terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Macroeconomia II

Exercício 1 (do pedido ATVECONOMIA7ªTURMA2006) Quais são os instrumentos de controle de política monetária? E como eles afetam a atividade econômica? R: 1) Incentivo/Restrição ao Crédito; 2) Compra/Venda de Títulos Públicos; 3) Depósitos Compulsórios; 4) Taxa do Redesconto; 5) Taxa de Juros. Como? 1) Se o governo deseja expandir a ovinocultura, p.ex., cria incentivos para a concessão de créditos aos produtores rurais de determinada região. Caso deseje restringir o consumo de bens duráveis, p.ex., cria instrumentos que restrinjam o acesso ao crédito para compra desses produtos. 2) Ao comprar títulos do público, o Banco Central promove política monetária expansionista, pois entrega dinheiro em troca dos títulos. Ao contrário, para enxugar a liquidez do sistema, pode vender títulos de sua carteira própria, entregando papéis e recebendo dinheiro, que é tirado de circulação. Através da compra, injeta dinheiro. Pela venda, retira dinheiro de circulação. 3) Esse instrumento tem o objetivo de diminuir o poder que os bancos possuem de multiplicar o dinheiro em circulação, através dos empréstimos, possibilitando ao Banco Central manter o controle da quantidade de dinheiro em circulação. 4) Se a taxa é baixa e o prazo é longo, os bancos podem se expor a riscos maiores, aumentando os empréstimos e, por conseqüência, a quantidade de dinheiro em circulação. 5) A taxa de juros tem efeito direto sobre a poupança, influenciando a remuneração do capital, e sobre os investimentos, influenciando o custo do capital. Para estimular o consumo e os investimentos, as taxas de juros devem ser mais baixas. Exercício 2 Um saldo superavitário em transações correntes causa impacto sobre a quantidade de moeda (R$) em circulação no país? De que forma? R: Sim, porque ao obter superávit, o Brasil passa ao mercado global sinais de que terá dólares suficientes para honrar sua dívida externa. Mais dólares na economia provocará uma pressão pela valorização cambial da moeda nacional, propiciando o aumento das importações e a tendência de equilíbrio na balança de pagamentos. Mas, com o aumento das exportações e da receita, cresce a necessidade de mão-de-obra e, conseqüentemente, poderá haver reflexos positivos em relação aos empregos e ao consumo de bens e serviços no mercado interno. Exercício 3 Quais seriam as conseqüências para a economia real, caso o governo e o Banco Central adotassem políticas fiscais e monetárias de natureza expansionista? Explique. R: Provavelmente ocorreria crescimento econômico com maior endividamento da população e a inflação subiria. Tal tipo de política fiscal visa ao aumento da renda por meio do aumento dos gastos públicos, pela redução da carga tributária ou pela redução da taxa de juros e depreciação cambial. A quantidade de dinheiro em circulação é aumentada, aquecendo o consumo e incentivando o crescimento. Uma política monetária expansionista aumenta o volume de recursos à disposição do sistema bancário. A expansão monetária também melhoraria a situação patrimonial das empresas, tornando-as capazes de prolongar suas cobranças, para compras no crédito direto ao consumidor, alavancando suas decisões de investimento, constituindo-se em acelerador financeiro. Exercício 4 As taxas reais de juros elevadas sempre favorecem aos bancos? Conceitue “juros reais” e spread bancário. Explique. R: Normalmente, sim. Os bancos repassam todos custos aos tomadores de empréstimos e subtraem seus lucros antes de remunerarem os aplicadores. Mesmo ocorrendo a diminuição da quantidade de dinheiro em circulação, eles ganham, quando o governo estimula a poupança e ao eleva os custos dos investimentos. Os juros reais são o resultado do desconto, na taxa atual, das projeções futuras ou dos dados correntes de inflação. De maneira simplista: é o valor que supera a desvalorização monetária em um determinado período de tempo. Spread bancário é a diferença entre as taxas de juros básicas (captação) e as taxas finais (custo do tomador). Esse spread é constituído basicamente por: impostos, custo administrativo do banco, taxa de risco e o lucro dos bancos. Exercício 5 No Brasil, os economistas são considerados “liberais” ou “desenvolvimentistas”. Os primeiros acreditam no mercado como instituição eficaz para maximizar o crescimento econômico. Os segundos acreditam que o Estado é mais eficaz e, portanto, deve intervir diretamente na formação dos preços, câmbio e juros. Qual é a sua opinião? Aponte três conseqüências para a economia, se as decisões econômicas forem liberais ou desenvolvimentistas. R: Os dois ramos podem ter seus princípios aplicados na condução da economia brasileira. O Estado só deveria intervir na economia para coibir os monopólios que impedissem a livre circulação das mercadorias. Já uma política desenvolvimentista prevê uma intervenção do Estado: na produção, na distribuição da riqueza, medidas protecionistas e a existência de monopólios. Conseqüências, se as decisões econômicas forem liberais: – cortes de impostos, de encargos trabalhistas e de gastos públicos; – abertura do país em termos comerciais, financeiros e tecnológicos ao exterior; – atração da poupança estrangeira para ajudar no desenvolvimento do país; – aumento das reservas internacionais; – maiores liberdades de comércio e de produção;e – redução da interferência do Estado. Conseqüências se as decisões econômicas forem desenvolvimentistas: – redução da taxa de juros; – maior controle de capitais; – programa de dispêndio público a partir da redução do superávit primário; e – maior participação do Estado, na Economia. Exercício 1 (do livro da professora) Quais são os impactos sobre o nível de atividade econômica e sobre o nível geral de preços (inflação) quando o Banco Central decide por alterar alguns dos instrumentos de política monetária? Comente e exemplifique. R: A relação “dívida pública/ PIB” não declinou de 2005 para 2006, devido a manutenção das altas taxas de juros (Selic) durante todo o ano. Chegaram a 18% ao ano (aa), em dezembro de 2005 e fecharão dezembro de 2006, pouco acima de 13% aa. Isso acaba aumentando o endividamento do setor público (R$ 1.002,5 bilhões em 2005 - ante R$ 957 bilhões em 2004), e vem inibindo o crescimento da economia. Por outro lado, as mesmas taxas de juros têm restringido o consumo e consequentemente, mantido baixa a inflação (5,69% em 2005), mesmo com o afrouxamento dos compulsórios bancários. Espera-se aumento da inflação para 2007, se nosso presidente quiser cumprir meta de crescimento de 5%. Só o fato dele prometer isso já assusta os encarregados (do Min Planejamento, da Fazenda e do BC) por zelarem pela política econômica, como exemplo. ALAIRTO ALMEIDA CALLAI – Cel CPAEx/EAD – 7, Turma - 2006 Refr: Roxo Matesco, Virene. Economia. Rio de Janeiro: FGV – Nov/2006.

