quinta-feira, 10 de outubro de 2013

PRINCÍPIOS DA GOVERNANÇA NA GESTÃO DO EXÉRCITO por Cel Novaes (EPEx)

Os conceitos de Governança derivam da Teoria da Agência, definida como um contrato no qual uma ou mais pessoas (o principal) emprega outra pessoa (o agente) para executar, em seu nome, um serviço que implique a delegação de algum poder de decisão ao agente. Os problemas de agência surgem, então, da relação entre proprietário e agente.
Outro conceito importante é o do Perigo Moral, segundo o qual há uma propensão, por parte do indivíduo, a expor um bem a um risco que não será assumido por ele, em caso de ocorrer. Visando a mitigar esses riscos é que companhias de seguro, por exemplo, cobram franquia em caso de sinistro. Voltando à Teoria da Agência, e segundo Eisenhardt (1989), pode haver conflito entre os interesses do acionista (principal) e o executivo (gestor ou agente) em função de riscos, assumidos pelo agente, que poderão causar perdas somente ao principal. Esses riscos serão agravados pela dificuldade de o acionista monitorar diuturnamente as atividades do executivo (assimetria de informações).
Governança Corporativa (GC), segundo o Código das Melhores Práticas divulgado pelo Instituto Brasileiro de GC, é o sistema pelo qual as organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre proprietários (acionistas), Conselho de Administração, Diretoria e órgãos de controle, e seus princípios são:
1. Transparência – é a garantia de disponibilização de informações pela Diretoria e Conselhos, relevantes para a tomada de decisão do acionista.
2. Equidade – é o tratamento justo e igualitário a todas as partes interessadas.
3. Accountability – é a prestação de contas pelo agente aos acionistas, por meio de relatórios e resultados, que devem ser divulgados na sua integralidade e submetidos ao escrutínio das partes interessadas.
4. Responsabilidade Corporativa – é o culto à sustentabilidade organizacional. Toda decisão, ainda que baseada na expectativa de criação de valor ao acionista no curto prazo, deve garantir a longevidade da organização.
Na prática, a GC se dá por meio de órgãos de controle dos agentes, instituídos pelos acionistas, que são o Conselho de Administração (CA) e o Conselho Fiscal (CF). O CA tem a responsabilidade precípua pela orientação geral dos negócios da companhia (principalmente por meio do estabelecimento de metas, no escopo da estratégia da organização), eleição e destituição a qualquer tempo dos diretores, escolher e destituir os auditores independentes, manifestar-se sobre os relatórios da companhia e as contas dos diretores etc. Ele é a interconexão entre a propriedade e a gestão, o guardião do objeto social e seu principal papel é orientar e fiscalizar as atividades da administração da organização no sentido de sempre promover os interesses dos acionistas, mitigando riscos para todas as partes interessadas, em particular ao principal, reduzindo o Perigo Moral.
Dentre as atribuições do conselho fiscal, as mais importantes são: fiscalização dos atos dos administradores e verificação do cumprimento de suas obrigações legais e estatutárias, opinar e proferir parecer sobre o relatório anual da administração, analisar as demonstrações contábeis periódicas etc.
O maior objetivo da GC é que a organização gere valor. Imaginar que esse valor é somente para o acionista é simplificar demais a visão, posto que este só receberá sua parte do valor após terem sido “descontadas” a porção da diretoria (incluindo os custos para incentivar e controlar o agente), produção (funcionários e fornecedores), Governo (impostos) e credores (os que aportaram o capital). E, logicamente, tudo isso só ocorrerá se os clientes atribuírem valor ao que foi entregue.
No setor público, segundo Magalhães (2011), a questão da governança também se apoia em conceitos da Teoria da Agência. Embora o agente deva tomar decisões em benefício do principal que, neste caso, é a sociedade, muitas vezes ocorrem situações em que os interesses dos dois são conflitantes, dando margem a um comportamento oportunista por parte do agente.
O Ministério do Planejamento, em seu site, define governança pública (GP) como o sistema que assegura, às partes interessadas pertinentes, o governo estratégico das organizações públicas e o efetivo monitoramento da alta administração. A relação entre a coisa pública e a gestão se dá por meio de práticas de medição, tais como auditorias independentes e unidades de controle interno e externo (grifos nossos), instrumentos fundamentais para o exercício do controle. A GP assegura às partes interessadas a equidade, a transparência e a responsabilidade pelos resultados, com obediência aos princípios constitucionais e às políticas de consequência.
Também nesse escopo, somando mais elementos à GP, a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), em vigor desde maio de 2000, estabeleceu a exigência de planejamento, prevenção de riscos, transparência, equilíbrio das contas e cumprimento de metas (grifos nossos).
Segundo a Constituição Federal de 1988, o titular do controle externo em nosso ordenamento jurídico é o Congresso Nacional (Art. 31, 70 e 71, caput), que se dá pelo controle político e financeiro da Administração Pública. O controle financeiro, que nos interessa neste trabalho, é exercido com auxílio do Tribunal de Contas da União (TCU).
Nesse contexto, o TCU, em cumprimento à sua missão institucional, avalia o desempenho dos órgãos e entidades jurisdicionados, assim como dos sistemas, programas, projetos e atividades governamentais, quanto aos aspectos de economicidade , eficácia , eficiência e efetividade dos atos praticados, com vistas a contribuir para o aperfeiçoamento da administração pública e para subsidiar os mecanismos de responsabilização por desempenho (Magalhães, 2011) (grifos nossos). Cumpre, dessa forma, parte das atribuições de um CA e do CF, no caso da GC.
Segundo o TCU, uma das principais ferramentas utilizadas para a fiscalização é a Auditoria Operacional, que é o exame independente e objetivo da economicidade (a), eficiência (b), eficácia (c) e efetividade (d) de organizações, programas (projetos) e atividades governamentais, com as finalidades de promover o aperfeiçoamento da gestão pública e fornecer à sociedade opinião independente sobre o desempenho da atividade pública (TCU, 2013). O TCU escolhe os objetos a serem fiscalizados que, além da capacidade de agregar valor à gestão, têm que possuir materialidade, relevância, e vulnerabilidade. A auditoria vai identificar os principais fatores que comprometem o desempenho do programa/órgão, de acordo com o diagrama a seguir:

