orientação diz expressamente que “fica vedada a contratação de soluções de armazenamento massivo de dados, tipo Big Data, e de análise de dados, estruturados ou não, tipo Analytics, por órgãos e entidades integrantes do SISP”. E conclui que “solicitações de exceção ao disposto no caput deverão ser submetidas pelo órgão ou entidade interessado, com as devidas justificativas, à apreciação da STI”.

Como explica a Secretaria de Tecnologia da Informação e Comunicação (nova roupagem da STI), a proibição se deve à proposta de “um modelo de prestação da solução em um único serviço que seja utilizado, de forma transversal, para beneficiar os órgãos integrantes do Sisp, promovendo a racionalização dos recursos públicos e cabendo à Secretaria de Tecnologia da Informação e Comunicação (Setic) a governança da solução”.

“Vamos pegar as 30 bases de dados mais utilizadas, vamos colocar em ambiente restrito, com segurança, vamos colocar algumas ferramentas de cruzamento de dados, e oferecer gratuitamente para que os ministérios, os órgãos, possam fazer o cruzamento para fazer politica pública”, explica o secretario de tecnologia da informação e comunicação do Ministério do Planejamento, Marcelo Pagotti.

De fato, o comando sobre os processos de compartilhamento e cruzamento de dados no governo federal ficou com a nova Setic, a partir da nova reestruturação do Ministério do Planejamento. Vai daí que a secretaria explica estar “trabalhando na oferta de uma Plataforma de Análise de Dados (GovData) com o objetivo de simplificar o acesso e avaliação de gestores públicos a diferentes dados governamentais”.

“Como a Setic fornecerá o serviço aos órgãos e entidades do Sisp, promovendo a racionalização de recursos públicos, é essencial a suspensão de outras iniciativas e contratações cujos objetos sejam relacionados às tecnologias de Big Data, Analytics e afins. Solicitações de exceção à vedação podem submetidas pelo órgão ou entidade à secretaria com as devidas justificativas.” 

http://www.convergenciadigital.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?
UserActiveTemplate=site&infoid=45030&sid=11

quarta-feira, 19 de abril de 2017

A grande ameaça à segurança cibernética pode ser você mesmo-Éder Elias Reinhart,




Um fator-chave na segurança cibernética é o comportamento de funcionários e colaboradores, o qual deve ser adequado por meio de regras e treinamentos

 Importante para qualquer tipo de empresa, a segurança cibernética é particularmente fundamental em companhias abertas. Sem que existam critérios e ferramentas que garantam a segurança de seus dados, esse tipo de corporação fica exposta a eventos dos mais variados tipos, desde a manipulação de seus dados financeiros ao vazamento de informações privilegiadas que podem afetar significativamente o desempenho de suas ações ou implicar em problemas legais e punições de órgãos reguladores.
A proteção necessária não é estabelecida apenas por meio da adoção de recursos tecnológicos. Um fator-chave na segurança cibernética é o comportamento de funcionários e colaboradores, o qual deve ser adequado por meio de regras e treinamentos. O mau uso da web, geralmente resultado de ingenuidade, é a principal via usada por criminosos que violam dados de empresas.
Principalmente em companhias abertas, os princípios de governança corporativa devem passar por todas as áreas. A de TI, além de fundamental para a execução de quaisquer atividades, é uma daquelas em que a adoção dessas regras se faz mais imprescindível. Se a tecnologia integra áreas essenciais à vida das sociedades modernas, uma fraude pode resultar num impacto igual ou até mais significativo que o seu benefício.
Os crimes cibernéticos mais comuns visam ganhos financeiros. Em geral, essas violações são realizadas por organizações criminosas que se tornam cada vez mais sofisticadas, tanto no que se refere aos crimes praticados quanto às formas que desenvolvem para não serem localizadas. A praga cibernética mais em voga atualmente é o sequestro de informações, também conhecido como ransomware. Sua execução parte de uma isca, como um e-mail ou um link em alguma página, o qual contém um cavalo de tróia, que, ao se instalar no PC, sequestra todos os dados que estão ao seu alcance, criptografando-os no próprio computador ou em toda a rede.
A partir daí, o usuário não consegue mais acessar suas informações e, no caso do ataque ter se proliferado por toda rede, ninguém conseguirá acessar coisa alguma. Para liberar as informações, os criminosos cobram valores em dinheiro, que, geralmente, devem ser pagos na moeda virtual bitcoin. Dessa forma, torna-se impossível rastrear o destino dos resgates pagos pelas vítimas ou mesmo localizar seus algozes.
Além da adoção de um backup externo, a defesa contra ataques cibernéticos demanda a adoção de boas práticas quanto aos acessos dos funcionários. Os softwares de antivírus não conseguem defender sozinhos o computador sem que as pessoas não o façam também. Embora cada vez mais sofisticados, os ataques buscam vulnerabilidades de ferramentas e, principalmente, brechas deixadas por usuários. Senhas baseadas em dados pessoais são um exemplo, já que, a partir de informações obtidas com o uso de robôs que vasculham redes sociais, como Facebook e Linkedin, hackers podem facilmente decifrá-las.
Além disso, nas redes sociais, pessoas expõem seus objetivos e, dessa forma, passam a receber spams relacionados, entre outros, às viagens que planejam fazer. Neles, chegam as iscas mais comuns, as quais direcionam para malwares, vírus, ransomware e outros. Há também o hábito comum de se usar a mesma senha para vários acessos. Basta que uma seja violada e a exposição será generalizada. Os funcionários precisam ser bem treinados e até se tornarem um pouco paranoicos neste sentido.
Outra prática temerária é transitar fora da empresa com dados – muitos deles importantes – levando-os em tablets, celulares ou notebook. Tais dispositivos requerem senhas fortes, com caracteres especiais, a fim de que impeçam seu uso após eventuais roubos ou furtos. Hoje, algumas empresas permitem que os colaboradores levem seu próprio dispositivo (computador, tablet, celular) para o trabalho, sistema conhecido como Bring Your Own Device (BYOD). Para se evitar riscos, além de contar com uma rede forte que detecte se há ameaças nestes dispositivos, todos devem ser orientados quanto à adoção de senhas sofisticadas e sobre a necessidade de substituí-las regularmente.
Os funcionários são o ponto mais fraco da segurança cibernética. Estar atento à forma como atuam é essencial para manter a reputação da companhia, seja junto ao mercado financeiro ou perante qualquer um de seus stakeholders.
Éder Elias Reinhart - Coordenador de TI da CIGAM Corporativa, empresa associada da Orchestra Soluções Empresariais que une prestadoras de serviços especializados e complementares focados na resolução de demandas de gestão.

http://securityreport.com.br/overview/mercado/grande-ameaca-seguranca-cibernetica-pode-ser-voce-mesmo/
 Redação, ⌚ 17/04/2017 às 15h37 - Atualizado em 17/04/2017 às 15h37