Análise da macroeconomia brasileira em 2002

Exercício 1 – Escolha um ano e preencha o quadro abaixo. Utilize os dados sobre balanço de pagamentos da Revista Conjuntura Econômica, págs. XVI e XVII. Analise e comente a situação externa do país, em até 10 linhas. R: Ano: 2002 Fonte: BC US$ Milhões 1. Balança Comercial – saldos 13.127,00 a. Exportações de bens e serviços 60.362,00 b. Importações de bens e serviços 47.235,00 2. Balança de Serviços – saldos -23.229,00 a. Receita de Serviços 12.901,00 b. Despesas de Serviços 36.130,00 3. Transferências Unilaterais – saldos 2.390,00 4. Transações Correntes – saldos Contas 4 = 1 + 2 + 3 -7.712,00 5. Conta Capital e Financeira – saldos 8.004,00 6. Erros e Omissões (ajuste / estornos) – saldos 0,00 7. Saldo Final do Balanço de Pagamentos Contas 7 = 4 + 5 + 6 292,00 Reservas Internacionais – Posição em: 31/12/2002 Liquidez 37.823,00 Líquidas Ajustadas 16.339,00 Em relação à situação externa do país, verificamos que as Transações Correntes ocorridas em 2002, entre residentes e não residentes, está negativa em função da elevada das Despesas de Serviços, que corresponde a quase três vezes o valor das Receitas de Serviços. Somando o saldo da Balança Comercial (13.127,00) com a balança de Serviços (-23.229,00) e com o saldo das transferências Unilaterais (2.390,00), teremos o valor de US$ -7.712,00 (negativo). Daí, concluir-se que, as aludidas despesas, provavelmente, sejam em favor de empresas estrangeiras, tendo em vista o valor das Importações de Bens, apesar de o saldo da Balança Comercial ainda ser positivo. Para melhorar-se esta situação, poderiam ser adotadas medidas que privilegiassem as Exportações e, ao mesmo tempo restringir-se-iam as Importações. A redução dos gastos públicos também serviria para melhorar este quadro. Poder-se-ia, ainda, reduzir despesas com Serviços, ao mesmo tempo em que se fomentaria este setor, que tende, cada vez mais, ser o mais importante nesse momento de mercado global. Exercício 2 – Responda em até 10 linhas. Quais são as vantagens e as desvantagens da abertura econômica do país, analisando as contas externas do Brasil ao longo das décadas de 80, 90 e anos 2000 a 2004. (mudou) R: Vantagens: integração aos fluxos de capitais em busca de fontes de aplicação rentáveis nos países em desenvolvimento; aumento da produtividade das empresas; modernização do parque industrial; redução dos compromissos empresariais do Estado; alinhamento com as mega-mudanças globais; melhoria na liquidez das reservas internacionais; ampliação em relação ao investimento estrangeiro; melhoria na qualidade dos produtos; ampliação da concorrência no mercado doméstico; e maior diversificação dos produtos. Desvantagens: vulnerabilidade externa; maiores despesas com importações; reflexo negativo na balança de serviços; eliminação de empresas de reduzida capacidade competitiva; e expansão da carga tributária de 22% para 37% do PIB. Nos anos 80 quando houve grande intervenção estatal elevando a dívida externa e necessitou-se recorrer ao FMI. Observa-se que ocorreram déficits na Balança de Pagamentos, em face ao grande dispêndio de divisas estrangeiras com importações de petróleo. Nos anos 90 o país encontrava-se sem credibilidade internacional em face da moratória de 1987 e em 1998 o país perdeu enormes volumes de reservas internacionais, em decorrência da crise externa (México e Argentina) e do regime de cambio em bandas. A economia do país vivenciou a maior abertura econômica da história do país com Collor, propiciando a modernização da economia e o fim de protecionismos. Mas pagou-se um preço por isso, por não garantir-se na OMC os mecanismos de incentivos à sobrevivência da agro-indústria própria, como adotam os países mais desenvolvidos. Optou-se por trocar as “carroças” sem exigir-se nível mínimo de nacionalização industrial. O parque industrial brasileiro tornou-se o maior montador de produtos acabados da América Latina, mas o empregos são coreanos, tailandeses, indianos e chineses. Nos anos de 2000 a 2004 a abertura econômica provocou déficits na balança comercial e a necessidade de se adequarem as taxas de câmbio. O aumento das exportações trouxe a recuperação da Balança Comercial e o superávit nas Transações Correntes. Exercício 3 – Responda em até 10 linhas. A performance do Balanço de Pagamentos depende da taxa de câmbio e das taxas internas e externas de juros e do nível de atividade econômico do país e de outros países? Discuta. R: A desvalorização (ou valorização) da moeda nacional eleva ( ou reduz) o preço das divisas estrangeiras, com a conseqüente queda (ou expansão) do valor relativo. Esse comportamento terá influência direta nas importações e exportações, uma vez que estando o Real valorizado em relação à moeda estrangeira, as importações serão estimuladas. A taxa de câmbio efetiva mensura a ponderação das diversas taxas reais de câmbio, de acordo com a importância dos parceiros comerciais. As taxas de juros internos e externos terão influência na atração, ou não, de investimentos financeiros do exterior. Quanto mais alta a taxa de juros internos em relação a de outros países, maior será a probabilidade de atração de investimentos externos. Considerando que o nível de atividade econômica está relacionado com a capacidade de produção, em associação com a produção. Se este nível aumenta, poderá elevar a oferta de bens e serviços e a renda, com reflexos favoráveis à demanda agregada. O balanço de pagamentos retrata fielmente as transações econômicas de um país com o resto do mundo. Exercício 4 – Responda em até 10 linhas. O Brasil possui uma “razoável” inserção comercial e financeira internacional? Apresenta alguns indicadores que justifiquem sua resposta. R: Com relação a inserção financeira, observa-se que a Conta Financeira do Balanço de Pagamentos vem apresentando superávits, em face das privatizações que foram realizadas e em face do país estar conseguindo atrair investimentos externos por sua política de taxa de câmbio e de juros internos elevados. Como exemplo de indicador financeiro, o Relatório da Conferência sobre Comércio e Desenvolvimento da ONU, de 2002, indica que do volume de investimentos externos direcionados para a América Latina e Caribe num total de US$ 56 bilhões, 29,64% vieram para o Brasil. Desta forma pode-se considerar que o país tem “razoável” inserção financeira internacional. Quanto a inserção comercial, o desempenho é pífio. Apesar de ser a 14ª economia (PIB), participa com menos de 2% no comércio mundial. Desde 1975 o Brasil vinha apresentando sucessivos déficits nas Transações Correntes, que só vieram a se tornar superávit a partir de 2003. Isso significa que as Balança Comercial (importações e exportações) e de Serviços (receitas e despesas) estavam gerando saldos negativos. Pode-se atestar que o país não possui “razoável” inserção comercial. Exercício 5 – Responda em até 10 linhas. Quais são as vantagens e as desvantagens para o Brasil manter um elevado nível de reservas internacionais? (mudou) R: Vantagens: – precaução face possíveis crises externas; – possibilidade de equilibrar o saldo da balança de pagamento, no caso de um eventual déficit; – possibilidade de intervir no mercado de câmbio para gerar uma situação mais favorável da taxa de câmbio a seus interesses comerciais e políticos; – acumulação de reservas internacionais em um momento de alta taxa de juros; e – como fator de estabilização da economia. A principal vantagem é no aumento da credibilidade do país no comércio internacional. Desvantagens: – reflexos negativos, por se manter uma taxa de câmbio pouco flexível; e – maiores dificuldades para o crescimento econômico. A principal desvantagem tem a ver com o custo de expansão na quantidade de moeda circulante, uma vez que as reservas cambiais fazem parte do passivo do balanço do Banco Central. Exercício 1 (pedidos do livro da Professora) Escolha um ano e preencha o quadro abaixo. Utilize os dados sobre balanço de pagamentos da Revista Conjuntura Economica, págs. XVI e XVII. Analise a situação externa do país, em até 10 linhas. R: Idem 1 acima Exercício 2 Responda em até 10 linhas. Quais são as vantagens e as desvantagens da obtenção de saldos superavitários na conta transações correntes do balanço de pagamentos? Explique. R: Vantagens: Fornece liquidez internacional para uso dos residentes nacionais. A moeda possibilita a realização de trocas extensas e, por conseguinte, de uma enorme especialização na produção e diversificação no consumo entre mercados. O Balanço de Pagamentos encontra-se equilibrado em seu conjunto quando eventuais déficits ou superávits em transações correntes, são cobertos pelo movimento de capitais autônomos. Capital externo sem objetivo de cobrir desajustes ou capitais compensatórios ou induzidos, destinados a cobrir saldos deficitários no BP. O déficit na conta de comércio depende também da taxa de câmbio e de outros custos relativos para o exportador e o importador. Porém, há uma relação direta entre o nível de atividade econômica e o de importação. A saúde da economia de um país é avaliada, no longo prazo, pelos sucessivos superavits anuais no saldo das suas contas correntes. Desvantagens: As transações ocorridas no balanço de pagamentos (BP) afetam diretamente a Renda Nacional. Quando a aquisição de uma empresa estatal é feita por capital estrangeiro (privatização) há impacto positivo sobre a conta de capital do balanço de pagamentos, daí o equilíbrio irreal na conta “transações correntes” do governo de FHC, graças ao (irresponsável) programa de privatização. Exercício 3 Quais são as vantagens e as desvantagens para o Brasil manter um elevado nível de reservas internacionais? Compare as reservas internacionais do Brasil com as de outros países. R: Vantagens: Os empréstimos internacionais serão benéficos quando o seu valor é investido de forma produtiva. Se o fluxo for positivo significa que o país está recebendo recursos que podem ser utilizados para pagamento da dívida externa ou para realizar investimentos no exterior. A taxa de câmbio valoriza-se, e a taxa de juros começa uma trajetória de queda; as receitas públicas crescem; o país apresenta superávit fiscal; nas empresas, a prioridade é substituir os insumos importados por nacionais. Credibilidade, enfim. Desvantagens: O Capital volátil é aquele que se transfere instantaneamente de um lugar (ou país) para o outro em função de modificações de taxas de juros e dos riscos dos negócios. Porque estas oscilações podem trazer enormes prejuízos aos investidores. O país solicitou ajuda ao FMI, e este exigiu em troca o controle do déficit público e da inflação (perda da soberania). Se o fluxo for negativo, então há necessidade de buscar capital estrangeiro e/ou diminuir as reservas internacionais. Senão, o consumo futuro terá de ser reduzido para pagar a dívida externa futura. Assim, essas oscilações representam riscos para o investidor, que para não diminuir suas aplicações exige maior retorno (juros maiores, mais atrativos). O diferencial entre a taxa de juros interna e externa é determinante para atrair-se o capital estrangeiro, porém outros fatores, como a desvalorização cambial, o intervencionismo do Estado e o risco interno, são também relevantes. E a remuneração destes recursos saem do produto interno, através da carga tributária (na forma de impostos indiretos, sobre o consumo dos bens: alimentos, habitação e transportes), que acabam por onerar a população de forma indiscriminada (o imposto do rico e pobre é o mesmo, sobre estes bens). O Banco Central é forçado a alterar o regime cambial, cresce a desconfiança frente a uma possível moratória, a taxa de câmbio dispara, há inflação, a dívida interna pública cresce, o caos. Em suma, a possibilidade de manipulação (prejudicial) do câmbio. Hoje, flutua próximo de 75 bilhões de dólares as reservas do Brasil, semelhante às do México, dos Tigres Asiáticos e aos demais integrantes do G20. As reservas em dezembro de 2002 eram de US$ 37,8 bilhões (com US$ 21,5 bilhões de dívida com o FMI), sendo as reservas ajustadas de US$ 16,3 bilhões. Em setembro de 2006 estavam em US$ 73,4 bilhões (sem dívida com o FMI), sendo as reservas ajustadas de US$ 73,4 bilhões. ALAIRTO ALMEIDA CALLAI – Cel CPAEx/EAD – 7, Turma - 2006 Refr: Roxo Matesco, Virene. Economia. Rio de Janeiro: FGV – Nov/2006.