Diagrama de Insumo/Produto (TCU, 2013)

O relatório da fiscalização é amplamente discutido com órgãos de controle interno, entidades da sociedade civil, academia e consultorias legislativas do Congresso e, posteriormente, submetido à Corte do Tribunal. A etapa de divulgação do relatório tem a finalidade de ampliar o conhecimento da sociedade sobre os resultados das ações avaliadas, contribuindo para aumentar a efetividade do controle, por meio da mobilização da comunidade no acompanhamento e na apreciação dos objetivos, da implementação e dos resultados das políticas públicas. Para aumentar a probabilidade de resolução dos problemas identificados durante a auditoria, seja pela implementação das deliberações do TCU ou pela adoção de outras de medidas de iniciativa do gestor, realiza-se o monitoramento, mediante o acompanhamento de um plano de ação, apresentado pelo gestor ao TCU, que formaliza as ações que serão tomadas para atender as deliberações (TCU, 2013).
Comparando os princípios de GC com aspectos previstos na Constituição, na LRF e na missão do TCU, além de compulsar a literatura existente, pode-se concluir que alguns princípios da GC, fundamentais para o alinhamento de interesse entre o principal e o agente, também são aplicados na gestão pública. Para dar um pouco de materialidade a isso, passa-se a estudar o caso da fiscalização do TCU ao Projeto Estratégico do Exército (PEE) Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras – Projeto SISFRON, orçado em doze bilhões de reais, com período de implantação previsto de dez anos.
Baseado na teoria sobre GC, os aspectos que comporão a fiscalização do TCU, iniciada por meio da Portaria de Fiscalização/Fase de Planejamento no 887, de 14/07/13, e constantes do Ofício de Requisição no 1-887/2013, de 17/07/13, serão organizados nos seguintes tópicos: problemas de agência e transparência/accountability.

Problemas de Agência
Aspectos fiscalizados pelo TCU
1. Posicionamento do SISFRON no âmbito da Política Nacional de Defesa (PND), Estratégia Nacional de Defesa (END), Livro Branco, Plano Estratégico de Fronteiras e Planejamento Estratégico do Exército.
2. Contexto orçamentário: programas e ações abrangidas no PPA e na LOA.
3. Estudo de Viabilidade realizado.
4. Diretrizes de offset.
5. Requisitos operacionais e especificações técnicas.
6. Projeto básico.
7. Principais benefícios para a sociedade (principal), bem como resultados para a gestão pública.
8. Relação dos materiais que serão importados e desenvolvidos pela indústria nacional.
9. Licitações e contratos já realizados.
10. Metodologia de gerenciamento de projetos ( Gestão de riscos, aquisições, premissas, linhas de base, EAP...)
11. Projeto-piloto e experimentação técnica do projeto.

