quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Calos nos pés - Por Caldato W.
Na dermatologia, um calo é uma área dura de pele, que se tornou grossa e rígida como uma resposta a repetidos contatos e pressões.
Sapatos apertados podem freqüentemente causar calos nos pés.
Os calos apresentam três formas clínicas distintas: helomas, tilomas e hiperqueratosianas.
Dependendo das suas características e da forma como são tratados, podem ou não deixar alterações cutâneas visíveis e sintomáticas, mas de uma forma geral é possível eliminá-los de forma a que a pele adquira o seu aspecto e integridade normais.
É importante perceber que os calos surgem em zonas de maior pressão e/ou fricção e são um mecanismo natural de defesa da própria pele em resposta a estas alterações.
Desta forma só é possível tratar definitivamente um calo ou calosidade se for tratada a alteração que o origina, seja ela externa (calçado inadequado), ou interna, como uma alteração estrutural do pé (óssea).
fonte: Wikipédia//
A sociedade brasileira - e provavelmente o resto do mundo - está ficando calejada com cenas de violência e a barbárie sendo apresentada
diariamente na televisão, sem qualquer prurido.
Cenas de homicídio são banalizadas diariamente pelas câmeras de segurança, satisfazendo a curiosidade e o apetite de muitos.
O quê justifica isso? Melhora o IBOPE? Será que o cidadão comum merece ver isso? Não será mais apropriado para o BOPE?
Acredito que pagamos um preço por isso. A sociedade está ficando mais violenta. As pessoas acabam interpretando o que vêem na TV.
Proibir filmes com cenas de violência? Não faz sentido, diante das cenas reais que rodam o mundo a serviço do sensacionalismo.
Ah, mas isso faz parte da vida . . . e as coisas boas, não? Cada um cria em torno de si a atmosfera que lhe apraz. Constrói seu
inferno ou seu paraíso.
A violência não diminui com o recolhimento de armas. Diminui com educação e a prática do respeito ao próximo, princípios que se
aprende em casa e se exercita na escola.
Quem planta vento, colhe tempestade. Observe a nação do norte. Veja o que tem acontecido em seu próprio quintal.
Recolham-se os revolveres, espalhar-se-ão as facas. Recolham-se as facas, espalhar-se-ão as pedras. Dá pra recolher as pedras?!
Vamos remover nossos calos. Esses, sim. Repudiemos a banalização do crime e da violência. Digamos não ao sensacionalismo
exacerbado dos canais de TV. E sobretudo, nos reaproximemos de Deus. ELE está onde sempre esteve.
Delenda Cartago!
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE
A instalação da Comissão Nacional da Verdade, na data de ontem, em cerimônia tornada pública pela imprensa falada e escrita, permitiu ao povo brasileiro compartilhar da emoção com o sofrimento das famílias dos desaparecidos que participaram de ações em decorrência de ideais que abraçaram.
Pela presente vimos também, por razões humanitárias e de justiça, lamentar em nome das famílias daqueles que, em defesa do Estado Nacional e no cumprimento de deveres que lhes haviam sido legitimamente atribuídos, as vítimas de atentados dos quais participaram, ativa ou passivamente, alguns dos desaparecidos ontem lamentados.
Cabe lembrar que aquelas famílias que pranteamos sentem a mesma imensa dor, à qual é somado o sofrimento de se verem totalmente desamparadas e ignoradas pelo Estado.
O respeito aos termos legais que regem a Comissão Nacional da Verdade nos permite lembrar que o restabelecimento da História Nacional, no período indicado, deve ser completo, dando real significado a fatos históricos que têm, necessariamente, causa, meio e fim, sem qualquer outro objetivo que não seja revelar a verdade dos lados.
Assim, ouvir e registrar o que ex-agentes do Estado bem como ex-militantes revelarem sobre atos em apreciação da Comissão, é imperioso.
Dentro destes princípios estamos certos de que a História do nosso País poderá ser enriquecida com Verdades sem distorção de versões, para conhecimento das novas gerações a quem nos cabe legar um passado adequadamente descrito e que sirva de exemplo para o futuro.
Rio de Janeiro, 17 de maio de 2012.
http://clubemilitar.com.br/wp-content/uploads/2012/05/Sem-T%C3%ADtulo-21-e1337372329864-300x49.jpg
Roubar pelo povo - O Globo - 20/12
CARLOS ALBERTO SARDENBERG
Intelectuais ligados ao PT estão flertando com uma nova tese para lidar com o mensalão e outros episódios do tipo: seria inevitável, e até mesmo necessário, roubar para fazer um bom governo popular.
Trata-se de uma clara resposta ao peso dos fatos. Tirante os condenados, seus amigos dedicados e os xiitas, ninguém com um mínimo de tirocínio sente-se confortável com aquela história da "farsa da mídia e do Judiciário".
Se, ao contrário, está provado que o dinheiro público foi roubado e que apoios políticos foram comprados, com dinheiro público, restam duas opções: ou desembarcar de um projeto heroico que virou bandidagem ou, bem, aderir à tese de que todo governo rouba, mas os de esquerda roubam menos e o fazem para incluir os pobres.
Vimos duas manifestações recentes dessa suposta nova teoria. Na "Folha", Fernanda Torres, em defesa de José Dirceu, buscou inspiração em Shakespeare para especular: talvez seja impossível governar sem violar a lei.