Exercitando em economia: - Eca!

Exercício 1 – Vamos conhecer a performance de um país hipotético ... Era uma vez, um país que: De toda a produção, fabricação e criação de bens e serviços finais num certo ano, medida denominada de PIB a preços de mercado (Pm), um percentual de 18,04% foi destinado a realização de investimentos produtivos. Este percentual representou em valores nominais correntes um total de $273,3 bilhões. Do montante investido ($273,3 bilhões), 25% foram realizados pelo setor público (federal, estadual e municipal) e o restante pela iniciativa privada (empresas privadas nacionais e estrangeiras). Ambos, juntos, destinaram 11% para as despesas com manutenção, reposição e depreciação da capacidade instalada existente, os chamados investimentos em depreciação (Id). Logo, o restante foi destinado à novos investimentos, os chamados investimentos líquidos (IL). Do total produzido, um montante bem representativo foi destinado ao Consumo Final da sociedade (C). As despesas realizadas com bens e serviços destinados ao Consumo Final das famílias, empresas e do governo remontaram a 81,96% do PIB (Pm). Em valores nominais, as despesas em Consumo Total (C) totalizaram $1.241,7 bilhões. 1) Qual é o valor monetário da atividade econômica deste país, sabendo-se que o PIB (Pm) é o somatório de tudo que é produzido, fabricado e criado de bens e serviços finais destinados à consumo e a investimentos? PIB (Pm) em Bilhões = Consumo Total + Investimento Produtivo (C+IP) IP = 273,3 bi CT = 1.241,7 bi PIB (Pm) em Bilhões = 1.241,7 + 273,3 Resposta: PIB (Pm) = $1.515,00 bilhões 1.1) Qual foi a participação setorial no PIB (Pm), sabendo-se que 8,6% foram realizados pelo primário, 37,5% pelo industrial e o restante pelos setores de serviços e comércio? SETORES Percentual em relação ao PIB (Pm) Valores em bilhões ($) Primário 8,6% 130,29 Industrial 37,5% 568,13 Serviços e Comércio 53,9% (100-46,1) 816,59 Total 100% 1.515,00 2) Qual é o valor monetário líquido de tudo que foi produzido, fabricado, criado neste país (PIL Pm)? PIL (Pm) = PIB (Pm) – Id (depreciação) PIL (Pm) = 1.515,00 bilhões – (11% de 273,3 bilhões) PIL (Pm) = 1.515,00 bilhões - 30,06 bilhões Resposta: PIL (Pm) = $ 1.484,94 bilhões 2.2) Qual é o valor do PIB a custos de fatores (Cf), sabendo-se que a carga tributária é de 37,5% do PIB (Pm). Como não há país auto-suficiente, independentemente de seu nível de desenvolvimento, o país em questão necessitou adquirir do exterior 13,12% do PIB (Pm) em bens e serviços (acabados ou não). Da produção total, PIB (Pm), naquele ano, 16,86% em bens e serviços (acabados ou não) foram vendidos para o mercado externo. Obviamente, o restante foi destinado ao mercado local. PIB (Pm) = PIB(Cf) + Impostos Indiretos - Subsídios PIB(Cf) = PIB (Pm) - Impostos Indiretos + Subsídios Impostos Indiretos = carga tributária = 37,5 % do PIB (Pm) = 568,13 Subsídios - não mencionados PIB (Cf) Bilhões ($) A B Total (A-B) PIB (Pm) Impostos Indiretos 1.515,00 568,13 946,87 Resposta: o valor do PIB (Cf) é de $ 946,87 bilhões 3) Qual é o saldo final em valores monetários das transações correntes, importações e exportações de bens e serviços (acabados ou não)? Informações Correspondência Percentual (%) em relação ao PIB (Pm) Saldo Final Bilhões ($) Aquisição no exterior = Importação 13,12 198,77 Venda ao mercado externo = Exportação 16,86 255,43 Restante destinado ao mercado interno/local = Transações Comerciais 70,02 1.060,80 Soma 100,00 1.515,00 Exportações - Importações = saldo > 255,43 -198,77 = 56,66 bi Resposta: o Saldo final das transações correntes é de $ 56,66 bilhões positivos 4) Do total importado 8,66% do PIB (Pm) referem-se a fatores de produção (máquinas, equipamentos, matérias primas, insumos básicos, tecnologia, recursos financeiros e etc). E do total de exportação, 5% do PIB (Pm) referem-se exclusivamente a vendas ao exterior de fatores da produção. Qual é o saldo das transações com o exterior, segundo a ótica: a)“Fatores de produção”; e b)“Não Fatores da Produção” 1º) PIB (Pm) = $ 1.515,00 bilhões. 2º) Do total importado, 8,66% do PIB (Pm) referem-se a fatores de produção. 3º) Do total exportado, 5% do PIB (Pm) referem-se exclusivamente a vendas ao exterior de fatores da produção. Valores - Bilhões Percentual PIB (%) Fatores de Produção Não Fatores da Produção Exportação 255,43 5,00 (PIB) 75,75 179,68 Importação 198,77 8,66 (PIB) 131,19 67,58 Saldo (Exportação - Importação) - 55,44 112,1 Portanto: o saldo dos Fatores de Produção é negativo, de - 55,44 bilhões e, o saldo dos Não Fatores de Produção é positivo, em $ 112,1 bilhões. 5) Qual é o valor monetário da Produção Nacional Bruta (PNB Pm)? PNB(Pm) = RNB = ∑ dos Fatores de Produção Do total importado - 8,66% do PIB (Pm) referem-se a fatores de produção. Do total exportado - 5% do PIB (Pm) referem-se exclusivamente a vendas ao exterior de fatores da produção. PIB(Pm) = $ 1.515,00 Produto Nacional Bruto (PNB) = Renda Nacional Bruta Renda Nacional Bruta (RNB) - remuneração pelo uso dos fatores da produção. Valores - Bilhões Percentual (%) Fatores de Produção Exportação 255,43 5,00 75,75 Importação 198,77 8,66 131,19 SOMA 206,94 Somando-se os Fatores de Produção de Exportação (75,75) com o de Importação (131,19) temos: $ 206,94 bilhões, que deverão ser subtraídos da RNB. Resposta: PNB(Pm) = RNB - ∑ dos Fatores de Produção = 1.308,06 bilhões 6) Do total produzido, fabricado e criado naquele ano, 12,56% decorreu exclusivamente de aumento dos preços da economia ocorrido entre o ano t-1 e o ano t. Qual é o valor monetário do PIB (Pm) Real, a preços constantes, no ano t. Ou seja, já descontado o aumento dos preços (inflação)? - PIB Real = PIB Nominal /(dividido) Deflator Implícito - PIB Nominal = $ 1.515,00 bilhões - Deflator Implícito = 12,56 % = (12,56/100) + 1 = 1,1256 PIB Real = 1.515,00 = 1.345,9 PIB (Pm) Real = $ 1.345,9 bilhões 1,1256 Resposta: o valor monetário do PIB (Pm) Real é de $ 1.345,9 bilhões . 7) Sabendo-se que no ano t-1, o valor monetário do PIB (Pm) Real foi de $1.348,9 bilhões, qual é a taxa de variação da atividade econômica? O país cresceu ou apresentou desaceleração em sua atividade econômica? - PIB (Pm) Real no ano t-1 = $ 1.348,9 bilhões - PIB (Pm) Real no ano t = $ 1.345,9 bilhões - Taxa de crescimento = (PIB Real ano t / PIB Real ano t-1) -1 x 100 Taxa Cresc. = 1.345,90 = 0,9977 - 1 x 100 = - 0,22 % 1348,9 Taxa Cresc. = (0,9977 – 1) x 100 Taxa Cresc. = ( - 0,0022) x 100 ...........................Taxa Cresc. = - 0,22% O país apresentou uma taxa de crescimento, negativa, de -0,22%. Portanto, houve desaceleração em sua atividade econômica. 8) Admitindo que as despesas públicas em Custeio foram de $ 168,00 bilhões, as Transferências do Governo Federal para Estados e Municípios remontaram a $ 210,00 bilhões, avalie a situação das contas públicas. Averigúe se as contas públicas estão superavitárias ou deficitárias, em $ e em % do PIB. Sabendo-se que: Despesas Públicas = Investimentos Públicos (ver item 1) + Custeio + Transferências Receitas Públicas = Carga Tributária líquida (ver item 2) - Sabe-se que: 1) Receitas Públicas = Carga Tributária líquida 2) Despesas Públicas = Investimentos Públicos + Custeio + Transferências - Despesas públicas em Custeio ($ bilhões): 168,00 - Transferências do Governo Federal para Estados e Municípios ($ bilhões): 210,00 - Investimentos públicos = 25% de $ 273,3 bilhões (75% Invest privado): 68,33 - Carga tributária líquida = 37,5% do PIB(Pm), que é = a $ 1.515 bilhões: 568,12 Logo: 1) Receitas Públicas ($ bilhões) = 568,12 2) Despesas Públicas ($ bilhões) = 446,33 (210+168+68,33) 3) Percentual em relação ao PIB(Pm): a) Receitas Públicas (%) = 37,50 b) Despesas Públicas (%) = 29,46 (446/1.515*100) Receitas maiores que Despesas. As Contas Públicas estão superavitárias em $ 121,77 bilhões (568,12 - 446,33); em termos percentuais: 8,04% (37,50 – 29,46) positivos. 