Transparência e Accountability
Objetivos
1. Como são definidos objetivos.
2. Como é assegurada a conquista dos objetivos no interesse do principal.
Aspectos fiscalizados pelo TCU
1. Auditorias realizadas sobre o andamento do projeto.
2. Plano de Gestão de Riscos e Planejamento das Respostas.
3. Informações registradas no Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (SIOP).
Objetivos
De que maneira a organização presta contas à sociedade.


Algumas considerações adicionais sobre a Governança Pública no âmbito do Exército:
1. As ações referentes aos problemas de agência na GP são reativas, posto que o Exército possui autonomia administrativa e financeira e, com isso, tem a prerrogativa de definir seus próprios objetivos, ainda que o faça baseado em sua interpretação da PND, END, Livro Branco de Defesa Nacional (LBDN) e diretrizes recebidas do MD e do Governo em geral. No momento da auditoria em curso do TCU, por exemplo, o PEE SISFRON já se encontra em plena execução. No caso da GC, a definição da estratégia, objetivos e metas é atribuição do CA, e isso se dá previamente à ação da diretoria. O controle também é mais cerrado, posto que o CA tem a responsabilidade de acompanhar mais de perto os resultados em nome dos acionistas, enquanto que o TCU escolhe as ações que vai fiscalizar discricionariamente (também acolhe denúncias da sociedade em geral, diretamente ou por intermédio do Congresso).
2. Na GC, o CA não existe somente para monitorar. Também reduz o conflito de interesses por meio de incentivos financeiros (pagamento de bônus, por exemplo) à diretoria na materialização dos objetivos e no cumprimento de metas, além de ser encarregado de eleger e demitir diretores, enquanto que a GP somente pode aplicar punições e multas aos gestores que contrariarem aspectos de eficácia, eficiência, efetividade e economicidade (e outras irregulares e ilegalidades).
3. A accountability no sistema público é centrada no ordenador de despesas e no agente diretor, compartilhada com demais agentes da administração que compõem o rol dos responsáveis. Essas autoridades têm a obrigação de demonstrar que administrou ou controlou os recursos que lhe foram confiados em conformidade com os termos segundo os quais esses recursos lhe foram entregues. Também há prestação de contas anual.
4. O agente é quem fornece a maioria dos dados ao principal, logo, há uma assimetria de informação. Isso é minimizado pela Lei de Acesso à Informação, que preconiza que o paradigma é a transparência, e a exceção, a classificação da informação, além do SIOP, de portais de transparência e da obrigação do agente de justificar todos seus atos para a sociedade. A exigência da gestão de riscos (ISO 31000:2009) e sua transparência também contribui para disponibilizar informações.
5. Por último, busca-se o alinhamento de interesses por meio da exigência que as organizações definam e comuniquem seus planejamentos estratégicos (mantendo, logicamente, o nível de sigilo exigido por assuntos de Defesa), em particular a missão e a visão, os objetivos organizacionais, indicadores, metas e os projetos. A gestão de riscos e a medição do desempenho operacional vão agregar qualidade à GP e provocar o incremento de uma cultura de transparência e accountability na administração pública.
Concluindo, pode-se dizer que, tecnicamente, não há Governança Corporativa nos órgãos públicos, devido à inexistência de um CA específico para cada organização, mas muitos de seus princípios podem e devem ser aplicados na chamada Governança Pública. Também nesta área, o maior objetivo das organizações continua sendo o de entregar valor ao principal, neste caso, à sociedade. Na ausência de um CA, o maior representante do principal será o TCU, que conduzirá seu trabalho por meio de auditorias. No caso do Exército Brasileiro, que conta com capital intelectual dedicado exclusivamente para o planejamento estratégico, gestão orçamentária e gerência de portfólios e de projetos estratégicos, julga-se que os principais pré-requisitos para a governança existem. Resta às partes interessadas confirmar se, na fase de execução, isso é efetivo. É a intenção dessa Instituição entregar valor à sociedade por meio do cumprimento de sua missão e continuar sua transformação rumo à visão de futuro com economicidade, eficácia, eficiência e efetividade. Para tal, a Auditoria Operacional do TCU no PEE SISFRON, ora em sua fase de planejamento, poderá validar e/ou apontar oportunidades para o aperfeiçoamento da gestão deste e dos demais projetos, além de todo o sistema de planejamento estratégico.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Ministério do Planejamento. “MP Wiki”. Disponível em . Acessado em 03/08/13.
EISENHARDT, K. Agency Theory: An Assessment and Review. Academy of Management Review, 1989, Vol, 14. N 1, Pgs 57 a 74.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GOVERNANÇA CORPORATIVA. “Código das Melhores Práticas”. Disponível em . Acessado em 06/08/13.
MAGALHÃES, Renata Silva Pugas. “Governança em Organizações Públicas – Desafios para Entender os Fatores Críticos de Sucesso: o Caso do Tribunal de Contas da União”. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 2011.
ROSA, Eugênio. “Princípio da Economicidade”, Direito Legal. Disponível em . Acessado em 04/08/13.
TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. “Avaliação de Programas de Governo”. Disponível em . Acessado em 04/08/13.