No "Valor", Renato Janine Ribeiro escreveu duas colunas para concluir: comunistas revolucionários não roubam; esquerdistas reformistas roubam quando chegam ao governo, mas "talvez" tenham de fazer isso para garantir as políticas de inclusão social.
Tirante a falsa sofisticação teórica, trata-se da atualização de coisa muito velha. Sim, o leitor adivinhou: o pessoal está recuperando o "rouba mas faz", criado pelos ademaristas nos anos 50. Agora é o "rouba mas distribui".
Nem é tão surpreendente assim. Ainda no período eleitoral recente, Marilena Chauí havia colocado Maluf no rol dos prefeitos paulistanos realizadores de obras, no grupo de Faria Lima, e fora da turma dos ladrões.
Fica assim, pois: José Dirceu não é corrupto, nem quadrilheiro - mas participou da corrupção e da quadrilha porque, se não o fizesse, não haveria como aplicar o programa popular do PT.
Como se chega a esse incrível quebra-galho teórico? Fernanda Torres oferece uma pista quando comenta que o PT se toma como o partido do povo brasileiro. Ora, segue-se, se as elites são um bando de ladrões agindo contra o povo, qual o problema de roubar "a favor do povo"?
Renato Janine Ribeiro trabalha na mesma tese, acrescentando casos de governos de esquerda bem-sucedidos, e corruptos. Não fica claro se são bem-sucedidos "apesar" de corruptos ou, ao contrário, por serem corruptos. Mas é para esta ultima tese que o autor se inclina.
Não faz sentido, claro. Começa que não é verdade que todo governo conservador é contra o povo e corrupto. Thatcher e Reagan, exemplos máximos da direita, não roubavam e trouxeram grande prosperidade e bem-estar a seus povos. Aqui entre nós, e para ir fundo, Castello Branco e Médici também não roubavam e suas administrações trouxeram crescimento e renda.
Por outro lado, o PT não é o povo. Representa parte do povo, a majoritária nas últimas três eleições presidenciais. Mas, atenção, nunca ganhou no primeiro turno e os adversários sempre fizeram ao menos 40%. E no primeiro turno de 2010, Serra e Marina fizeram 53% dos votos.
Por isso, nas democracias o governo não pode tudo, tem que respeitar a minoria e isso se faz pelo respeito às leis, que incluem a proibição de roubar. E pelo respeito à opinião pública, expressa, entre outros meios, pela imprensa livre.
Por não tolerar essas limitações, os partidos autoritários, à direita e à esquerda, impõem ou tentam impor ditaduras, explícitas ou disfarçadas. Acham que, por serem a expressão legítima do povo, podem tudo.
Assim, caímos de novo em velha tese: os fins justificam os meios, roubar e assassinar.
Renato Janine Ribeiro diz que os regimes comunistas cometeram o pecado da extrema violência física, eliminando milhões de pessoas. Mas eram eticamente puros, sustenta: gostavam de limusines e dachas, mas não colocavam dinheiro público no bolso. (A propósito, anotem aí: isto é uma prévia para uma eventual defesa de Lula, quando começam a aparecer sinais de que o ex-presidente e sua família abusaram de mordomias mais do que se sabe).
Quanto aos comunistas, dizemos nós, não eram "puros" por virtude, mas por impossibilidade. Não havia propriedade privada, de maneira que os corruptos não tinham como construir patrimônios pessoais. Roubavam dinheiro de bolso e se reservavam parte do aparelho do estado, enquanto o povo que representavam passava fome. Puros?
Reparem: na China, misto de comunismo e capitalismo, os líderes e suas famílias amealharam, sim, grandes fortunas pessoais.
Voltando ao nosso caso brasileiro, vamos falar francamente: ninguém precisa ser ladrão de dinheiro público para distribuir Bolsa Família e aumentar o salário mínimo.
Querem tudo?
Dilma consegue aprovar a MP que garante uma queda na conta de luz. O Operador Nacional do Sistema Elétrico diz que haverá mais apagões porque não há como evitá-los sem investimentos que exigiriam tarifas mais caras.
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
PROFETA ATOLADO
Mário Fernandez
"Tomaram, então, a Jeremias e o lançaram na cisterna de Malquias, filho do rei, que estava no átrio da guarda; desceram a Jeremias com cordas. Na cisterna não havia água, senão lama; e Jeremias se atolou na lama." (Jeremias 38:6 ARA)
Nós aprendemos desde cedo que lama na Bíblia representa pecado e sujeira, assim como um profeta representa, ou tipifica, um homem de Deus. Note que ele não caiu na lama, ele foi jogado. Alguns versículos adiante seu resgatador vai buscar ajuda e deixa claro que, se ele não for socorrido, morrerá de fome.
Quanta gente ao nosso redor está atolada na lama, sujeita a morrer de fome, esperando alguém que se disponha a resgatar, buscar e trazer salvação. Quantos homens e mulheres de Deus poderiam estar produzindo para o Reino, mas estão apenas atolados em sua lama pessoal. Alguns estudiosos estão afirmando que tem mais crente desviado que dentro das igrejas e não é difícil de acreditar, embora seja ruim de aceitar. São amados de Deus como eu e você, mas que, por algum motivo, foram jogados na lama, ou se atiraram nela. Tudo que eles precisam é que alguém se disponha a ajudar, com fé e persistência, para que possam ser desatolados da lama e voltar ao ofício profético.