9) Comente a performance econômica deste país. Escreva somente 10 linhas. Pode-se considerar que superávit primário consolidado (do setor público) é o percentual de receita que o governo federal, os Estados, os municípios e as empresas estatais conseguem economizar, após o pagamento de suas despesas (sem considerar os gastos com os juros da dívida). No caso do país analisado, houve expressiva inflação (12,56%) e constata-se um superávit nas suas contas públicas, as Receitas superam as Despesas em $ 121,77 bilhões, equivalendo a 8,04% do PIB. Merece atenção da equipe econômica, a desaceleração da Economia verificada entre os anos ”t” e “t-1”. Para se contrapor à aludida desaceleração (-0,22), este país pode aumentar ainda mais o superávit primário, basicamente por duas formas: com o aumento da arrecadação de impostos e com maiores cortes nos gastos previstos em seu orçamento. O governo brasileiro tem mantido uma política de superávits altos, quando comparados aos resultados obtidos pela maioria de outros países, mas os altos juros pagos acabam por engessar o crescimento. Em 2005, houve superavit primário de 4,84 do PIB brasileiro, enquanto o crescimento deste mesmo PIB no 2° trimestre deste ano, por exemplo, foi de apenas 1,2% (pífio se comparado aos 3,7% da Colômbia; 4,5% do Chile; 7,9% da Argentina; e 9,2% da Venezuela- O Globo, apud The Economist). xxx Exercício 2 (pelo pedido ATVECONOMIA7ªTURMA2006) – Avalie a inflação e o seu impacto sobre o cotidiano: (mudou) 1) O valor da cota de condomínio sofreu um reajuste de 5,25%, relativo a variação acumulada dos preços nos últimos dez meses. O síndico comunicou que este reajuste correspondeu a variação dos preços, medida pelo Índice de Preço no Atacado (IPA). a) O reajuste está correto? R: Não. Não está correto porque, o IPA, além de ser mensal, abrange 477 produtos industriais e agropecuários, matérias-primas agrícolas e industriais, intermediários (semi-elaborados) e produtos finais. O reajuste do valor da cota do condomínio deveria ser feito com base no IPC (FGV). b) Em caso contrário, qual seria o reajuste correto? R: O reajuste correto deveria ter sido -1,82. (Fonte: FGV) 2) A mensalidade escolar de meu filho no valor de R$ 770,00 foi reajustada em 11,2%. A escola comunicou que este reajuste correspondeu a variação acumulada dos preços nos últimos quatorze meses, medida pelo Índice Geral de Preço – Mercado (IGP-M). a) O reajuste está correto? Qual é o novo valor da mensalidade? b) Em caso contrario, qual seria o reajuste correto? R: O reajuste não está correto. A nova mensalidade será de R$ 856,24, erroneamente. Deveria ser 801,26. Porque a variação do IGP-M nos últimos 14 meses (Ago 2004 a Set 2005) foi de 4,06%. Ago a Dez 04: 3,86 e Jan a Set 05: 0,20. O reajuste correto seria de 4,06%. 3) Em dezembro passado decidi aplicar R$ 1.500,00 de meu 13º salário, por dez meses. A gerente de meu banco sugeriu duas opções: 1ª- Aplicação Pré-fixada de 8,28%; 2ª- Aplicação Pós-fixada: variação da inflação acumulada no período, medida pelo Índice Geral de Preço Disponibilidade Interna (IGP-DI) e mais 1,1% de juros reais. a) Escolhi a opção (a). Foi uma boa escolha? b) O que aconteceria se eu tivesse escolhido a opção (b)? R: (a) 8,28% de R$ 1.500,00 = R$ 124,20 totalizando: R$ 1.624,20 (b) IGI-DI últimos dez meses foi de 0,73% (ano?). 0,73% de R$ 1.500,00 = R$ 10,95 1,1% de juros reais > R$ 1.500,00 + R$ 10,95 x 0,011 = R$ 16,62 A aplicação (b) renderia: R$ 10,95 + R$ 16,62 = R$ 27,57 Foi uma boa escolha a opção (a), pois rendeu mais do que a opção (b). A aplicação (b) teria rendido menos. Passaria para R$ 1.527,57 contra os 1.624,20 da (a). 4) O meu salário foi reajustado, de R$ 4.300,00 para R$5.150,00. A direção da empresa comunicou que este reajuste correspondeu a variação acumulada dos preços nos últimos 12 meses, medida pelo Índice Nacional de Preço ao Consumidor (INPC). a) Qual foi o percentual de reajuste? b) Obtive algum ganho real? Se, a resposta for positiva, de quanto? R: R$ 5.150,00 – R$ 4.300,00 = R$ 850,00 R$ 4.300,00 > 100% R$ 850,00 > x% x = [ (R$ 850,00 x 100%) / R$ 4.300,00] x = 19,77% O INPC nos últimos 12 meses foi de 5,0149% 5,0149$ de R$ 4.300,00 = R$ 215,64 Aumento concedido de R$ 850,00 Ganho real = R$ 850,00 – R$ 215,64 Ganho real de R$ 634,36 ou 14,75% Exercício 3 – Responda em até 10 linhas. Qual é a diferença no cálculo do PIB e do PNB entre uma empresa decidir comprar tecnologia no exterior, produzir e vender um certo bem intermediário no Brasil, ao invés de produzi-lo integralmente no país com tecnologia nacional e depois exportar o bem? R: O PIB mede a renda dos fatores da produção dentro das fronteiras nacionais, não importa quem detenha a renda. Já o PNB mede a renda dos residentes, não importando se a renda é obtida na produção doméstica ou externa. Desta forma, a empresa na 1ª hipótese favoreceria o PIB, que seria maior que o PNB. Na 2ª hipótese ocorreria o contrário, ou seja, o PNB seria maior que o PIB. Logo, a diferença entre o Produto Interno Bruto (PIB) e o Produto Nacional Bruto (PNB) é a Renda Líquida Enviada ao Exterior (RLEE), que representa o valor dos serviços ou as remunerações a fatores de produção enviadas e recebidas do exterior. Exercício 4 – Responda em até 10 linhas. (mudou) A renda per capita é um bom indicador de desempenho econômico e social do país e entre países? Quais outros indicadores expressariam com maior realidade a situação social de um país? R: A renda per capita não é um bom indicador de desempenho econômico e social entre países. A renda pode estar concentrada nas elites ou classes dominantes e, em conseqüência, parcela significativa da população pode estar marginalizada. Creio que indicadores como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), de Mortalidade Infantil ou de Escolaridade refletiriam melhor a realidade de cada país e seu desempenho econômico e social, dentre outros. Exercício 5 – Responda em até 10 linhas. A análise do produto interno bruto e de seus componentes é um bom indicador para avaliar a capacidade e as restrições de cada país? Explique. R: O PIB mede, basicamente, a atividade econômica do país. Ele mensura o produto de um país pela natureza dos bens e serviços destinados ao consumo e ao investimento, mas parece insuficiente para avaliar as capacidades e as restrições desse país. A melhor forma de avaliar a capacidade e as restrições de um país é por intermédio da análise do seu desempenho econômico, levando-se em conta seu parque industrial, suas reservas de minérios estratégicos, sua produção agrícola, bem como os avanços tecnológicos. Deve ser levado em consideração, ainda, o seu grau de endividamento, tanto interno quanto externo, visto que, podem comprometer seu desenvolvimento. Há que se considerar também a estabilidade política, que é de fundamental importância para a captação de recursos externos. Exercício 2 (pelo livro da professora) Responda em até 10 linhas. Um país pode apresentar altas taxas de variação de PIB nominal, porém estar em recessão? Um indivíduo pode obter ganhos nominais de salários, porém perder poder de compras? Explique. Dê exemplos. R: Sim. Se a capacidade de produção normal estiver aumentando, devido à maturação de investimentos realizados em períodos anteriores e, ao mesmo tempo, o uso dessa capacidade de produção vier a declinar. Daí, se a taxa de crescimento for muito alta, e o uso da capacidade de produção estiver diminuindo, a produção aumentará em um quadro recessivo, com desemprego e, é possível caminhar-se até para estagflação. Sim. Se descontado o efeito da variação dos preços, ou seja, a razão entre o ganho nominal de salário e um índice de preços. No caso: salário nominal / índice de preços = salário real, que poderá se reduzir e perder poder de compra. Como exemplo os aumentos dos militares de 23% mais 10% com uma defasagem de 18 meses, entre eles, propiciaram acúmulo das perdas nos 8 anos do governo FHC. Exercício 3 Responda em até 10 linhas. Qual é a diferença no resultado do cálculo do PIB e do PNB entre: a) uma empresa decidir comprar tecnologia no exterior, produzir e vender um certo bem intermediário no Brasil, e, b) ao invés de produzi-lo integralmente no país com tecnologia nacional e depois exportar o bem? R: idem 3 anterior Exercício 4 Responda em até 10 linhas. A renda per capita é um bom indicador de desempenho econômico e social do país e entre países? Em caso contrário, quais outros indicadores expressariam com maior realidade a situação social de um país? Destaque o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) dos 20 primeiros países e dos 20 últimos. Comente. R: Não, pelos motivos já expostos. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), de mortalidade infantil ou de escolaridade, a taxa de recessão, a taxa de desemprego, o índice de preços, o desenvolvimento científico e tecnológico, o PIB, o índice de industrialização, a taxa de analfabetismo, dentre outras. Creio que o nível cultural dos países nórdicos e africanos, aliados aos indicadores econômicos, propiciam a grande diferença na escala IDH entre eles. Muitos anos de carga educacional e investimentos, cujo retorno só se sentirá no longo prazo, serão necessários para aproximar os últimos dos primeiros. Resta saber o quê se vai querer em troca! No passado foram mão-de-obra escrava, depois matérias primas minerais e vegetais para as indústrias. Agora são cobaias de medicamentos e de testes genéticos. Um grande problema para solução pelas elites daqueles africanos e asiáticos, piores classificados. Exercício 5 Responda em até 10 linhas. A análise do produto interno bruto e de seus componentes é um bom indicador para avaliar a capacidade e as restrições de cada país? Explique. Destaque o PIB dos 20 principais países. R: Explicação feita no item 5 acima. Os 20 maiores PIB acolhem os países do G8, que buscam manter o “status quo” e alguns do G20, que lutam para mudar o perfil de fornecedores de “commodities” para o de provedores de serviços e produtos industrializados, com maior agregado tecnológico, como é o caso do Brasil. ALAIRTO ALMEIDA CALLAI – Cel CPAEx/EAD – 7, Turma - 2006 Refr: Roxo Matesco, Virene. Economia. Rio de Janeiro: FGV – Nov/2006.