Notas:
(a) O princípio da economicidade vem expressamente previsto no art. 70 da CF/88 e representa, em síntese, a promoção de resultados esperados com o menor custo possível. É a união da qualidade, celeridade e menor custo na prestação do serviço ou no trato com os bens públicos. É, também, a capacidade da contratação em resolver problemas e necessidades reais do contratante.
(b) Relação entre os objetivos e os resultados obtidos por um processo, projeto, sistema ou organização. A eficácia é atingida quando os produtos são alcançados conforme o planejamento.
(c) Relação entre os recursos empregados e os resultados obtidos por um processo, projeto, sistema ou organização. A eficiência é alcançada quando os insumos são manipulados de forma adequada para atingir os produtos.
(d) É o impacto trazido pelo resultado obtido por decisões. Difere da eficácia, pois esta apenas indica se o objetivo planejado foi atingido, enquanto efetividade relaciona-se com os resultados obtidos no emprego do produto ou na prestação do serviço, decorrentes do projeto, sendo traduzida pelo impacto causado pela ação adotada.

sábado, 5 de outubro de 2013

ONTOLOGIA E WEB SEMÂNTICA: O ESPAÇO DA PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO

Carlos Henrique Marcondes1 marcon@vm.uff.br
Maria Luiza de Almeida Campos2 marialuizalmeida@gmail.com