Quantos pastores afastados de ministério, quantos missionários encostados à margem do caminho. Será que eu e você não podemos realmente fazer nada? Não estou dizendo que seja simples nem muito menos que seja fácil, mas levanto o questionamento de que é necessário. Com a graça de Deus nunca estive assim, mas tenho amigos assim. Quanta tristeza lembrar como eram abençoadores e abençoados e agora simplesmente anônimos no atoleiro. O etíope que socorreu Jeremias buscou ajuda do Rei, ele não fez sozinho pois sabia não ser capaz. Há de existir quem nos ajude.
Talvez você pense que esse assunto não lhe diz respeito, mas preciso te dizer que eu também pensava assim. Agora tenho um amado que deixou família, saiu da igreja, mudou de cidade, refugiado nos braços da tentação. O que fazer? Agora que me dói, despertei. Te convido a compartilhar minha dor pelos atolados.
"Pai, toda alma é importante e todo perdido precisa ser salvo. Mas estes que um dia Te conheceram e agora estão atolados, precisam de um instrumento Teu para seu resgate. Ajuda-nos."
_______________________________________________
http://www.ICHTUS.com.br
O que é ICHTUS?
ICHTUS, vem do grego "ixtus", que significa peixe. Era o símbolo dos cristãos primitivos perseguidos pelo poder romano. As letras eram as iniciais das palavras Iesus Xristos Theos Huios Sopter (Jesus Cristo, Filho de Deus, o Salvador).
terça-feira, 19 de junho de 2012
Quero tempo para mim...
Eu acho que na maioria das vezes vivemos atrás de um ideal que nem sempre espelha o que realmente desejamos para as nossas vidas, deixando-nos levar pela paranóia coletiva que só enxerga o bem material e a ostentação que desperte inveja na massa ignara.
Tudo isso não passa de uma tremenda tolice que ocasiona a inquietude e obriga o indivíduo a fazer coisas que trazem arrependimentos mais tarde.
Com a chegada da velhice, percebemos a perda de um tempo precioso correndo ao encontro dos ideais dos outros, esquecendo-nos das reais prioridades na vida de qualquer um, entre elas a de ser feliz com o estritamente necessário para uma existência digna e sem maiores atribulações.
Para que acumularmos riquezas se a vida é curta? Cada minuto é importante nessa caminhada, ainda mais por não sabermos o que virá a seguir. Precisamos ser desprendidos de coisas supérfluas que só sevem para entulhar a vida da gente com quinquilharias.
Vivamos cada segundo como se fosse o último. Afinal, pode ser que seja mesmo. Ariel via e-mail.
domingo, 2 de outubro de 2011
Passando à Reserva Remunerada
Hora de despedir-me:
Srs Gens Div Minicelli, José Carlos, Oliveira e Jaldemar, companheiros, meus familiares, senhoras e senhores.
Estou muito feliz com a presença de todos. Sinceramente...
Os renascentistas faziam belas esculturas em mármore, porém os jovens artesãos que não podiam frequentar as escolas juntavam cera ao pó de mármore para esconder as imperfeições de suas peças, que derreteriam no próximo verão. Daí os verdadeiros mestres colocarem placas indicativas “sine cera” em suas obras primas.
Sinceridade, portanto, vem do latim e indica transparência, sem máscara.
Sr Gen Minicelli, obrigado pela sinceridade dessa homenagem e pelas palavras bondosas do Sr Chefe do DCT!
Em 1924 a Coluna Prestes arrastou meu avô: Vitório Callai, à luta armada em busca de ideais de justiça e igualdade no movimento denominado “tenentismo”, no qual meu avô obteve a graduação de cabo batedor, agraciado pelo então Capitão Oswaldo Cordeiro de Farias, mais tarde, interventor do Rio Grande, e heroico comandante da Artilharia Divisionária da FEB na Itália. Eu imagino que ambos devam ter desenvolvido uma relação de confiança e amizade na dureza daquela marcha, uma vez que se tornaram compadres e o tio Oswaldo, filho caçula do vô Vitório, acabou recebendo o nome de seu padrinho.
Quis o destino,[ ] a mão de Deus, que 40 anos mais tarde o sargento Oswaldo fosse condenado e recolhido à Ilha da Cobras, por ser declarado comunista pela Revolução Redentora de 64. Mesmo sendo peixe de um general ex-combatente ele pagou com a carreira sua desatenção ao responder um IPM. Enquanto isso, o sargento Callai, meu pai, estabelecido em Três Corações, destacava-se como militar de escol e foi encarregado pelo Tenente Alcedir Pereira Lopes de recolher o comandante da EsSA preso a Juiz de Fora, por desconsiderar radiograma recebido e ter deixado passar a tropa de Pouso Alegre pela Fernão Dias (motivado por sua postura “em cima do muro”).
Quarenta anos depois, em 2004, o tio Oswaldo havia sido reabilitado, passando a capitão da reserva e anistiado político, e o Gen Alcedir, infelizmente, falecera, não sem antes contar a história da EsSA um monte de vezes, ensinando-nos princípios de lealdade e o papel valoroso do sargento na Força Terrestre.