Situação da Defesa na conjuntura política nacional de 2006, por AAC para o CPEAEx

1. INTRODUÇÃO 

 A nova ordem mundial passa por adaptações, nos dia de hoje, reflexo ainda da queda do muro de Berlim influindo diretamente na implantação da social-democracia ou terceira via (ou ainda, o estado previdenciário) no Brasil, como reação ao “neoliberalismo” nos anos 90. Liberalismo é liberdade para a iniciativa econômica popular; neoliberalismo é economia global dirigida - o socialismo dos ricos. Para o levantamento do poder político nacional deve-se buscar os efeitos necessários para atender à sociedade em seus anseios e objetivos permanentes como consequência da vontade coletiva, expressa de forma legal e legítima, segundo a organização do grupo social envolvido. No passado, as Forças Armadas (FA) brasileiras desempenharam papel decisivo no cenário político nacional impedindo, com veemência, que regimes de exceção, não compatíveis com a vontade do povo, fossem instalados pela força das armas. Vai-se avaliar a situação das Forças Armadas e da Defesa na atual conjuntura política nacional e a participação militar do Brasil nas relações internacionais. 

 2. DESENVOLVIMENTO 

 a. A conjuntura política atual 

 A macroestrutura do poder, o ânimo da população, os índices de desemprego, os direitos humanos, a capacitação tecnológica, a questão da Amazônia, a cultura nacional, a inserção internacional, a integração da América do Sul e a soberania nacional são alguns dos temas em destaque na atualidade, que devem ser considerados para uma adequada fotografia da conjuntura política. A política é um fato natural da convivência humana. O ser humano torna-se cidadão quando se encontra em pleno gozo dos direitos civis e políticos de um Estado. Para fazê-lo é necessário que ele se auto realize como ser humano, o que lhe permitirá desenvolver atitudes e valores segundo os quais exercerá a cidadania. Por trás dos Estados, há agentes muito mais coesos, duradouros e contínuos, como por exemplo a Igreja Católica, a Maçonaria, o Partido dos Trabalhadores ou certas famílias nobres e ricas. Essas entidades têm objetivos permanentes que ultrapassam a duração dos Estados. Daí a importância de se levantarem as verdadeiras motivações pelas quais se adere à nova ordem mundial e se participa de um comitê denominado Foro de São Paulo, que inclui não só partidos de esquerda, mas também os seus braços armados e redes de arrecadação ilegal de dinheiro, tais como as FARC, o MIR chileno, o ELN, entre outros grupos de terroristas e narcotraficantes. “Verificou-se que, via de regra, foram os cidadãos que arcaram com os custos de todos os experimentos ideológicos socialistas do século passado... Ou seja, o comunismo foi o pior flagelo conhecido pela humanidade desde o dilúvio universal” (Olavo de Carvalho, Discurso pronunciado no Clube Militar do Rio de Janeiro, em 31 de Março de 1999). O Foro de São Paulo (FSP) é uma organização clandestina de partidos políticos e organizações de esquerda da América Latina criada pelo Presidente de Cuba, o ditador Fidel Castro, e Luiz Inácio Lula da Silva, atual Presidente do Brasil. Surgiu no ano de 1990 e seu objetivo é recuperar o socialismo que foi perdido no Leste europeu com o colapso do Império Soviético e a queda do Muro de Berlin. O primeiro encontro ocorreu na cidade de São Paulo com a participação de 48 partidos e organizações clandestinas da América Latina. Até Lula assumir o poder ninguém havia escutado falar em “mensalão” e no programa Bolsa Família, que é uma criação petista. Os dois instrumentos são a expressão da falta de escrúpulos da esquerda, de sua má fé, de sua preparação para uma forma nefasta de democracia direta, no moldes do que Chávez faz na Venezuela. Com a reeleição deste governo, está-se prosseguindo no túnel escuro do totalitarismo, onde não há qualquer esperança. 

 b. Situação das Forças Armadas 

 Apesar de possuir uma doutrina militar que está apoiada em dispositivos legais e considerar os valores essenciais da nacionalidade, a discussão sobre o papel das FA não desperta o interesse da sociedade brasileira. A proteção dos organismos internacionais sobre as tecnologias ditas sensíveis, engessam o desenvolvimento autóctone de uma indústria de defesa e testificam a inadequação da política de ciência e tecnologia nacional, deixando as FA à mercê dos fabricantes de material de emprego militar estrangeiros. O país é signatário da não-proliferação do armamento nuclear, mas tem reconhecida capacitação no enriquecimento de urânio, conduzindo, ainda, um programa de submarino com propulsão nuclear que vai colocar a Marinha do Brasil entre as oito Armadas com essa capacidade. A Força Aérea adotou a doutrina de emprego da OTAN, que facilita o combate em operações internacionais/aliadas, mas tem seu equipamento de voo com a vida útil esgotada, ainda que o país possua uma indústria aeronáutica civil de peso. A formulação da Doutrina Militar Terrestre definiu a estrutura organizacional, o equipamento e a forma de combater da Força Terrestre, que deveria ser condizente com a estatura político-estratégica do Brasil (mas não é), para torná-la instrumento eficaz na imposição da vontade nacional. Os parcos recursos destinados à manutenção das Forças militares dificultam a motivação dos quadros e a manter elevado o estado moral da tropa. 

 c. Situação da Defesa 

 A postura dissuasória defensiva na defesa da Pátria, com emprego primeiro da diplomacia e solução pacífica dos conflitos, na atual ordem mundial, estão apoiados em preceitos legais que preservam os valores essenciais da nacionalidade brasileira nos relevantes assuntos da sua política interna e nas relações exteriores. A ativação de uma estrutura militar de defesa (comandos operacionais), seguindo as propostas dos comandos da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, já aprovadas na Doutrina Militar de Defesa dividem a responsabilidade pelos níveis de condução da guerra entre os níveis Político, Estratégico-Militar, Operacional e Tático, sendo cada vez mais cerrada a integração e a interoperabilidade entre os sistemas de cada Força Singular, nas Operações Combinadas, atestando a adequação em ter-se criado o Ministério da Defesa. 

 d. Participação nas Relações Internacionais 

 Os militares têm expressiva representatividade nos fóruns internacionais, junto as Aditâncias Militares dos países com os quais mantém relacionamento diplomático e reciprocidade de tratamento dos assuntos de defesa. Por isso, participam como membros de organizações internacionais militares, dentre as quais, a Organização dos Exércitos Americanos (OEA), atualmente, presidida pelo General Armando do Exército Brasileiro; possuem um escritório de compras de material de defesa em Washington (CEBW); compõem a Força de Paz no Haiti; mantêm Observadores Militares a cargo da ONU em diversos países do globo; realizam Conferências Bilaterais, anualmente, com vários países da América Latina; fazem Intercâmbios escolares e doutrinários com os exércitos mais modernos; realiza adestramento em operações interaliadas, oportunidade em que mostram o elevado valor do soldado brasileiro, e zelam pela boa imagem que as gerações passadas de militares obtiveram com os seus pares das nações amigas, por meio da competência profissional e do relacionamento franco. 