RESUMO
Discute o atual projeto Web Semântica, em especial as ontologias, a partir de uma trajetória r retrospectiva que remota à invenção do computador e da sua influência no imaginário da sociedade contemporânea como uma máquina dotada de inteligência. As tendências, limitações e desafios atuais do projeto e dessa visão, segundo diferentes autores, são apresentados e discutidos. São identificadas possíveis áreas de atuação para a Ciência da Informação, em especial para a construção de ontologias, a partir sua trajetória de pesquisa em áreas como organização/modelização de domínios de conhecimento e processamento semântico de informações por computadores.
Palavras-chave: Web semântica: Ontologia; Pesquisa em Ciência da Informação: Modelização de domínios de conhecimento: Processamento semântico de informações.
[...]
Conclusões
Existem vários caminhos para endereçar as questões colocadas aqui para o desenvolvimento de ontologias. Por um lado, se poderia caminhar-se para uma padronização das linguagens para representá-las, como o OWL. Outro caminho seria referenciar ontologias umas às outras, complementando-as, e cada ontologia específica à ontologias chamadas de alto nível, contendo conceitos mais genéricos e consensuais,com é explicitamente a proposta da Suggested Upper Merged Ontology (SUMO), http://www.ontologyportal.org/, ou de propostas como Basic Formal Ontology (BFO), http://www.ifomis.org/bfo, Cyc, http://www.cycfoundation.org/, WordNet - a lexical database for the English language -, http://wordnet.princeton.edu/.
Poder-se-ia ainda fazer todo um trabalho de informação no sentido de sistematizar e montar registros e bibliotecas de ontologias, prevendo sua padronização, a não duplicação de esforços, seu re-uso.
Uma outra linha de intervenção seria trabalhar em metodologias para o desenvolvimento de ontologias, uma área de pesquisa muito significativa, também conhecida como “ontology engeneering” (DEYEDZIC, 2002). Sendo o esqueleto básico de uma ontologia é uma taxonomia, Smith (2001) traça uma linha evolutiva desde simples vocabulários controlados até ontologias formais processáveis por programas, que incluem regras lógicas para restringir o significado de relações e propriedades.
Nesse aspecto a Ciência da Informação tem uma contribuição significativa a dar.
A pesquisa em ontologia hoje recoloca velhos problemas para as práticas de gestão de conhecimentos que vêem sendo utilizadas pela humanidade até hoje. Como adquirir conhecimento, como torná-lo consensual, validá-lo de uma forma consistente, para que ele possa ser re-utilizado? Como representa-lo e registrá-lo de forma a que ele possa ser re-utilizado? Como compatibilizar acervos de conhecimento; como somar suas sinergias? Quais os mecanismos sociais para isso? Novas formas tem sido tentadas, como indica D’Ascenzo (2004) para o processo de sequenciamento genômico. Essas questões, devido a sua abrangência, só podem ser enfrentadas a partir de uma ampla colaboração de saberes, dentro de uma visão interdisciplinar, para a qual a Ciência da Informação sempre esteve atenta.
Para que a Ciência da Informação possa contribuir com todo o seu potencial e experiência para o desenvolvimento da Web Semântica é necessário que a CI faça um movimento de se aproximar destas questões, de modo a compreendê-las mais claramente e qual poderia ser sua contribuição. Porém esta possível cooperação não é dada nem esta pronta. É necessária uma aproximação, engajamento em projetos comuns, claramente de caráter interdisciplinar, testar as metodologias no uso comum para que possam ser aperfeiçoadas e se tornem operacionais.
A Web e, em especial, o projeto Web Semântica, mais do que avanços tecnológicos, se constituem em marcos culturais profundos. Uma das questões mais sérias aí colocadas é a questão do conhecimento, dos novos modos de conhecer, dos novos modos de armazenar, preservar e ascender ao conhecimento. É neste cenário, balizado pelo surgimento do computador, as chamadas ciências da concepção – a tanto a Ciência da Computação quanto a Ciência da Informação, conforme Gómez (2003). A Ciência da Informação vem de uma origem claramente marcada pelo uso do computador para o processamento de informações, vem evoluindo na direção de enxergar os fluxos de informação dentro de contextos sociais mais amplos. Essa parece ser também a trajetória da Ciência da Computação. Como coloca Guarino (1995):
“ontologia e modelagem conceitual necessitam ser estudadas a partir de uma perspective altamente interdisciplinar”*. Essa sempre foi a perspectiva da Ciência da Informação. Assim colocada, essa perspectiva faz antever um feliz encontro das duas disciplinas.
PontodeAcesso, Salvador, v.2, n.1, p. 108-137, jun./jul. 2008.
www.pontodeacesso.ici.ufba.br
p. 131

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Os Bagos Frigentes por Frederico C. W.