Eu exercia, na época, o comando do Batalhão Escola de Comunicações, o Barão de Capanema, e tinha certeza que outra revolução seria desencadeada a qualquer momento (24, 64, 2004) e eu seria chamado a protagonizar atos heroicos, como os de meu pai e meu avô, ou seria escorraçado do comando pelos associados da APEB, alguns companheiros que o BEsCom acolhera, movimentados que foram do Recife e, dois deles, do 5º CTA.
Essa numerologia dos 40 anos manteve-me em alerta todo o período e não perdia de vista o realismo dos fatos e a honradez do cumprimento do dever, máximas inegociáveis, sobre as quais vinha pautando meu comportamento na caserna. Informação para bem cumprir a missão!
Ali no Rio de Janeiro passamos, eu e meus subordinados, incólumes por algumas operações reais e de lambuja, pude chefiar o 5º CTA, na terra abençoada do Recife, sem comprometer o nome da família. Ser filho de sargento me ajudou muito em ambas missões. [ ]
Obrigado senhores generais Enzo e Albuquerque por me nomearem para exercer a chefia e o comando, para os quais fui preparado.[ ] Perdoem-me, meus subordinados, pelas vezes que não fui exemplo de retidão e isenção para vocês. Quando fui discricionário e, amparando-me apenas no bom senso e na aparência, decidi por um lado, em detrimento de outro. Falo isso sem arrependimento, na certeza de que não faria tudo de novo, caso as oportunidades se repetissem, porque agora, acumulo mais experiência.
Há uma espiral da aprendizagem que vai-se alternando entre conhecimento tácito, quando a gente medita e contempla, e o explícito, quando trocamos ideias e interagimos com superiores, subordinados, familiares, amigos e, principalmente, mentores. Daí sermos melhores a cada dia.
Meu pai foi meu único mentor até os 10 anos de idade, ensinando-me a pescar, atirar, escalar, pedalar, montar e a obedecer. A reserva de material do subtenente da Bia Art da EsSA foi a extensão do meu lar. Já interno no CMBH o tio Mauro Almeida, homem bom e paciente, dividiu com o meu pai a mentoria e me acolheu no seio de sua querida família onde passava os fins de semana. Meu avô Hermínio tutoriou o desenvolvimento no ensino médio, na Preparatória e o tio Toninho Almeida me orientou na AMAN, onde era instrutor de geografia, na época, e cuja disposição em ajudar nas tarefas do lar, tornou-se referência de pai e marido dedicados.
O judô, a ginástica artística e o voleibol ensinaram-me a respeitar regras e a perseverar, com entusiasmo até o último minuto do combate. No esporte pude ser experimentado no limite das capacidades física e mental e ainda, aprendi a relevar os erros próprios e a perdoar o erro dos outros, para buscar novos resultados. Fui, orgulhosamente, o capitão da equipe bi-campeã de volei da NAVAMAER.
Aos mentores Sargento José Inácio do Nascimento, professor Fernando Brochado e Cel Lúcio Alfredo do Monte Gomes, um sincero HIP-HURRA! Os senhores contribuíram para minha formação moral, ensinando-me a não desprezar os vencidos, além de reforçarem a máxima de que só a repetição pode trazer a perfeição.
A palavra entusiasmo vem do grego e significa "ter um deus dentro de si". Segundo eles, só as pessoas entusiasmadas eram capazes de vencer os desafios do cotidiano, criar uma realidade ou modificá-la. Eu creio que há um Espírito Santo dentro de nós. Por isso, as pessoas entusiasmadas acreditam em si, agem com serenidade, alegria e firmeza. E acreditam igualmente nos outros. Não é o sucesso que traz o entusiasmo, é o entusiasmo que traz o sucesso, dizia o Sr Gen Salvador no CMNE.
O meu plano de vida, agora, está na fase de deixar o serviço ativo para dedicar-me aos estudos: da bíblia, dos problemas brasileiros, dos eventos desportivos e, certamente, daqui a duas semanas estarei escrevendo alguma coisa para os amigos. Obrigado aos que recebem meus e-mail e não reclamam. Obrigado, também, por estarem aqui, prestando atenção na concordância verbal do discurso, para depois fazerem chacota comigo, numa perversa retaliação [ ] porque me amam, mesmo eu sendo tão crítico e provocador. Perdão por isso! Vocês sabem o quanto aprecio nosso convívio amistoso e espontâneo. Sou devedor a cada um de vocês pela atenção que têm comigo e com a Ana.
Ainda com relação aos mentores, agradeço ao Cel Lisboa, meu primeiro comandante no 4º BCom, por ter forçado seis aspirantes a comprarem um terreno em Pernambuco para terem aonde ser enterrados (sic). Ao Cel Ruy pela amizade sincera e Cel Cramer pelo incentivo ao crescimento. Agradeço ao Cel Corrêa (Humberto Corrêa de Oliveira) por insistir comigo que criasse o hábito de escrever memórias. Foram quatro trabalhos julgados aproveitáveis pelo EME e há outro em processamento.