 3. CONCLUSÃO 

 A política, ou o exercício do poder, é a ciência e a arte de compatibilizar os contrários, de fazer convergir as divergências, de fazer conviver grupos antagônicos. A influência do Foro de São Paulo no Brasil e na América Latina não pode mais ser ignorada. Está na hora deste assunto ser amplamente discutido, pois a sociedade brasileira tem o direito de saber que o seu governo é cúmplice de traficantes e terroristas, e que estão levando o País ao desastre econômico e político, cujo desfecho será a implantação, pela via eleitoral ou não, de um regime totalitário socialista. Os militares continuam atentos à atual conjuntura e, não confundam os despercebidos, que sua postura disciplinada seja uma fraqueza ou uma falta de lideranças capazes de conduzir homens esclarecidos à guerra. Eles estarão prontos a desempenhar o seu papel, assim como os Patronos das Armas e o Duque de Caxias o fariam. 
 ALAIRTO ALMEIDA CALLAI – Cel CPAEx/EAD – 7, Turma - 2006 
Refr: -Política, 2005-ECEME, LUÍS CARLOS CARNEIRO DE PAULA 
-Doutrina Militar de Defesa – MD, 2001

C&T - reflexos para o preparo e emprego da Força Terrestre, por AAC para o CPEAEx

C&T 

1. INTRODUÇÃO 

 O domínio da tecnologia de emprego militar permeia, desde a antiguidade, o sucesso de todo exército, seja a qualidade superior do metal nos escudos das legiões romanas, seja na blindagem aero estratégica do escudo antimísseis norte-americano, que desequilibrou a corrida armamentista nos anos 80, propiciando a derrocada da URSS e a queda do muro de Berlim. Usando o ciclo ODA (Sensor, Decisor e Atuador), percebe-se que a eficácia do preparo e do emprego da Força Terrestre está diretamente subordinada à eficiência das decisões no mais alto nível (SIPLEX) e por consequência, elas serão traduzidas no campo de batalha: a. na efetiva alimentação do Sistema de Comando e Controle (C2) com dados confiáveis dos sensores, b. no oportuno processamento das informações de combate (do sistema de apoio à decisão), e c. na destruição do inimigo pelo uso parcimonioso do sistema de armas. Vão-se analisar os principais aspectos das conjunturas internacional e nacional no campo da Ciência, Tecnologia e Inovação, concluindo sobre seus reflexos para o preparo e emprego da Força Terrestre brasileira. 

 2. DESENVOLVIMENTO 

 a. A conjuntura internacional 

 A globalização da economia mundial é o atual pretexto que mantém o Brasil sob custódia dos elevados juros internacionais, pois os investimentos na infraestrutura interna, só se fazem naqueles objetos de interesse dos que orquestraram a nova ordem mundial, no passado, e que decidiram transformar o hemisfério sul como “Zona de Retaguarda” de um suposto conflito nuclear. A dívida externa brasileira aumentou consideravelmente a partir da crise do petróleo de 1973, mas, apesar disso, o país demonstrou uma grande capacidade para construir o chamado “milagre” e ameaçou os ditos desenvolvidos, que, então, resolveram impedir o acesso às tecnologias de ponta. Antes disso, os investimentos na indústria bélica transformou o Brasil no sétimo exportador mundial de armamentos, ocupando importante posição naquele fechadíssimo clube. A Índia não teve dificuldades em construir sua bomba atômica nem de lançar ao espaço satélites artificiais com foguetes próprios. O mesmo não aconteceu quando o Brasil lançou o foguete SONDA IV, com capacidade para transportar 500 quilos de carga. Para complicar, o país fez um acordo de transferência de tecnologia nuclear com a Alemanha, em 1975, que resultou nos contratos de construção das Usinas Angra II e III. O projeto nuclear do Brasil envolvia as Forças Armadas (FA), a Secretaria Geral do Conselho de Segurança Nacional e o Serviço Nacional de Informações (SNI). Um estudo realizado pelo Congresso norte-americano concluiu que o programa nuclear brasileiro caminhava para um sistema de guiagem de mísseis que poderia igualar-se aos dos Pershing I e Scud-B, com igual tamanho e carga, denominado VLS – Veículo Lançador de Satélite, que em 1989 poderia conduzir o primeiro satélite do Brasil à órbita. Eleito o presidente Collor, extinguiu-se o SNI, o Conselho de Segurança Nacional e a Nuclebras. O Brasil assinou o Tratado de Tlatelolco, obrigando-se a ser inspecionado em seu projeto nuclear por comissões dos países ocidentais, e as atividades nucleares das FA foram inviabilizadas pelos cortes nos orçamentos, agravado pela publicação recente da lista de tecnologias sensíveis, que engessaram o desenvolvimento autóctone de uma indústria nacional de defesa, deixando as FA à mercê dos fabricantes de MEM estrangeiros. Inutilizaram-se projetos como: a base de lançamento de foguetes de Alcântara; o submarino nuclear; os reatores de grafite; e enterrou-se o chamado “Buraco de Cachimbo”, destinado a testes subterrâneos. Iniciou-se, então, no Brasil o processo de sucessão eleitoral de candidatos conscientemente comprometidos com as estratégias internacionais de dominação do mundo, sob o pretexto da globalização. Vieram o Foro de São Paulo, que inclui não só partidos de esquerda, mas também os seus braços armados e redes de arrecadação ilegal de dinheiro, tais como as FARC, o MIR chileno, o ELN, e a influência crescente do bolivariano Hugo Chávez, que vem realizando uma disputa armamentista com o Chile, no bloco sul-americano. Apesar de a Força Terrestre participar hoje da Força de Paz no Haiti, manter Observadores Militares a cargo da ONU em diversas nações “amigas” e fazer adestramento em conjunto nas operações interaliadas, infelizmente, ela expõe o baixo índice de nacionalização do material de emprego militar (MEM), o que implica em prejuízo à formulação de doutrina própria, e à autoestima de seus quadros, no preparo e emprego. Em suma, a orquestração internacional encontra nas FA uma resistência patriótica, apesar dos indicadores tecnológicos apontarem para a dependência externa no curto prazo. 

 b. A conjuntura nacional

 A inovação tecnológica – novos processos, produtos e serviços – é um dos eixos da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior do Governo Federal. Atualmente, 73% dos cientistas estão nas instituições de pesquisa e 11%, nas empresas. Nos países de desenvolvimento científico e tecnológico mais avançado, esta relação é inversa. A Lei da Inovação, elaborada pelo Ministério de Ciência e Tecnologia, vai estimular a integração das universidades e unidades de pesquisa com as empresas. De forma a que o conhecimento científico acumulado na área acadêmica transforme-se mais rapidamente em produtos, emprego e renda para os brasileiros. Entre outras vantagens, a nova lei autoriza a incubação de empresas privadas em espaços públicos e a possibilidade de compartilhamento de infraestrutura, equipamentos e recursos humanos, públicos e privados, para o desenvolvimento tecnológico e a geração de processos e produtos inovadores. É o caso do escritório de projetos do Centro de Desenvolvimento de Sistemas (CDS) na UNICAMP (SP) e da incubadora de empresas que funciona no Instituto Militar de Engenharia. Ao propiciar a interação entre a administração pública, a universidade brasileira, as empresas e os agentes financeiros, para o desenvolvimento tecnológico dos setores produtivos locais, a Rede Brasil representa um avanço incalculável no processo industrial do país. Indica, também, que os setores produtivos são incentivados a investirem mais em tecnologia, não apenas para agregar valor aos produtos, mas para criar empregos e melhorar o nível de competitividade, tanto no mercado interno, como nas exportações. A formulação da Doutrina Militar Terrestre definiu a estrutura organizacional, o equipamento (MEM) e a forma de combater da FTer, que deveria ser condizente com a estatura político estratégica do Brasil, a fim de torná-la instrumento eficaz na imposição da vontade nacional. Daí a previsão do Objetivo Estratégico do Exército de número 13: dominar tecnologia que assegure vantagens estratégicas e operacionais. Porém, reduzir o hiato tecnológico e a dependência de MEM para com os outros países, no momento que os orçamentos destes se distanciam cada vez mais, é o desafio desta geração de líderes. Há dificuldade de retenção de talentos, de manutenção de quadros bem adestrados e de elevação do estado moral da tropa, são reflexos dessa crítica situação no preparo e emprego da FTer. Então, não basta o amparo da lei criando parcerias pela Rede Brasil, se não houver a correspondente confiança do empresariado para investir no potencial científico nacional. 