Dizem que a Nação é viúva; e nessas horas eu penso que é também desamparada. São
tantos e tamanhos os absurdos diários que aparecem nos veículos de informação, que já
estamos ficando acostumados. Insensíveis. Quiçá, dopados.
Aparentemente o povo acordou num sobressalto e deu um grito de basta! a toda essa
bandalheira, há alguns meses. Ficou pública e notória a insatisfação da maioria dos
brasileiros com a atual situação. Mas o absurdo é tão grande, que conseguiram diluir e
distorcer os protestos a tal ponto, que tudo pareceu uma arruaça inconsequente. Fizeram
parecer que o objetivo era o quebra-quebra. A mídia, normalmente comprada, escondeu por
longo tempo as verdadeiras reivindicações populares e, quando não pode mais contê-las, fez
parecer tratar-se de uma briga por interesses de classes. Os partidos políticos se
locupletaram gananciosamente da súbita publicidade do evento e mostraram suas bandeiras,
como se fossem os arquitetos do movimento.
Tudo passou, como se fosse uma tempestade. As manifestações recentes já não
chamam mais a atenção. Os estádios da FIFA andam lotados e já não causam mais
indignação. Foi tudo como uma constipação. Aí veio uma grande diarreia, levou tudo.
Acabou.
Quem estava indignado, continua indignado. O acomodado, continua acomodado. E
nada mais . . . parece até A Banda, do Chico Buarque.
Recentemente, um sopro de mudança. Estava no ar um sentimento de transformação.
O Poder Judiciário sinalizava ao país que os desmandos e os descalabros estavam
estertorando, em nome de uma nação mais séria, mais madura. A grande súcia do propalado
mensalão seria, finalmente, penalizada por sua arrojada e duradoura trajetória no
descaminho - o que é muito próprio dos que apostam na impunidade. O Brasil estava por
conhecer uma nova fase: a da responsabilidade e da efetividade das leis. Mensaleiros na
cadeia! Quem dera . . .
Duzentos e tantos anos atrás, um Joaquim fez tremer a nação, que se rebelou contra a
aviltante soberania estrangeira. Pagou com a vida. Mas a Terra de Santa Cruz nunca mais foi
a mesma.
Semana passada, outro Joaquim em cena. Este, nos decepcionou. Deixou prevalecer a
impunidade, em detrimento da justiça. Permitiu que uma alcateia disfarçada banqueteasse
sobre os despojos morais da nação, diante de milhões de brasileiros atônitos e
decepcionados. Demonstrou claramente que esse vértice da república também está
contaminado e inerme para fazer vigorar a ordem. Tampouco, o progresso.
Deram o solene nome de Embargos Infringentes a essa omissão histórica,
perpetrando mais um golpe na terra do Cruzeiro do Sul.
Não há razão para pânico. Não adianta. Não há razão para indignação. Não resolve.
Só resta a vergonha de sermos apontados, mais uma vez, como um dos mais corruptos e
hipócritas países do mundo. Nisso somos bons. Insuperáveis.
A verdade é que o cidadão de bem já não tem mais paciência de esperar pelo dia que
isso irá ter um fim. Tudo tem um limite, e se frigir é o mesmo que fritar, podemos dizer que
nossos bagos estão frigentes de tanto esperar.
Delenda est Carthago!
Frederico, o indignado

sábado, 31 de agosto de 2013

Viagem do Leo à Bolívia e Peru

http://www.youtube.com/watch?v=_Sz0sNQXxt8

domingo, 4 de agosto de 2013

Projeto para fronteira: Manda Byte não emplacou Startup Brasil

veja em http://www.bookess.com/read/17267-manda-byte-um-projeto-startup-brasil-descartado/

quinta-feira, 25 de julho de 2013

The Army Day - What is it? (treinando inglês)

Once a year, since 1992, military people of all Army Units have been aligned at a parade to celebrate April 19, the first time Brazilian people had tried to banish from the Northeast of country the Dutchman invaders. It was the year 1648 and the West Indian Company had paid much money to Mr Mauricio de Nassau to trade the sugar supply to Europe.
The "cycle of sugarcane" had started in Brasil Colonial (settlement) and Portugal and Spain had unified their crown which turned Netherlands a potential enemy. Than, the headquarter's staff has considered the Guararapes Battle the birth of Brazilian Army the most important event to the celebration. Medals were distributed to the partners and sponsors who aided the Army to accomplish its goals.
The party has been composed by parades, friendly lunches and dance dinners too. There is same speech and they raise their glasses to themselves when they proposed to Army's members health and long life.
Finally, you would be welcome to all unit quarters on this meeting date, to joint the activities of the project: Soldier for a day. Come on! (Alairto by Army Press)

domingo, 14 de julho de 2013

Successful man (da série treinando inglês)

We have been listening that the success is the victory of the war, is winning the games, is getting married to the most beautiful girl of the school or dealing good contracts of multinational companies.
That's true, in the eyes of materialistic people. From my point of view, success is feeling inside. It is professional achievement with simple projects and rounded process. Success is for a man to maintain long lasting marital relationship with one wife and see his children grow up well and be respectful of social rules.
You have enough to meet the needs of the family and share with brothers, neither forgetting about God, nor stealing. The saying goes, each head a sentence, so every one knows one's own life and how to enjoy it for good.
I was happy and didn't know...we hear sometimes. Being grateful and recognizing the value of others around us have been the secret of the success for me. Finally, I wish you would be happy longer! (by Alairto on a soft mood)