Ao Cel Castilho por nosso convívio no CIGE e no EME, que contribuíram para meu amadurecimento profissional. Aos generais José Carlos e Carvalho pela paciência que tiveram com minha pessoa e pelo exemplo que são de determinação em consertar o mundo. Ao Cel Félix por me colocar dentro da ECEME e pela amizade positiva, empurrando-me sempre para cima e para o alto. Ao Gen Jaldemar pela clarividência de posicionar o C2 Cmb no mesmo nível dos sistemas de C2 da MB e da FAé em reunião do GT SICECOS ali no MD. Ao Gen Oliveira pelas inúmeras vezes que me socorreu com recursos, com movimentações e com sábios conselhos, meu sincero brado de RONDON!
Ao Gen Emílio, meu chefe imediato no passado recente, exemplo de profissionalismo e seriedade na gestão dos recursos financeiros. Aos senhores generais Heleno, Maier, Minicelli e Valdetaro, apesar do curto espaço de tempo e de convívio, agradeço a orientação firme que me permitiu priorizar as demandas do GC2 para buscar o atingimento dos objetivos visualizados. Aos amigos generais Marconi, Amir e Bráulio minhas desculpas por atravessar a linha da intimidade e, por vezes, ter sido folgado com os senhores, mesmo motivado pelo realismo dos fatos e na busca do cumprimento da missão, segundo disse, eu deveria poupá-los tendo mais sensibilidade e tato.
Deus há de recompensá-los todos.
Quanto ao Exército sinto-me empatado. Não devo e nem fui logrado. Foi uma troca justa. Uma verdadeira escola de vida.
Por fim, minha esposa e sogra, meus filhos e nora, meu irmão e irmãs, meus pais, nosso querido pastor...a luta continua!...estes aí vão-se ver livres de mim, mas vocês, não! He, he, he.
Presto minha homenagem a todos pais aqui presentes.
A educação vem do berço. A capacidade que descobri em mim de fazer coisas, principalmente quando coagido, tornaram-me uma pessoa do bem. A ameça de tomar uma “camaçada de pau” fez-me levantar da cama, lavar banheiro e entrar no ônibus para voltar do licenciamento escolar, muitas vezes. Assim como os mentores, o papel dos pais é fundamental para mudarmos nossa cabeça, nosso exército e nosso país.
Felizmente, o sangue aguerrido dos italianos Callai foi pacificado pelo sangue de trabalhador dos portugueses Ferreira de Almeida. O avô materno Hermínio foi taxista por mais de 50 anos e do suor de seu rosto muito bem educou cinco filhos. Entre suas peripécias há uma viagem em que transportou um determinado fazendeiro paulista para aquele Estado e se viu escondido numa trincheira da revolução de 1932, tendo seu automóvel arranhado por estilhaços de granadas arremessadas pela aviação da Força Pública de São Paulo. Mas essa eu conto em outra oportunidade.
Porém os senhores, façam comigo a conta...de 1932 para 72, ano em que toda família Callai saiu de Três Corações, são 40 e somando mais 40 dá exatamente o ano vindouro, 2012.
Estarei pronto para ser mobilizado, na reserva ativa! Rsrs.
Desejo, sinceramente, que Deus os mantenha entusiasmados por suas carreiras e que Ele os abençoe a todos. Ao SiTIEx, à Arma de Com e ao EB...HIP-HURRA!
Obrigado SENHOR!
ASSINO EM: Brasília, 30 de setembro de 2011.
Srs Gens Div Minicelli, José Carlos, Oliveira e Jaldemar, companheiros, meus familiares, senhoras e senhores.
Estou muito feliz com a presença de todos. Sinceramente...
Os renascentistas faziam belas esculturas em mármore, porém os jovens artesãos que não podiam frequentar as escolas juntavam cera ao pó de mármore para esconder as imperfeições de suas peças, que derreteriam no próximo verão. Daí os verdadeiros mestres colocarem placas indicativas “sine cera” em suas obras primas.
Sinceridade, portanto, vem do latim e indica transparência, sem máscara.
Sr Gen Minicelli, obrigado pela sinceridade dessa homenagem e pelas palavras bondosas do Sr Chefe do DCT!
Em 1924 a Coluna Prestes arrastou meu avô: Vitório Callai, à luta armada em busca de ideais de justiça e igualdade no movimento denominado “tenentismo”, no qual meu avô obteve a graduação de cabo batedor, agraciado pelo então Capitão Oswaldo Cordeiro de Farias, mais tarde, interventor do Rio Grande, e heroico comandante da Artilharia Divisionária da FEB na Itália. Eu imagino que ambos devam ter desenvolvido uma relação de confiança e amizade na dureza daquela marcha, uma vez que se tornaram compadres e o tio Oswaldo, filho caçula do vô Vitório, acabou recebendo o nome de seu padrinho.
Quis o destino,[ ] a mão de Deus, que 40 anos mais tarde o sargento Oswaldo fosse condenado e recolhido à Ilha da Cobras, por ser declarado comunista pela Revolução Redentora de 64. Mesmo sendo peixe de um general ex-combatente ele pagou com a carreira sua desatenção ao responder um IPM. Enquanto isso, o sargento Callai, meu pai, estabelecido em Três Corações, destacava-se como militar de escol e foi encarregado pelo Tenente Alcedir Pereira Lopes de recolher o comandante da EsSA preso a Juiz de Fora, por desconsiderar radiograma recebido e ter deixado passar a tropa de Pouso Alegre pela Fernão Dias (motivado por sua postura “em cima do muro”).