 3. CONCLUSÃO 

 Concluo que não se pode confiar a soberania do Brasil a nenhuma outra entidade, que não suas FA, pela sua permanência como instituição. Até que a indústria possa ser autóctone, a dedicação da FTer à sua atividade-fim vai projetar poder militar e dar tempo às elites para colocar a defesa na devida prioridade nacional, já que isso não parece ser anseio de todos. 

ALAIRTO ALMEIDA CALLAI – Cel CPAEx/EAD – 7, Turma – 2006, 
 Refr: -Artigo: Cai o Pano 2, 17/07/06, CHRISTINA FONTENELLE 
 -CT&I, 2003-ECEME, MINISTÉRIO DA DEFESA 
 -Pesquisa no site do Governo Federal, Agosto-2006

Relações Internacionais - Comunidade Sul-Americana, por AAC para o CPEAEx

Relações Internacionais

1. INTRODUÇÃO 

 A Globalização é o processo decorrente do conjunto de Políticas e Estratégias dos Centros de Poder Econômico (CPEs) que visam a ampliar e aprofundar sua capacidade de conduzir o relacionamento internacional, em todos os seus aspectos, para a satisfação plena dos seus Objetivos Nacionais. A hipótese da integração sul-americana, é, para o Brasil, extremamente vantajosa. E pelos passos que já deu, por meio da institucionalização do Mercosul e do esboço da Comunidade Sul-Americana (CSA) que está se formando, os resultados já aparecem de maneira fantástica. Vão-se enumerar e comentar as questões que, na minha opinião, deveriam ser consideradas prioritárias no relacionamento entre o Brasil e os países sul-americanos, e vão-se sugerir ações que, a meu ver, conviriam que o governo brasileiro adotasse nesse contexto. 

 2. DESENVOLVIMENTO 

 a. Mercosul 

 1) Argentina: a popularidade do Presidente KIRCHNER, fruto de seu estilo de governar, confrontando militares, Igreja, empresários, empresas e Governos estrangeiros, parece agradar à população e lhe rende dividendos políticos. A melhora acentuada nos indicadores econômicos e a diminuição do desemprego aumentam as probabilidades de que os EUA consigam fazer acordos bilaterais com países da região, tornando assim inviável para o Brasil um futuro papel protagônico no Mercosul e na CSA. 
2) Paraguai: os ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA (EUA) têm dificuldades para a renovação de seu acordo de cooperação militar, onde estão incluídos os exercícios militares e os de apoio social, por motivo de alguns partidos, com vocações mais nacionalistas, demonstrarem suas intenções de não ratificar nenhum documento que, segundo eles, caracterizaria uma ingerência militar norte-americana. Existe a previsão de renovação do acordo da Cooperação Militar Brasileira no Paraguai (CMBP), em futuro próximo, por meio de troca de notas diplomáticas, exigindo, portanto, ações de acompanhamento da situação e um trabalho diplomático-militar que vise a evitar obstáculos para a renovação da presença da CMBP. 
3) Uruguai: o contencioso com a ARGENTINA, sobre a construção das indústrias de celulose às margens do Rio URUGUAI, na fronteira entre os dois países, prossegue na Corte Internacional de HAIA. A postura de neutralidade (ou inação) tomada pelo Brasil deve ser mantida. A questão relativa à possível violação, por parte do URUGUAI, do Tratado de utilização dos recursos do rio, poderá levar até dois anos para receber uma sentença. Há, ainda, um pedido de captura internacional e extradição de dez generais uruguaios (ex-comandantes) que assinaram um documento assumindo a responsabilidade pelos atos de seus subordinados, a fim de serem levados aos tribunais argentinos. Isso agrava as relações daqueles países e coloca em risco a estabilidade das relações do Mercosul e o protagonismo do Brasil. Carece de ação reconciliatória por nossa diplomacia, militar e do Itamarati. 
4) Venezuela: recebeu três - dos trinta e três anunciados - helicópteros russos MI 17 V-5, os primeiros 33 (trinta e três) mil fuzis russos AK 103 e um lote de 25 (vinte e cinco) milhões de cartuchos 7,62 mm, o que vai provocar desequilíbrio militar na América do Sul (AS), a partir de 2011, quando o efetivo das Forças Armadas atingir meio milhão de homens. Urge dotar-se o Comando Militar da Amazônia de aeronaves adequadas ao combate na fronteira-norte (Blackhawk) e reforçar o adestramento do esquadrão de helicópteros de Manaus, para realizar eficazes operações aeromóveis com a tropa dos BIS da região. O Presidente HUGO CHÁVEZ empenha-se em dar cunho democrático ao seu governo, apesar de fazer ameaça de convocar um referendo sobre sua permanência no poder até 2031. Exige ação diplomática presidencial, afim de não admitir um novo ditador, tipo Fidel, na AS. Os EUA se opuseram às vendas de material militar, com tecnologia americana, como foi o caso dos aviões Super-Tucanos da brasileira EMBRAER, provocando prejuízo à empresa e ao Brasil. O motivo alegado foi a “empatia ideológica” com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e com o Exército de Libertação Nacional (ELN) daquele país vizinho. Exige ação compensatória em organismo multilateral, como a OMC.

 b. Demais países sul-americanos 

 1) Bolívia: em Maio de 2006, o Presidente EVO MORALES anunciou o Decreto de Nacionalização dos Hidrocarbonetos causando surpresa na forma como foi anunciado, sua amplitude e seu conteúdo, por possuir alterações mais profundas do que as esperadas. Ato contínuo, foi realizada a ocupação militar de instalações petrolíferas em todo o país, incluindo as da PETROBRAS. Esta iniciou negociações com sua similar na BOLÍVIA, a Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), as condições de permanência naquele país e a garantia da continuidade do fornecimento de gás para o BRASIL, necessitando de enérgica ação diplomática para respeito aos acordos comerciais e ressarcimentos patrimoniais. Em vez de reagir de forma a escalar a emocionalidade e a radicalidade política, o que poderia destruir as relações entre Brasil e Bolívia, adotou-se uma postura moderada. Daí as reações daqueles que estão realmente interessados na destruição da relação Brasil-Bolívia, para que a ALCA tome, enfim, o lugar da CSA e apareça como a única alternativa. Existe, ainda, a ameaça de expropriação de terras ocupadas ilegalmente por brasileiros, com uma possível expulsão do país. Os brasileiros que poderão ser afetados se encontram em quatro situações distintas: situação migratória irregular; donos de terra na faixa de fronteira de 50 (cinqüenta) km, fato que não é permitido pela Constituição; sojicultores, donos de latifúndios, que podem ter suas propriedades consideradas improdutivas; e aqueles que estão ocupando ilegalmente terras da União. Todas elas exigem ação diplomática proativa pelo Itamarati, a fim de preservarem-se os direitos dos que estão cumprindo a lei e legalizarem-se os imigrantes.
 2) Colômbia: os EUA aprovaram o desembolso de quinze milhões de dólares para o processo de desmobilização das Auto Defesas Unidas da Colômbia (AUC). Houve decisão de anular os benefícios aos desmobilizados, cuja perspectiva de oito anos de reclusão passaram para 40 anos, ainda que mantidas as promessas de troca das cinqüenta e oito pessoas sequestradas pelas FARC pelos quinhentos guerrilheiros presos, sob acusação de rebelião. Essa decisão poderá acarretar conseqüências negativas ao processo de desmobilização das AUC. As FARC recusaram a proposta, o que representa continuado risco às fronteiras brasileiras e exige ação de presença do Exército Brasileiro na região. As equipes de negociadores colombianos e norte-americanos concluíram os textos relativos ao futuro Tratado de Livre Comércio (TLC), indicando necessidade de eficaz ação diplomática para atração ao CSA ou Mercosul. 
3) Chile: ano passado ocorreram protestos do movimento dos estudantes secundaristas com a participação de aproximadamente 1 (um) milhão deles, paralisando escolas em todo o país. Apesar disso, a eficiência do sistema de ensino chileno sugere ação de intercâmbio escolar ao Brasil, devendo constituir-se em um programa específico para as relações exteriores.
 4) Equador: o Governo do EQUADOR está envolvido com a paralisação das negociações do TLC que realizava com os EUA, após romper contrato de exploração de petróleo com a empresa americana Occidental (Oxy). Declarou-se o cancelamento do contrato com a Oxy, logo depois da empresa transferir 40% de seus direitos de extração de petróleo da Amazônia equatoriana a uma empresa canadense. Sugere ação diplomática de cooptação para o Mercosul e CSA. 
5) Peru: o Governo resolveu retirar seu Embaixador de CARACAS/Venezuela, em protesto pelas reiteradas declarações do Presidente HUGO CHÁVEZ contra o Executivo e o processo eleitoral peruano, orientando uma ação diplomática reconciliatória pelo nosso MRE. 
 6) Guiana: a disputa eleitoral prevista para setembro de 2006, tem forte componente étnico, confrontando indianos e negros africanos. Essa questão étnica advém da época da colonização e é muito complexa exigindo cuidadosa ação diplomática no apoio ao governo eleito. 
7) Suriname: as Forças Armadas do SURINAME, em especial o Exército, apoiadas pelo Ministro da Defesa e pela população, têm sido empregadas em conjunto com a Polícia na tentativa de conter o aumento da criminalidade, sugerindo intercâmbio militar para troca de experiências. 