Quarenta anos depois, em 2004, o tio Oswaldo havia sido reabilitado, passando a capitão da reserva e anistiado político, e o Gen Alcedir, infelizmente, falecera, não sem antes contar a história da EsSA um monte de vezes, ensinando-nos princípios de lealdade e o papel valoroso do sargento na Força Terrestre.
Eu exercia, na época, o comando do Batalhão Escola de Comunicações, o Barão de Capanema, e tinha certeza que outra revolução seria desencadeada a qualquer momento (24, 64, 2004) e eu seria chamado a protagonizar atos heroicos, como os de meu pai e meu avô, ou seria escorraçado do comando pelos associados da APEB, alguns companheiros que o BEsCom acolhera, movimentados que foram do Recife e, dois deles, do 5º CTA.
Essa numerologia dos 40 anos manteve-me em alerta todo o período e não perdia de vista o realismo dos fatos e a honradez do cumprimento do dever, máximas inegociáveis, sobre as quais vinha pautando meu comportamento na caserna. Informação para bem cumprir a missão!
Ali no Rio de Janeiro passamos, eu e meus subordinados, incólumes por algumas operações reais e de lambuja, pude chefiar o 5º CTA, na terra abençoada do Recife, sem comprometer o nome da família. Ser filho de sargento me ajudou muito em ambas missões. [ ]
Obrigado senhores generais Enzo e Albuquerque por me nomearem para exercer a chefia e o comando, para os quais fui preparado.[ ] Perdoem-me, meus subordinados, pelas vezes que não fui exemplo de retidão e isenção para vocês. Quando fui discricionário e, amparando-me apenas no bom senso e na aparência, decidi por um lado, em detrimento de outro. Falo isso sem arrependimento, na certeza de que não faria tudo de novo, caso as oportunidades se repetissem, porque agora, acumulo mais experiência.
Há uma espiral da aprendizagem que vai-se alternando entre conhecimento tácito, quando a gente medita e contempla, e o explícito, quando trocamos ideias e interagimos com superiores, subordinados, familiares, amigos e, principalmente, mentores. Daí sermos melhores a cada dia.
Meu pai foi meu único mentor até os 10 anos de idade, ensinando-me a pescar, atirar, escalar, pedalar, montar e a obedecer. A reserva de material do subtenente da Bia Art da EsSA foi a extensão do meu lar. Já interno no CMBH o tio Mauro Almeida, homem bom e paciente, dividiu com o meu pai a mentoria e me acolheu no seio de sua querida família onde passava os fins de semana. Meu avô Hermínio tutoriou o desenvolvimento no ensino médio, na Preparatória e o tio Toninho Almeida me orientou na AMAN, onde era instrutor de geografia, na época, e cuja disposição em ajudar nas tarefas do lar, tornou-se referência de pai e marido dedicados.
O judô, a ginástica artística e o voleibol ensinaram-me a respeitar regras e a perseverar, com entusiasmo até o último minuto do combate. No esporte pude ser experimentado no limite das capacidades física e mental e ainda, aprendi a relevar os erros próprios e a perdoar o erro dos outros, para buscar novos resultados. Fui, orgulhosamente, o capitão da equipe bi-campeã de volei da NAVAMAER.
Aos mentores Sargento José Inácio do Nascimento, professor Fernando Brochado e Cel Lúcio Alfredo do Monte Gomes, um sincero HIP-HURRA! Os senhores contribuíram para minha formação moral, ensinando-me a não desprezar os vencidos, além de reforçarem a máxima de que só a repetição pode trazer a perfeição.
A palavra entusiasmo vem do grego e significa "ter um deus dentro de si". Segundo eles, só as pessoas entusiasmadas eram capazes de vencer os desafios do cotidiano, criar uma realidade ou modificá-la. Eu creio que há um Espírito Santo dentro de nós. Por isso, as pessoas entusiasmadas acreditam em si, agem com serenidade, alegria e firmeza. E acreditam igualmente nos outros. Não é o sucesso que traz o entusiasmo, é o entusiasmo que traz o sucesso, dizia o Sr Gen Salvador no CMNE.
O meu plano de vida, agora, está na fase de deixar o serviço ativo para dedicar-me aos estudos: da bíblia, dos problemas brasileiros, dos eventos desportivos e, certamente, daqui a duas semanas estarei escrevendo alguma coisa para os amigos. Obrigado aos que recebem meus e-mail e não reclamam. Obrigado, também, por estarem aqui, prestando atenção na concordância verbal do discurso, para depois fazerem chacota comigo, numa perversa retaliação [ ] porque me amam, mesmo eu sendo tão crítico e provocador. Perdão por isso! Vocês sabem o quanto aprecio nosso convívio amistoso e espontâneo. Sou devedor a cada um de vocês pela atenção que têm comigo e com a Ana.
Ainda com relação aos mentores, agradeço ao Cel Lisboa, meu primeiro comandante no 4º BCom, por ter forçado seis aspirantes a comprarem um terreno em Pernambuco para terem aonde ser enterrados (sic). Ao Cel Ruy pela amizade sincera e Cel Cramer pelo incentivo ao crescimento. Agradeço ao Cel Corrêa (Humberto Corrêa de Oliveira) por insistir comigo que criasse o hábito de escrever memórias. Foram quatro trabalhos julgados aproveitáveis pelo EME e há outro em processamento.
Ao Cel Castilho por nosso convívio no CIGE e no EME, que contribuíram para meu amadurecimento profissional. Aos generais José Carlos e Carvalho pela paciência que tiveram com minha pessoa e pelo exemplo que são de determinação em consertar o mundo. Ao Cel Félix por me colocar dentro da ECEME e pela amizade positiva, empurrando-me sempre para cima e para o alto. Ao Gen Jaldemar pela clarividência de posicionar o C2 Cmb no mesmo nível dos sistemas de C2 da MB e da FAé em reunião do GT SICECOS ali no MD. Ao Gen Oliveira pelas inúmeras vezes que me socorreu com recursos, com movimentações e com sábios conselhos, meu sincero brado de RONDON!
Ao Gen Emílio, meu chefe imediato no passado recente, exemplo de profissionalismo e seriedade na gestão dos recursos financeiros. Aos senhores generais Heleno, Maier, Minicelli e Valdetaro, apesar do curto espaço de tempo e de convívio, agradeço a orientação firme que me permitiu priorizar as demandas do GC2 para buscar o atingimento dos objetivos visualizados. Aos amigos generais Marconi, Amir e Bráulio minhas desculpas por atravessar a linha da intimidade e, por vezes, ter sido folgado com os senhores, mesmo motivado pelo realismo dos fatos e na busca do cumprimento da missão, segundo disse, eu deveria poupá-los tendo mais sensibilidade e tato.
Deus há de recompensá-los todos.
Quanto ao Exército sinto-me empatado. Não devo e nem fui logrado. Foi uma troca justa. Uma verdadeira escola de vida.
Por fim, minha esposa e sogra, meus filhos e nora, meu irmão e irmãs, meus pais, nosso querido pastor...a luta continua!...estes aí vão-se ver livres de mim, mas vocês, não! He, he, he.
Presto minha homenagem a todos pais aqui presentes.
A educação vem do berço. A capacidade que descobri em mim de fazer coisas, principalmente quando coagido, tornaram-me uma pessoa do bem. A ameça de tomar uma “camaçada de pau” fez-me levantar da cama, lavar banheiro e entrar no ônibus para voltar do licenciamento escolar, muitas vezes. Assim como os mentores, o papel dos pais é fundamental para mudarmos nossa cabeça, nosso exército e nosso país.
Felizmente, o sangue aguerrido dos italianos Callai foi pacificado pelo sangue de trabalhador dos portugueses Ferreira de Almeida. O avô materno Hermínio foi taxista por mais de 50 anos e do suor de seu rosto muito bem educou cinco filhos. Entre suas peripécias há uma viagem em que transportou um determinado fazendeiro paulista para aquele Estado e se viu escondido numa trincheira da revolução de 1932, tendo seu automóvel arranhado por estilhaços de granadas arremessadas pela aviação da Força Pública de São Paulo. Mas essa eu conto em outra oportunidade.
Porém os senhores, façam comigo a conta...de 1932 para 72, ano em que toda família Callai saiu de Três Corações, são 40 e somando mais 40 dá exatamente o ano vindouro, 2012.
Estarei pronto para ser mobilizado, na reserva ativa! Rsrs.
Desejo, sinceramente, que Deus os mantenha entusiasmados por suas carreiras e que Ele os abençoe a todos. Ao SiTIEx, à Arma de Com e ao EB...HIP-HURRA!
Obrigado SENHOR!
ASSINO EM: Brasília, 30 de setembro de 2011.
domingo, 11 de setembro de 2011
Exército não aceita acordo de Cabral com traficantes
Por Helio Fernandes - Tribuna da Imprensa
A “pacificação” das favelas do Rio não passa de um acordo feito entre o governador e os traficantes, que podem “trabalhar” livremente, desde que não usem armas nem intimidem os moradores das comunidades.
Em dezembro do ano passado publiquei, aqui no Blog, um importante artigo de denúncia, mostrando que a política de “pacificação” das favelas não passa de uma manobra eleitoreira do governador cabralzinho, que inclui um incrível e espantoso acordo entre as autoridades estaduais e os traficantes que atuavam (e continuam atuando) nessas comunidades carentes.
O acordo está “firmado” sob as seguintes cláusulas:
1 – Os traficantes somem com as armas da favela, com os “soldados” de máscaras ninjas, com os olheiros e tudo o mais.
2 – A PM entra na favela, sem enfrentar resistência, ocupa os pontos que bem entender, mas não invade nenhuma casa, nenhum barraco, e não prende ninguém, pois não “acha” traficantes ou criminosos.
3 – A favela é tida como “pacificada”, não existem mais marginais circulando armados, os moradores não sofrem mais intimidações, não há mais balas perdidas.
4 – Em compensação, o tráfico fica liberado, desde que feito discretamente, sem muita movimentação..
Até o Blog publicar esses artigos, ninguém havia tocado no assunto. A implantação das chamadas UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) vinha sendo saudada pela imprensa escrita, falada e televisada como uma espécie de panacéia na segurança pública. Era como se, de súbito, as autoridades estaduais e municipais tivessem conseguido “colocar o ovo em pé de Colombo”, resolvendo de uma hora para outra o maior problema da atualidade: a violência e o tráfico de drogas nos guetos das grandes cidades.