3. CONCLUSÃO

 Com o liberalismo econômico se difundindo cada vez mais na economia global, as frágeis economias do Cone Sul buscaram-se fortalecer de forma conjunta para poderem competir internacionalmente. O espaço parece ser fundamental para a consolidação do poder, agregando considerações mais amplas sobre os aspectos da população, da economia e da política. Daí o planejamento e a implementação de uma política externa brasileira considerar aspectos geoestratégicos primordiais, tais como: “rotas de colisão” dos CPEs; globalização assimétrica, BERs e comércio internacional “gerenciado”; novas concepções sobre Defesa; “legitimação” do intervencionismo; e necessidade de somatório de Poder Nacional para projeção de poder internacional. O projeto de integração com a América Latina é muito importante. No tratamento direcionado à Bolívia, deve-se levar isso em consideração e não se deve fazer o jogo daqueles que querem destruir esse projeto, para que, isolados, nos entreguemos à ALCA. O Brasil sempre aspirou, de Rui Barbosa ao Barão do Rio Branco e Afonso Arinos, ser potência da paz, exatamente pelo direito, pela justiça, pelo argumento, pela razão. 

 ALAIRTO ALMEIDA CALLAI – Cel CPAEx/EAD – 7, Turma - 2006 
Refr: - Relações Internacionais, Vol 1 a 4, 2005-ECEME, MARCOS HENRIQUE C. CÔRTES 
- A integração sul-americana é vantajosa, Info Rel-01/06/2006, ROBERTO SATURNINO

Geopolítica: Estados produtores, “perturbadores” e extratores, por AAC para o CPEAEx

1. INTRODUÇÃO 

 A professora Therezinha de Castro estudando as relações internacionais classifica os Estados em produtores (ou transformadores), “Estados perturbadores” e extratores (ou pobres). Aqueles perturbadores preenchem sete condições básicas que caracterizam as “nações emergentes” englobando sua superfície territorial, continentalidade, acesso direto ao oceano, recursos naturais, população, densidade demográfica e homogeneidade racial. Levando-se em conta que a Geopolítica não se atém somente à expressão Militar e Econômica do Poder, apesar de seu grande peso na atualidade, vão-se identificar os países que se enquadrem nos 1º e 2º níveis conforme a estrutura geral das Nações, segundo a classificação da Profª Therezinha de Castro, justificando sinteticamente, cada um deles. 

 2. DESENVOLVIMENTO 

 a. 1º nível 

 1) Estados Unidos da América: o 3º maior país do mundo com superfície de 9.629.091 km², continentalidade exuberante, ocupando a posição central da América do Norte, com maritimidade ampla nos Oceanos Atlântico e Pacífico, 3ª maior população da terra, com 300 milhões de habitantes, conferindo-lhe uma densidade de 30 hab./km² de um povo pouco miscigenado, composto por 77% de brancos, sendo 13% de hispânicos. Maior potência econômica do sistema global, com um PIB de 13 trilhões de dólares, uma renda per capita (PC) de 42 mil dólares/ano e possui a maior força militar e poderio nuclear da atualidade. Todos estes indicadores conferem aos Estados Unidos a hegemonia geoestratégica para influir nas decisões dos mais variados fóruns, onde exerce protagonismo na maior parte deles. 
 2) Japão: o 60º em superfície e o 10º em população, o Japão possui indicadores geopolíticos tacanhos perto dos EUA, mas pelo peso da sua economia, com um PIB de 3,55 trilhões de dólares (U$) e uma renda PC de U$ 28 mil, é colocado como potência mundial no Grupo dos Sete (G7), baseado, principalmente, na capacidade científica e tecnológica de seu povo, cuja homogeneidade de raça e língua fortalecem seu poder nacional. Não possui força militar desde a 2ª GM e tem disputas territoriais históricas com a China e Rússia. 
 3) Alemanha: o 61º em superfície e o 13º em população, ocupa uma posição geoestratégica privilegiada (no coração da Europa), segundo as teorias geopolíticas estudadas. Sua expressão no campo econômico do PN é destacada por meio de um PIB de 2,7 trilhões de dólares e renda PC de U$ 27,6 mil que lhe garantem lugar no G7, tudo graças ao sólido parque industrial, excelentes reservas naturais e cultura, agora unificada, de sua população. As derrotas nas duas GM impediram-na de possuir forças armadas, apesar do domínio tecnológico do ciclo atômico. 
4 a 6) Inglaterra, Itália e França: 50/60 milhões de habitantes e densidades demográficas destes três países, que variam entre 110 a 379 hab/ km², possibilitam um PIB próximos de U$ 2,1 trilhões cada, destacando-se no G7 pelo alinhamento incondicional dos ingleses com os norte-americanos. A maritimidade italiana e inglesa, a posição geográfica central da França e a cultura da Itália que influenciou toda a Europa, desde as civilizações antigas, cooperam com a importância geopolítica de ambas. 
7) Canadá: a superfície territorial de 10 milhões de km2, a continentalidade territorial, o acesso direto e amplo ao oceano, os recursos naturais estratégicos essenciais, a homogeneidade racial (e um PIB de um trilhão de dólares) dão ao povo canadense privilegiado poder geopolítico, justificando fazer parte do G7.

 b. 2º nível 

 1) China: 9,5 milhões de km2 (3º) e 1 bilhão e 300 milhões de habitantes (1º) e a 4ª economia do mundo obtida graças a abertura da China à tecnologia e comercialização com o Japão e o ocidente. Reivindica Taiwan e outros territórios da Índia. 
2) Índia: mais que 3 milhões de km2 (7º) e 1 bilhão e 80 milhões de habitantes (2º) e um PIB de 3,3 trilhões de dólares (o 4º), baseados na monocultura de chá, tabaco e algodão. Tornou-se em importante centro de serviços relacionados com tecnologia da informação. 
3) Rússia: 17 milhões de quilômetros quadrados e 145 milhões de habitantes é dependente de exportações de matérias-primas, em particular do petróleo, do gás natural, de metais e de madeira que proporciona um PIB acima de 500 bilhões. Enfrenta a diversidade de grupos étnicos/culturais na busca do poder regional.
 4) Espanha: é a 8ª economia e tem maritimidade sobre o Atlântico e Mediterrâneo. 
 5) Brasil: 5º país em extensão territorial e 5ª maior população, continentalidade e maritimidade expressivas, acesso direto ao Atlântico, homogeneidade racial e unidade de língua, densidade demográfica de 21 hab/ km2 e muitos recursos naturais ainda não explorados. 
 6) México: 11º extensão territorial, 13ª população e 11ª economia; posição geográfica e maritimidade favorecidas. 
7) Africa do Sul: Riquezas minerais abundantes e posição geoestratégica importante. 
8) Arábia Saudita: com 12 hab/ km² de uma raça homogênea, recursos exuberantes de petróleo e a maior parte do território é quase toda constituída por desertos. 
9) Austrália: 6º maior território e 21 milhões de habitantes, 15ª economia do globo, e 75% da população vive nas oito grandes cidades. 
10) Turquia: 17º mais populoso, historicamente, ocupa posição geopolítica importante, candidato a entrar na União Européia. 

 3. CONCLUSÃO 

 O espaço parece ser fundamental para a consolidação do poder, agregando considerações mais amplas sobre os aspectos da população, da economia e da política. Daí ter considerado os países do G7, com maturidade geopolítica, como os de 1º nível e alguns dos emergentes do G20, como aqueles do 2º nível, para obtenção de uma radiografia da estrutura geral das nações. Como queríamos demonstrar.
 ALAIRTO ALMEIDA CALLAI – Cel CPAEx/EAD – 7, Turma - 2006 
Refr: -Geopolítica 2005, URACI CASTRO BONFIM-ECEME