Não há dúvida, esse é UM DOS MAIORES DESAFIOS DA HUMANIDADE. Como todos sabem, em praticamente todos os países do mundo, governantes e autoridades da segurança pública continuam sem saber como enfrentar e vencer o problema da criminalidade e do tráfico. Menos no Rio de Janeiro. Aqui, houve uma espécie de “abracadabra”, coisa de carioca que se acha o cara, um toque de varinha de condão e, num passe de mágica, as favelas foram “pacificadas”, que maravilha viver aqui no Rio, afinal de contas é a "Cidade Maravilhosa". Tinha o "menino do Rio" agora temos o tal de "Rodrigo Pimentel", o sabe tudo da TV Globo.
O mais interessante: não foi disparado UM ÚNICO E ESCASSO TIRO, os traficantes e “donos” das favelas não lançaram uma só granada, um solitário morteiro, não acionaram seus lança-chamas, seus mísseis portáteis, seus rifles AR-15 e M-16, suas submetralhadoras Uzi, nada, nada.
No artigo-denúncia que publiquei no final de dezembro e nos outros que se seguiram em janeiro, chamei atenção para esse fato espantoso: ninguém reparou que a tal “pacificação” foi fácil demais, não houve uma só troca de tiros?
O pior foi a atitude do governador cabralzinho, que deve pensar (?) que os demais cidadãos são todos imbecis e aceitam qualquer “explicação” que lhes seja fornecida pelas autoridades. Recordemos que foi ele quem teve a ousadia e a desfaçatez de vir a público e proclamar, textualmente: “DEI PRAZO DE 48 HORAS PARA OS TRAFICANTES DEIXAREM O CANTAGALO-PAVÃO-PAVÃOZINHO”.
Como é que é? O governador esteve com os traficantes, “cara-a-cara”, e fez o ultimato? Ou mandou recado por algum amigo comum? Como foi o procedimento? Ninguém sabe.
O que se sabe é que o governador alardeava (e continua alardeando) que, em todas as favelas onde a Polícia Militar instalou as UPPs, os traficantes e criminosos simplesmente sumiram, assustados, amedrontados, apavorados.
Seria tão bom se fosse verdade!! Mas o que é a verdade para esse governador enriquecido ilicitamente, cuja mansão à beira-mar em Mangaratiba virou ponto de atração turística? Para ele, a verdade é a versão que ele transmite, por mais fantasiosa que seja, como se fosse um ridículo Pinóquio de carne e osso (aliás, muito mais carne do que osso, já caminhando para a obesidade precoce), a inventar contos da Carochinha para iludir os eleitores mal informados.
Quando escrevi a série de artigos desmascarando a “pacificação das favelas”, houve tremenda repercussão (como ocorre com tudo que sai publicado nesse Blog ou na Tribuna da Imprensa). Mas a maioria das pessoas se recusava a acreditar. Não podiam aceitar que um governante descesse a nível tão baixo, criasse tão estarrecedora mistificação, tentasse manipular tão audaciosamente os eleitores.
Mas meus artigos plantaram a semente da dúvida. Nas redações, os jornalistas começaram a questionar a veracidade do sucesso dessa política de segurança pública. Até que, há dois ou três meses, O Globo publicou uma página inteira em sua seção “Logo” (que é uma espécie de “pensata”), ironizando a facilidade com que as favelas teriam sido “pacificadas”. (Não me deram crédito nem royalties, é claro, mas fico esperando o pré-sal).
No dia 2 de julho, mais uma vez O Globo, em reportagem de Vera Araújo, comprova que meus artigos de denúncia estavam corretos. Sob o título “FEIRÃO DE DROGAS DESAFIA UPP”), com fotos impressionantes feitas em maio na Cidade de Deus, a matéria mostra que o tráfico de drogas está e sempre esteve liberado, exatamente como afirmei.
Ao que parece, a repórter nem chegou a ir à Cidade de Deus. As fotos na “favela pacificada” foram feitas por um morador do local, que as enviou ao jornal. Foi facílimo fazer a matéria, as imagens dizem tudo.
No dia seguinte, mais um repique em O Globo , mostrando que, assim com o tráfico de drogas, também a exploração de caça-níqueis está liberada na comunidade “tomada” pela PM. As fotos, novamente, são de um morador da favela, que o jornal, obviamente, não identifica.
***
PS – Isso não está acontecendo somente na Cidade de Deus.. Em todas as favelas pacificadas ocorre o mesmo.
PS2 – Aproxima-se a eleição e, na campanha, o governador vai massacrar a opinião pública com a divulgação do êxito da “pacificação das favelas”. Este é o ponto mais forte de sua “plataforma” eleitoral, ao lado das UPAs (Unidades de Pronto Atendimento).
PS3 – Aliás, UPPs e UPAs, tudo a ver. As UPAs também são um golpe de marqueting político-eleitoral, conforme iremos demonstrar neste Blog.
PS4 – O desgoverno de Cabral é um tema longo, do tipo “E o vento levou”.
E seria bom, seria ótimo, se o vento o levasse permanentemente para longe de nós.
Por Helio Fernandes, jornalista
Assinar:
Postagens (Atom)